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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Fotógrafo Chema Madoz cria ilusões em preto e branco

13/12/2011 - 07h50
Fotógrafo Chema Madoz cria ilusões em preto e branco


RODOLFO LUCENA
COLUNISTA DA FOLHA

Nesta época em que reina a foto digital, as construções com bilhões de cores e as imagens manipuladas em computador, o fotógrafo espanhol Chema Madoz, 53, se mantém fiel à velha câmera analógica e ao preto e branco. Mas não abdica de tentar enganar o olhar: as fotos que produz têm como palco um mundo mágico, em que um garfo é a sombra de uma colher ou uma escada pula a janela (ou um espelho?) e se equilibra no espaço.

Nas criações de Madoz, não há truques de sobreposição de imagens, photoshopagem nem outras montagens fotográficas: a manipulação da realidade acontece antes do clique, pois ele mesmo constrói os estranhos objetos e cenários que registra com sua câmera.

Nesta entrevista, o fotógrafo espanhol conta um pouco sobre seu processo de criação.

Chema Madoz/Arquivo pessoal
Imagem de escada apoiada em espelho é uma das produções preferidas de Chema Madoz

Folha - Por que continuar usando filme e câmera analógica em uma era em que tudo parece ser digital, eletrônico, internético?

Chema Madoz - A fotografia digital estabelece uma relação muito particular coma a realidade. Com ela tudo é possível, tudo é manejável. Para ela, a realidade é o ponto de partida; para a analógica, a realidade é o ponto de chegada. A fotografia analógica possui uma aura, é uma espécie de notário do que entendemos como real. É nesse âmbito que trabalho: o que me interessa é fraturar o conceito de realidade, mas em seu próprio território, com as limitações que ela nos impõe.

Por que ficar no preto e branco?

Não fiquei no branco e preto: escolhi o preto e branco. Meu trabalho gira em torno da idéia de estabelecer vínculos, nexos entre elementos muito diferentes e afastados entre si. O preto e branco facilita isso, pois tudo se reduz a volume, jogo de luz e sombra, texturas. É como se levássemos tudo a um mesmo terreno em que todos os objetos fossem feitos do mesmo material. O preto e branco é atemporal. Quando vemos uma foto colorida, podemos perceber na hora se foi feita nos anos 1950, 1960 ou 1990. A cor revela sua data de nascimento. Já uma imagem em preto e branco pode ter sido feita ontem ou há 80 anos...

Seu trabalho parece tentar subverter a realidade, enganar o olhar. Por que escolheu esse caminho?

A ideia de refletir sobre como vemos e como processamos a informação me interessou desde o princípio. Conhecer o trabalho de outros fotógrafos, como Jan Dibetts, Gibson ou Duane Michals, me serviu de base para encontrar uma forma própria de contar as coisas, em que o engano é uma maneira de colocar em dúvida as formas que percebemos e como que, através dessa percepção, estabelecemos as bases para tirar conclusões.

Nessa linha de trabalho, o senhor deixa de ser fotógrafo para se transformar num construtor de imagens?

A fotografia pode ser usada de diferentes maneiras e nem por isso deixa de ser fotografia. Essa é uma das grandezas da câmera. Construir as imagens é apenas uma das possibilidades. Sempre me considerei um fotógrafo, ainda que meu trabalho tenha influências muito diferentes, de diversas áreas. Algumas imagens poderiam ser instalações, outras estão mais próximas do conceito de escultura, enquanto há outras que se aproximam mais do mundo do grafismo, do desenho.

Como o senhor cria as imagens ou cenas que fotografa?

Meu processo de trabalho é bem simples, começo com um desenho para ver se a imagem que tenho na cabeça tem possibilidades de funcionar. Se acho que vale a pena, então passo a buscar os objetos de que preciso e trabalho com eles até conseguir a imagem desejada. Só então entra em cena a fotografia. Nesse sentido, a fotografia joga um papel bem tradicional, que é o de preservar o momento, o objeto; a diferença é que aquela cena ou objeto foi criada apenas para ser fotografada.

Apesar de o papel da fotografia parecer, a princípio, ser neutro, o fato é que ela leva o objeto a um ponto inacessível para o observador, que não pode tocá-lo, mas apenas vê-lo na perspectiva que a câmera oferece.

