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domingo, 13 de março de 2016

A ARTE IMITA A ARTE

Produzidas na primeira metade do século 20, réplicas de esculturas icônicas da história da arte estão expostas em São Paulo ao alcance de um bilhete único

TEXTO: BRUNO B. SORAGGI
FOTOS: ALBERTO ROCHA
NARRAÇÃO: MELINA CARDOSO

13/03/2016

Com o dólar e o euro custando os olhos e a cara, talvez não dê para viajar para a Europa tão cedo. Se servir de consolo, saiba que não é preciso ir a Florença, na Itália, para ver o bíblico “Davi”, esculpido por Michelangelo (1475-1564), nem ir ao Louvre, em Paris, para tirar fotos de “Diana, a Caçadora”, do artista francês Jean-Antoine Houdon (1741-1828).

O inimigo de Golias pode ser contemplado no Tatuapé, zona leste. A figura da deusa romana, por sua vez, encontra-se na praça Pedro Lessa, próxima ao Centro Cultural Correios, no Anhangabaú, região central. E há outras.
Da Aclimação à Lapa, réplicas de estátuas icônicas de diferentes períodos da história da arte, cujas versões originais se encontram em museus europeus, estão expostas em São Paulo ao alcance de uma baldeação.

Segundo inventário da prefeitura, há 12 obras em logradouros públicos classificadas como cópias. Algumas, como a reprodução de “Amalteia e a Cabra de Júpiter”, no parque da Luz, foram importadas.
A maior parte, porém, foi produzida em oficinas do Liceu das Artes e Ofícios de São Paulo na primeira metade do século 20. Para tal, foram utilizadas técnicas de fundição de bronze e modelos de gesso, trazidos da Europa e tirados diretamente das obras que representam.

“Os exemplos serviam não apenas para enfeitar praças, mas para o aprendizado”, afirma Percival Tirapeli, 63, professor da Unesp.

“Aliava-se, assim, a busca por uma arte monumental, considerada necessária aos projetos de uma cidade em expansão”, diz Maria Hirszman, 49, crítica de arte e consultora da Enciclopédia Itaú Cultural.
Fundado em 1873, o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo –que já ocupou o atual prédio da Pinacoteca do Estado e foi dirigido pelo arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928)– tinha como intuito formar mão de obra para o desenvolvimento econômico e cultural de uma São Paulo inspirada em ideais urbanos europeus e financiada pela pujança cafeeira.

Hoje considerados relíquias, os modelos de gesso eram armazenados no galpão do centro cultural do Liceu, que pegou fogo em fevereiro de 2014 em razão de um curto circuito.
À época, o prédio estava com auto de vistoria do Corpo de Bombeiros vencido, e o fogo causou danos a algumas das figuras -são 35 no total, segundo levantamento recente.

O trabalho de recuperação dessas peças teve início em agosto de 2015. A primeira a ser concluída foi a versão em gesso da “Pietá”, de Michelangelo (exposta verdadeiramente em mármore na Basílica de São Pedro, no Vaticano), a um custo de R$ 20 mil.

“Fizemos essa primeira em caráter experimental para depois desenvolver métodos e conferir se a projeção foi correta ou não”, avalia o restaurador Júlio Moraes. As obras do novo centro cultural também foram iniciadas.

O LOUVRE NÃO É AQUI

É claro que, por intempéries, abandono ou vandalismo, algumas dessas réplicas paulistanas estão bastante deterioradas. E não só elas.
Segundo Mariana Falqueiro, 35, chefe da seção técnica de monumentos e obras artísticas do Departamento do Patrimônio Histórico, ligado à Secretaria Municipal de Cultura, das 436 obras de arte catalogadas em inventário público, 10% estão danificadas ou são consideradas desaparecidas.
“Essas obras acabam refletindo uma situação urbana e sofrendo com uma ação social”, avalia Falqueiro. “Acredito que essa cultura de preservação também exija um processo educacional. O trabalho de reparo é caro, e a população deve cobrar mais. Mas a conservação dessas obras de arte também depende muito da apropriação social, de a população saber o que significam. De que elas não sejam entendidas como elementos estranhos na paisagem.”
“A cidade possui grande acervo de obras de arte em parques e praças, mas não tem uma gestão de conservação. A atual política cultural consegue tombar um patrimônio no papel, mas ainda não sabe como zelar ou salvaguarda-lo”, afirma Walter Ramos, 55, coordenador do Instituto Pró-Monumentos, que, desde 2006, desenvolve diversos projetos voltados à preservação e catalogação do acervo em lugares públicos.


