Arte Primitiva
A expressão arte primitiva, tal como aqui utilizada, designa a produção artística dos chamados povos primitivos atuais: esquimós, negros africanos e melanésios, peles vermelhas. Possui, sem embargo, outras acepções: (1) a arte dos povos pré-históricos, a arte italiana dos séc. XIII e XIV, a flamenga do XV, a lusitana dos XV e XVI ou ate dos primitivos italianos, flamengos, portugueses; (3) a arte dos denominados pintores domingueiros, ingênuos ou primitivistas.
Como produto estético dos povos a que tão imprecisamente se chamou de primitivos, a arte primitiva não difere, em essência, de qualquer outro tipo de arte. O primitivo não é intelectualmente inferior ao europeu: o estágio tecnológico que se encontram um a outro é que difere. À primeira vista, a arte primitiva contemporânea pertenceria, cronologicamente, a povos de há milhares de anos - e é bem possível que tal raciocínio esteja na própria origem da denominação a ela dada, e que primitiva seja, antes de tudo, uma indicação cronológica.
Do ponto de vista puramente estético, a arte primitiva equivale, e em certos casos suplanta a qualquer outra. A vitalidade da escultura negra, por exemplo, ou a sensibilidade da arte plumária do indígena brasileiro são dificilmente igualáveis. O artista primitivo carece de qualquer conhecimento artístico organizado, desconhecendo leis, perspectivas, contraste entre luz e sombra, mas isso, ao invés de o prejudicar, ajuda-o a transmitir direta e instintivamente, com uma espontaneidade que de há muito a arte ocidental perdeu, suas experiências visuais. A vitalidade, a sensibilidade, a espontaneidade da arte primitiva atraíram-lhe, no início do séc. XX, as atenções de alguns pintores de vanguarda, como Picasso e Derain em França, Schmidt Rottluff na Alemanha, e explicam o alto apreço em que a partir de então é tida, por exemplo, as esculturas negras, que chegou a influenciar grandemente a arte européia do século atual.
Muitas vezes estabelecem-se paralelos entre a denominada arte infantil, a arte popular e a dos primitivos contemporâneos. O paralelo com a arte das crianças baseia-se na suposição de que a mentalidade infantil e a do primitivo aproximam-se grandemente; com a arte popular, em certa ingenuidade peculiar a ambas. Em verdade, a semelhança é mínima, diferindo a arte primitiva da infantil por ser, acima de tudo, de natureza mágico-religiosa, e da popular da arte erudita, de que é como que o abastardamento ou a simplificação.
Enciclopédia Barsa
Editor William Benton
Volume II páginas 197 á 198
“Vivemos graças ao caráter superficial de nosso intelecto, em uma ilusão perpétua. Para viver necessitamos da arte a cada momento, nossos olhos nos retêm formas, se nós mesmo educarmos gradualmente esse olho, veremos também reinar em nós uma força artística, uma força estética”. Nietzsche
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Alexandre Fester.