Tento fazer uma contraposição: uma aparência formal, clássica, que logo é subvertida. No meu ponto de vista, é aí que se concentra o interesse, na criação de uma linguagem própria, na qual brinco com a leitura que o espectador possa fazer.

Quase todas as imagens estão baseadas em algum engano, mas um engano muito particular, pois está sempre à vista do espectador. A manipulação é sempre evidente e clara. De alguma forma, mostro o caminho que segui para chegar a ela, à ilusão. Estou reivindicando a dúvida sobre o que vemos e como o fato de não dar as coisas por sabidas pode fazer com que tenhamos uma perspectiva diferente da realidade.

Qual é sua foto predileta?

É difícil escolher. Tenho especial carinho por uma imagem de uma escada com um espelho, pois foi uma das primeiras imagens que me fez tomar consciência de que era possível criar um espaço quase mágico com a combinação de dois elementos cotidianos.

Se a imagem já aponta essa sensação de converter um espaço imaginário em real, quase tive vertigens quando fiz a montagem da instalação, pela força que transmitia.

Como foi feita a imagem da colher com sombra de garfo?

Essa é uma das fotos que mais chamam a atenção. A colher e o garfo são objetos que sempre estão associados. Se você vê uma na mesa, logo procura o outro com o olhar. É como se a natureza de um tenha implicitamente o outro. O que me atraiu foi a possibilidade de trabalhar com a sombra, que, ao longo da história sempre foi associada a uma espécie de alter-ego.

Resolver o problema levou algum tempo, até que percebi que qualquer figura, vista através de um cristal translúcido, parecia quase uma sombra. Usei então um acrílico branco como base. O garfo está por baixo dele, visto pela transparência, parecendo então ser a sombra da colher, que está por cima

A manipulação é sempre evidente e clara. De alguma forma, mostro o caminho que segui para chegar a ela, à ilusão. Estou reivindicando a dúvida sobre o que vemos.

Não deixe de visitar o site: http://www.chemamadoz.com/

Licenciado em História da Arte pela Universidade Compultense de Madrid, Madoz oscila entre o surrealismo e o conceptualismo. Troca o sentido dos objectos com a fotografia, muitas vezes com uma ponta de humor que nos faz sorrir. Veja aqui as fotografias.

Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2010/03/chema_madoz_-_fotografo_surrealista.html#ixzz1gRJRLkoe


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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Novo livro quer alavancar Tarsila do Amaral ao cenário global

12/12/2011 - 08h47
Novo livro quer alavancar Tarsila do Amaral ao cenário global

SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

Ela era a "cabrita selvagem", que corria entre cactos e pedras na fazenda dos pais no interior paulista. Depois, sofreu uma "metamorfose" e passou a "brilhar nos salões parisienses". Vestida pelos melhores costureiros, causava "frisson" nas rodas da "fina flor da intelectualidade".

É uma Tarsila do Amaral ambiciosa, forte e sedutora que emerge das páginas de sua nova biografia, livro lançado na semana passada que narra os chamados melhores anos de sua vida --a década de 1920, em que viveu entre uma São Paulo que se modernizava e uma Paris tomada pelas vanguardas estéticas.

Filha de fazendeiros abastados, nascida no fim do século 19 e morta em 1973, a artista que virou ícone do modernismo brasileiro, com telas como "Abaporu" e "Antropofagia", já foi alvo de amplos estudos, mas é a primeira vez que uma obra centra esforços em destrinchar a "aura" de Tarsila do Amaral.

Divulgação
Autorretrato de Tarsila do Amaral em 1923

Esse culto à personalidade começa já na capa do volume escrito pela historiadora Maria Alice Milliet. No lugar de um quadro icônico, está lá a fotografia do rosto da artista.

"Ela usava esse coque, o cabelo muito esticado, preso atrás, com grandes brincos. A sobrancelha é muito delineada, afinada, e a boca é quase um coração", descreve Milliet. "Essa é a estética das mulheres famosas da época, ela cria um figurino."

E o figurino se estende aos autorretratos que ela fez. Seguindo conselhos do poeta Blaise Cendrars, amigo que levou a artista ao seio da sociedade intelectual de Paris, Tarsila construiu uma imagem perfeita para atrelar à sua obra e se firmar no meio.