RÉPLICA DA ESTÁTUA "DAVI", DE MICHELANGELO, NO TATUAPÉAlberto Rocha/Folhapress

“Davi”
Segundo a Bíblia, Davi derrotou o gigante Golias com uma funda (espécie de estilingue).
Na interpretação do professor de artes da Unesp Percival Tirapeli, a representação esculpida por Michelangelo (1475-1564) traz “o olhar profundo e o momento exato antes de arremessar a pedra por meio da funda [espécie de estilingue], praticamente oculta em sua mão.”
A réplica paulistana do pastor bíblico, feita de bronze e argamassa, foi instalada no interior do estádio do Pacaembu em 1940, ano de inauguração do espaço dedicado à prática de esportes.
Lá permaneceu até 1969, quando, com a construção do “tobogã” e o fim da concha acústica, foi movida para a praça Charles Miller.
Em 1974, a obra foi levada para o Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador, na zona leste, em cuja entrada se encontra até hoje.
Em 2002, o então administrador do Pacaembu chegou a reivindicar que a peça voltasse à sua casa original, causando descontentamento em moradores do Tatuapé, que, depois de tanto tempo, já tinham a estátua como parte de sua paisagem. A mudança, porém, acabou por não ser realizada.

Alberto Rocha/Folhapress


Tanguinha
Em
 reportagem da Folha feita naquele ano, a socióloga Fátima Antunes, do Departamento de Patrimônio Histórico da prefeitura, afirma que a imagem do homem nu constrangia frequentadores do estádio. “Nos desfiles de 7 de Setembro cobriam a escultura com uma tanguinha”, conta.

Original: Florença, Itália | Réplica: r. Canuto Abreu, s/nº, Tatuapé, zona leste


RÉPLICA DO GRUPO ESCULTÓRICO "LAOCOONTE" NO PARQUE DO IBIRAPUERAAlberto Rocha/Folhapress

“Laocoonte”
O grupo escultórico “Laocoonte”, datado aproximadamente dos anos 40 a.C, é uma das obras de arte mais marcantes do período helenístico (de 336 a.C a 146 a.C), segundo o professor de artes da Unesp Percival Tirapeli.
A peça, cuja autoria é atribuída aos escultores Agesandro, Atenodoro e Polidoro (da cidade grega de Rodes), representa o momento de dor e angústia de Laocoonte e seus dois filhos ao serem picados por cobras enviadas pelo deus grego Apolo –há versões da história que citam Atena ou Poseidon como os autores da punição.
O severo castigo infligido ao sacerdote decorreu da tentativa deste de convencer os cidadãos de Troia a não aceitar o grande cavalo de madeira dado a eles pelos gregos. Como se sabe, o presente revelou-se uma estratégia para fazer entrar na cidade os soldados inimigos que se escondiam em seu interior.

Alberto Rocha/Folhapress


Quando foi descoberta, no ano de 1506 em Roma, a obra estava incompleta: faltava-lhe o braço direito de Laocoonte. Diz-se que, após debates entre renomados artistas da época, optou-se por reconstituí-la com o braço esticado, dando a Laocoonte ares de heroísmo.
Após muitos anos, o braço original foi encontrado, e a posição correta era dobrada.
Baseada em moldes de gesso comprados pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo no início do século 20, a réplica paulistana de bronze, instalada no parque Ibirapuera, imita a versão com braço esticado.

Original: Museus Vaticanos (Roma, Itália) | Réplica: Parque Ibirapuera

RÉPLICA DE ESTÁTUA "MÍLON DE CROTONA", DE PIERRE PUGET, NA PRAÇA BUENOS AIRESAlberto Rocha/Folhapress
“Mílon de Crotona”
A escultura representa a figura de Mílon, da cidade de Crotona, um exímio atleta olímpico da Antiguidade.
Iniciada em 1671 e finalizada em 1682, a obra, cuja versão original é do francês Pierre Puget (1620-1694), tem 2,70 metros de altura.

Alberto Rocha/Folhapress


Conta a história que, já velho, Mílon, discípulo do matemático Pitágoras, resolveu mostrar sua força partindo ao meio o tronco de uma árvore já parcialmente derrubada.
Ao fazê-lo, suas mãos ficaram presas e ele acabou sendo devorado por lobos –que, na escultura, foram substituídos por um leão.
A peça pode ser interpretada como a representação da vitória do tempo sobre a força, o vigor e o orgulho humanos.