"É uma coisa moderna essa ideia de ter uma imagem acoplada ao que você faz, seus autorretratos eram rótulos, ícones, quase cartazes", afirma Milliet. "Ela usou isso como veículo de uma grife."

Numa dessas telas, aliás, Tarsila se retrata com um vestido vermelho desenhado por Jean Patou, o queridinho das expatriadas em Paris --ela usou a peça num jantar em homenagem a Santos Dumont.

CENA INTERNACIONAL

Tarsila já nos primeiros anos de carreira tinha plena consciência do estrondo que sua obra viria a causar e usava isso a seu favor. Sabia também vender a grife que encarnava, chamando amigos como Picasso, Léger e Brancusi para feijoadas e caipirinhas em seu endereço parisiense.

No novo livro, essas relações têm peso estratégico, já que a missão declarada da obra é alavancar Tarsila para o plano internacional em tempos de explosão da arte brasileira no exterior.

Milliet, que escreveu o livro por encomenda de herdeiros da artista, compara Tarsila à diva inconteste da arte mexicana Frida Kahlo e gasta fartas páginas estreitando os laços dela com colegas europeus, do naïf Henri Rousseau ao cubista Fernand Léger e cartazistas soviéticos.

"Está na hora de fazer um aprofundamento das relações internacionais de Tarsila", diz Milliet, que pretende traduzir o livro para o inglês. "Ela tem gabarito para estar na cena internacional. A Frida Kahlo só tem o nome que tem por causa de um esquema de marketing brutal."

Nessa mesma pegada, herdeiros de Tarsila também querem aproveitar a Copa e a Olimpíada que estão por vir no Brasil para organizar mostras da artista para o público internacional, que deve abarrotar museus do país.

TARSILA
AUTORA Maria Alice Milliet
EDITORA M10
QUANTO R$ 300 (276 págs.)


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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Eliseu Visconti – A Modernidade Antecipada

Abertura 
ELISEU VISCONTI – 
A MODERNIDADE ANTECIPADA

Gigante da pintura e exímio decorador ganha mostra


A obra “Maternidade”, de Eliseu Visconti, integra a retrospectiva em cartaz na Pinacoteca

       Visconti não foi apenas um pintor. Seus trabalhos extrapolam a técnica tradicional - sobre tela, com uso de tinta a óleo-e ganharam destaque em outras superfícies: estudos para cartazes, vinhetas, tecidos, cerâmicas, vitrais e selos.
       Na exposição “Eliseu Visconti – A Modernidade Antecipada”, que estréia amanhã (dia 10) na Pinacoteca, o público pode conferir a estética do autor italiano (1866-1944), radicado no Brasil, que mistura os resquícios do impressionismo brasileiro com o estilo “art nouveau”.
       Com curadoria de Rafael Cardoso e Mirian Serafim, as cerca de 250 obras em cartaz, produzidas entre 1890 e 1940, compõem um recorte expressivo de sua produção.
       Com narrativa cronológica, a retrospectiva é dividida por períodos e temas. Destaque para as obras “Gioventù” e “Sonho Místico”, esta última pertence ao Museu de Belas Artes do Chile e vem ao Brasil pela primeira vez.
        Responsável pelo desenho do pano de boca, do teto e das pinturas no “foyer” do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Visconti, segundo o curador Rafael Cardoso, “estava em compasso com as correntes artísticas mais avançadas, desde a década de 1890, muito antes daquilo que consideramos ‘arte moderna’ no contexto brasileiro”.

Pinacoteca – pça. Da Luz, 2, Bom Retiro, tel. 3324-1000. Ter.a dom.: 10h ás 17h30 (c/ permanência até as 18h). Abertura 10/12. Até 26/02/2012. Livre. Ingr.: R$ 6 (grátis p/menores de seis, maiores de 60 anos, e Sab.). Ingr.combinado: R$ 6 (Estação Pinacoteca e Pinacoteca do Estado). CC: M e V. Estac. grátis.



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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Trabalhos de Vik Muniz são expostos na embaixada brasileira na Itália


Edição do dia 29/11/2011
29/11/2011 14h15 - Atualizado em 29/11/2011 14h15

Trabalhos de Vik Muniz são expostos na 

embaixada brasileira na Itália


O artista ficou famoso no mundo fazendo arte com lixo.
A correspondente Ilze Scamparini conversou com ele em Roma.

Ilze ScampariniRoma, Itália
As imagens que inspiraram profundamente o trabalho de Vik Muniz são de certa forma uma volta a casa. “Caravaggio, Michelangelo... Os seus primeiros ídolos são sempre os grandes pintores italianos, não tem jeito. Quando você começa, faz arte, desenha, pinta, você começa a ver o que foi desenvolvido aqui. Foi tudo inventado aqui, a pintura foi praticamente desenvolvida aqui”, declara o artista plástico.

Vik Muniz, o brasileiro com obras em vários museus do mundo, recria pinturas dos gênios italianos com pedaços de papel e as leva para cenários inesperados, como o lixo. Na Galeria Pietro della Cortona da embaixada brasileira, um dos salões mais nobres de Roma, o artista recebeu centenas de admiradores.
Um dos seus quadros, desenhado e montado com objetos reais e depois fotografado, foi usado na abertura da novela Passione.
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Não só o Renascimento nutriu o paulistano que vive entre o Rio de Janeiro e Nova York. Na metade dos anos 1960, um movimento que surgiu na Itália, também o influenciou. A "arte povera" valorizou materiais considerados pobres, como terra, plástico, ferro e trapos.

As suas relações com a Itália vêm de longe, da sua infância perto do bairro do Bixiga. em São Paulo. “A cultura italiana não está tão presente na pintura, na literatura. Eu não li Dante quando eu era pequeno, mas ela está dentro do dia a dia, também na comida, no temperamento”, afirma Muniz.

A cultura italiana também está na música inesquecível de um imigrante muito brasileiro. “Adoniran Barbosa... aquela coisa do imigrante fatalista, de uma poesia quase impossível. Se eu imaginar o meu primeiro cantor italiano favorito, seria Adoniran Barbosa”, declara.

Foi uma conversa divertida na Praça Navona, com o simpático e modesto Vik Muniz, artista brasileiro de fama mundial. “As pessoas perguntam: você é desenhista? Sei lá o que eu sou… Eu tô tentando ser artista há 25 anos”, diz.


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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Fwd: MAC em Obras - Encontros nos dias 29/11, 30/11 e 1/12





Mensagem original
De: infomac < infomac@usp.br >
Para: infomac@usp.br
Assunto: MAC em Obras - Encontros nos dias 29/11, 30/11 e 1/12
Enviada: 23/11/2011 17:18

acompanhe notícias sobre exposições, cursos e demais atividades do MAC USP


Seu endereço eletrônico está cadastrado para receber informações sobre as atividades do
Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC USP.
Para REMOVER escreva para infomac@usp.br




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Artes Plásticas

MOSTRA TEM PORTINARI E BURLE MARK

Na exposição que inaugura agora no novo espaço do Instituto de Arte Contemporânea (r. Dr. Álvaro Alvim, 76, tel.0/xx/11/3255-2009), há trabalhos de artistas como Candido Portinari, Roberto Burle Marx, Geraldo de Barros, Flavio de Carvalho e Di Cavalcanti. A curadoria da mostra é de Glória Ferreira.


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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Pinturas pré-históricas de cavalos eram realistas, revela DNA

11/11/2011 - 10h18

Pinturas pré-históricas de cavalos eram realistas, revela DNA

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REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE
As imagens encantadoras de cavalos selvagens que povoam a arte da Idade da Pedra não só eram bonitas como também primavam pelo realismo, mostra um estudo que investigou o DNA dos equinos pré-históricos.
Entre arqueólogos, havia um debate antigo sobre a natureza das pinturas de cavalos e de outros grandes mamíferos do Paleolítico Superior (fase anterior à invenção da agricultura, quando ocorre uma explosão artística).
N. Aujoulat/France Presse
Cavalos do Paleolítico tinham coloração baia, preta e "leopardo"
Cavalos do Paleolítico tinham coloração baia, preta e "leopardo"
Não se tinha certeza se essas imagens eram estilizadas, com características sobretudo simbólicas e rituais, ou se os caçadores-coletores de 25 mil anos atrás estavam simplesmente retratando os animais como os viam.
A equipe liderada por Arne Ludwig, do Instituto Leibniz de Pesquisas Zoológicas, em Berlim, decidiu tirar a dúvida analisando amostras genéticas de cavalos da época, obtidas na Sibéria e em vários locais da Europa.
Usando variantes de DNA que denunciam a cor da pelagem do animal, os cientistas mostraram que os cavalos do Paleolítico tinham coloração baia (grosso modo, castanho), preta e "leopardo", um padrão caracterizado por pintinhas pretas no corpo claro do bicho.
Curiosamente, são justamente esses três padrões os retratados pela arte da Era do Gelo. Até as pintinhas aparecem em certas imagens, embora as cores escuras sejam as mais comuns.
Isso sugere "que as pinturas da espécie nas cavernas são retratos claramente realistas dos animais; isso apoia a hipótese de que as pinturas tinham menos conotação simbólica ou transcendental do que se imagina às vezes", escrevem os pesquisadores.
A pesquisa está na revista científica "PNAS".


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Hermes de Praxiteles no museu arqueológico de Olímpia

Hermes de Praxiteles no museu arqueológico de Olímpia

              A estátua de Zeus, de 12 m de altura, criada pelo escultor ateniense Fídias, com ouro, marfim e outros materiais preciosos.
              A figura do deus ficava sentada em um trono com seu cetro. Ficou um pouco mais do Heráion, templo dedicado a Hera, esposa de Zeus. Quatro colunas estão mantidas, assim como base das estátuas de culto.


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Acrópole de Atenas já foi igreja cristã e mesquita

10/11/2011 - 07h42

Acrópole de Atenas já foi igreja cristã e mesquita

MAURÍCIO KANNO
ENVIADO ESPECIAL AO MEDITERRÂNEO
Atenas aparece hoje no noticiário no bojo da crise que derrubou o primeiro-ministro George Papandreou e suscita negociações para formar um governo capaz de aprovar o pacote de resgate de 130 bilhões, da União Europeia, destinado a evitar a bancarrota da economia grega.
Agruras do endividamento e da política à parte, Atenas, a capital da Grécia, é o que se poderia chamar de um destino turístico clássico.
A Acrópole (ou "cidade alta", do grego) é um marco histórico tão importante que, na cidade, os prédios no centro histórico são proibidos de ter mais que quatro andares. Nos outros locais, oito andares é o limite e, assim, em qualquer lugar, a vista chega longe.
Mas, voltando à Acrópole, ela é uma colina rochosa onde está preservado o Pártenon, templo construído em homenagem à deusa Atena, "padroeira" da cidade.
Grandiosa, essa construção vive em reformas, com quase 14,7 m de altura e base de 69,5 m por 30,9 m. Já teve 46 colunas externas e 23 internas e, curiosamente, sua base é levemente curvada em direção ao centro superior, assim como há colunas mais largas que fazem uma "correção óptica" do monumento.
Mauricio Kanno/Folhapress
Turistas observam o Partenon, na Acrópole de Atenas
Turistas observam o Partenon, na Acrópole de Atenas
O templo, incluindo decorações, foi terminado em 432 a.C., substituindo outro destruído durante a invasão dos persas -depois repelidos.
Essa foi a época do auge da democracia ateniense, quando a cidade era um centro cultural e se sobrepunha às outras cidades-Estado gregas.
O irônico é que, no século 5º d.C., após o avanço do Império Romano, o prédio foi convertido numa igreja cristã dedicada à Virgem Maria.
Como se não bastasse, o Império Otomano transformou o edifício em uma mesquita por volta de 1460 -o Pártenon ganhou até um minarete, a peculiar torre dos templos islâmicos.
Só é chato que os andaimes ao redor do monumento atrapalhem o viajante mais observador e dificultem uma impressão de viagem ao passado que o local sugere.
As obras de restauração na Acrópole, ainda que necessárias, estão em andamento desde 1983. E é pena que, ao restaurar seu aspecto original, tenham deixado a Acrópole "nova" demais.


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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Arte: Jovem diz receber inspiração de gênios da pintura e da música

Arte: Jovem diz receber inspiração de gênios da pintura e da música


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Jovem diz receber inspiração de gênios da pintura e da música


Jovem diz receber inspiração de gênios da pintura e da música

qua, 05/10/11 por Jornalismo | categoria mistériosreligião 
No Fantástico de 04 de outubro de 1981, Um rapaz de São Paulo se diz capaz de tocar piano através da inspiração de grandes mestre da música e passar para a tela pinturas de gênios da arte. Além dele, o Show da Vida apresentou vários casos de parapsicologia.


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Artista cria técnica de pintar quadros com cinzas

Artista cria técnica de pintar quadros com cinzas

DE SÃO PAULO

São Paulo, quarta-feira, 02 de novembro de 2011

O tema da morte inspira a criatividade de artistas.
É o caso da artista plástica Cláudia Eleutério, que criou uma técnica para fazer pintura com tinta a óleo misturada às cinzas de mortos.
"Iniciei com cinzas de animais para aprender. Hoje trabalho sob encomenda em parceria com a Acempro [Associação Cemitério dos Protestantes]."
Cada quadro custa, em média, de R$ 3.000 a R$ 4.000, dependendo do tamanho e da quantidade de cinzas. Fotos dos mortos e vídeos servem de base para a artista plástica.
"Comecei quando passei perto de um cemitério e vi que poderia criar algo que imortalizasse as pessoas", diz.


"Queria criar algo que imortalizasse as pessoas"
CLÁUDIA ELEUTÉRIO
criadora da técnica de pintura de tinta a óleo com cinzas de mortos 


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Primeiro livro de historia da arte sai no Brasil

29/10/2011 - 07h34

Primeiro livro de historia da arte sai no Brasil


FABIO CYPRIANO
CRÍTICO DA FOLHA
"O contorno das pernas é belíssimo, enquanto os flancos esbeltos têm inserções divinas; nem se viu jamais pose tão suave e graciosa que se lhe equipare."
A descrição um tanto apaixonada não faz parte de um romance: é como Giorgio Vasari (1511-1574) apresenta o famoso Davi, de Michelangelo, esculpido entre 1501 e 1504.
Seu livro "Vidas dos Artistas", publicado em 1550, lançado, agora, na íntegra, pela primeira vez no Brasil, e mesmo em língua portuguesa, foi o primeiro grande compêndio sobre os artistas do Renascimento, num misto de relato biográfico e considerações pessoais.
Muito do que se sabe sobre Leonardo da Vinci (1452-1519) e sobre o próprio Michelangelo (1475-1564), de quem Vasari era amigo, é conhecido por conta de sua narrativa preciosista e empolgada.
Max Rossi - 8.set.2004/Reuters
Visitantes da Accademia, em Florença (Itália), observam a estátua de David, obra-prima de Michelangelo (1475-1564)
Visitantes da Accademia, em Florença (Itália), observam a estátua de David, obra-prima de Michelangelo (1475-1564)
A primeira parte do livro aborda as diferentes técnicas de produção da arquitetura, escultura e pintura da época e a vida de mais de cem artistas, divididos em três fases.
Na primeira fase dos relatos biográficos, que tem início com Giovanni Cimabue, Vasari fala de artistas que começaram a imitar os antigos.
Na segunda, o autor trata dos que inventaram o uso da perspectiva, como Botticelli e Andrea Mantegna.
Finalmente, na terceira fase, ele aborda de Da Vinci até Michelangelo, porque depois dele, deixa claro, nada restava a um imitador fazer.
A narrativa, recheada de adjetivos, nem de longe coloca dúvidas sobre a pesquisa minuciosa para a publicação de 500 anos. Sobre "A Última Ceia", de Da Vinci, o afresco na parede de um convento em Milão, apontada como uma das obras seminais do Renascimento, o autor chega a relatar detalhes de bastidor:
"A nobreza da pintura [...] provocou no rei da França o desejo de levá-la ao reino, coisa que ele tentou por todos os meios, pensando em recorrer a arquitetos que com vigas de madeira e ferros a sustentassem de tal maneira que ela pudesse ser levada incólume".
O esforço, conclui, foi em vão.
Vasari foi também pintor e arquiteto, mas o que de fato o fez fundamental foi ter iniciado uma narrativa tão bem articulada a ponto de ser tido como pai da história da arte.

VIDAS DOS ARTISTAS
Autora Giogio Vasari
Editora WMF MartinsFontes
Tradução Ivone Castilho Bennedetti
Quanto R$ 125 (856 págs.)
Avaliação ótimo


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ARTE, S.O.S.

ARTE, S.O.S.

Arqueólogos com treinamento militar e agentes de restauro vão a zonas de guerra pelo mundo para proteger obras de arte em risco

Apu Gomes/Folhapress
Ruínas grecoromanas de Cirene, na Líbia

SILAS MARTÍ
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA

Dias antes de deflagrarem os primeiros ataques aéreos à Líbia em março, na guerra que levou à morte o ditador Muammar Gaddafi na semana passada, tropas da Otan receberam um relatório com coordenadas dos sítios arqueológicos do país para evitar que fossem bombardeados.
Quando o conflito avançou e rebeldes tomaram Trípoli, dois agentes militares com especialização em arqueologia foram à Líbia para ver de perto os estragos da guerra.
Agora, com o leste do país sob controle das forças aliadas, uma nova missão, com restauradores e outros especialistas, está sendo planejada, para ver o que ficou de fora das primeiras inspeções.
Cada vez que uma guerra ou desastre natural ameaça o patrimônio histórico e artístico de um país, agentes do Escudo Azul, órgão internacional que tem o mesmo peso que a Cruz Vermelha nas Nações Unidas, entram em ação em missões desse tipo.
"Este foi um momento intenso para nós, com a Primavera Árabe, o tsunami no Japão e as ações de rescaldo do terremoto no Haiti", afirmou France Desmarais, diretora do International Council of Museums (Icom), que representa museus de 140 países, numa entrevista em Brasília.
Ela é uma canadense fluente em árabe, que, de Paris, coordena as ações do Escudo Azul e do conselho global de museus. Desmarais esteve em Brasília na semana passada num seminário sobre prevenção de risco a obras de arte.
"Quando algo acontece, fazemos uma advertência oficial e uma lista de obras em perigo", diz Desmarais. "Uma das listas já evitou que 1.500 peças históricas fossem traficadas do Afeganistão para Londres, todas apreendidas no aeroporto de Heathrow."
Em tempos de guerra, esse é o segundo destino mais comum de obras de arte. Ou são destruídas no conflito ou acabam surrupiadas para engrossar coleções ilegais -o tráfico de obras movimenta, segundo Desmarais, cerca de R$ 10,6 bilhões a cada ano.
E agentes trabalham nas duas frentes. Foi o Escudo Azul que repassou as coordenadas de sítios históricos aos militares na Líbia, enquanto o Icom, associado a esse órgão, elabora listas de peças em risco e repassa a informação a agentes da Interpol.
No levante contra o ditador Hosni Mubarak, no Egito, houve saques ao Museu Egípcio e sítios arqueológicos também estavam ameaçados.
"Houve um grande tumulto e danos graves aos museus", conta Thomas Schuler, cérebro das missões à Líbia e ao Egito e responsável pelo recrutamento dos agentes do Escudo Azul.
"Nem a Interpol sabia o que estava havendo. Precisávamos entrar como observadores e ver se boatos de destruição eram verdadeiros."

DESASTRES NATURAIS
Em casos de desastres naturais, como o terremoto que arrasou o Haiti no ano passado, grupos como o Escudo Azul ou o Instituto Brasileiro de Museus, órgão do Ministério da Cultura, também coordenam ações de resgate.
Na presidência rotativa do Ibermuseus, conselho dos museus ibero-americanos, o Brasil está envolvido na reconstrução de um museu de arte naïf em Porto Príncipe.
Nos primeiros dias depois da catástrofe, homens do Escudo Azul foram à ilha avaliar os danos, convocando arquitetos de todo o Caribe numa equipe de 80 pessoas.
"Havia enormes rachaduras nas paredes e não pudemos entrar em muitos museus", lembra Schuler. "Tivemos de trazer mais especialistas para resgatar objetos."

O jornalista SILAS MARTÍ viajou a convite do Ibermuseus.
Texto Anterior: Mônica Bergamo


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trabalhos