Original: Museu do Louvre (Paris, França) | Réplica: Parque Buenos Aires


RÉPLICA DA OBRA "ESPINÁRIO", NA PRAÇA ALFREDO WEISZFLOG, LAPAAlberto Rocha/Folhapress
“Espinário”
Datada do século 1º a.C, a escultura se destaca pelo gesto humano e trivial que representa: um jovem sentado removendo um espinho de seu pé.

Alberto Rocha/Folhapress


De acordo com Walter Ramos, coordenador do Instituto Pró-Monumentos, a estátua é uma réplica de bronze executada pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo em 1941 com base em uma réplica do Espinário de Roma, que reproduzia o original grego (séc. 2º a.C).

Original: Museus Capitólios (Roma, Itália) | Réplica: EMEI Noemia Ippolito (Praça Alfredo Weisflg, s/n, Lapa)
RÉPLICA DA ESCULTURA "MOISÉS", DE MICHELANGELO, NA GALERIA PRESTES MAIAAlberto Rocha/Folhapress
“Moisés”
A figura original de Moisés, esculpida por Michelangelo em mármore entre os anos de 1513 e 1515, integra um conjunto que compõe o mausoléu do papa Júlio 2º.
O professor de artes da Unesp Percival Tirapeli relembra a lenda de que, ao terminar seu trabalho, diante da perfeição, o artista teria batido no joelho da estátua e perguntado: “Por que não fala?”.

Alberto Rocha/Folhapress


A réplica de bronze produzida pelo Liceu de Artes e Ofícios da cidade de São Paulo na década de 1940 encontra-se escondida ao lado de uma escada da galeria subterrânea Prestes Maia, que liga a praça do Patriarca ao vale do Anhangabaú, no centro.
De acordo com Tirapeli, “nessa peça concentra-se todo um ideal da representação figurativa, ampliado para uma genialidade de inspiração religiosa.”

Original: Basílica de San Pietro in Vincoli (Roma, Itália) | Réplica: Galeria Prestes Maia (centro)

RÉPLICA DE ESCULTURA "MERCÚRIO EM REPOUSO", NA PRAÇA DA REPÚBLICAAlberto Rocha/Folhapress

“Mercúrio em Repouso”
Representante do período helenístico, época em que Alexandre, o Grande, construía seu império do Egito à Índia, a escultura tem autoria atribuída a Lísipo (séc. 4ºa.C), que, segundo o professor de artes visuais da Unesp Percival Tirapeli, “foi considerado o mais profícuo artista da época, tendo produzido 1.500 peças fundidas em bronze”.
Segundo a mitologia greco-romana, a divindade Hermes (Mercúrio, para os romanos) era o mensageiro dos deuses, representado com agilidade e tendo como atributo asas no pé.
Na reproduzida pelo Liceu de Artes e Ofícios e instalada na praça da República, no centro de São Paulo, vê-se um jovem descansando sem sua indumentária.

Alberto Rocha/Folhapress

“Com leve torção no ombro, o corpo projeta-se para a frente enquanto uma das pernas se curva para trás e a outra se alonga, ampliando a espacialidade da escultura, que se apresenta em uma configuração equilibrada entre cheios e vazios, tornando-a visualmente leve.”
Para o especialista, ainda chama a atenção a “complexidade do processo de fundição da peça”, com partes dela tocando-se apenas levemente –uma mão na rocha e outra livre, repousando sobre a coxa, só o calcanhar encostando no solo.”
A posição mais baixa também intensifica a sensação de cansaço da figura, que parece arfar, como denota a musculatura de seu abdômen.
Original: Museu Arqueológico Nacional de Nápoles (Itália)| Réplica: Praça da República
RÉPLICA DE ESTÁTUAS DE TÚMULOS DA FAMÍLIA MÉDICI NA FONTE MILÃO, NA AV. REPÚBLICA DO LÍBANOAlberto Rocha/Folhapress
Fonte Milão
As quatro esculturas que integram a Fonte Milão, situada na praça Cidade de Milão (ao lado do parque Ibirapuera, na av. República do Líbano), são réplicas de esculturas feitas por Michelangelo entre 1526 e 1533 para os túmulos de Giuliano e Lorenzo di Médici, instalados na basílica de San Lorenzo, em Florença, na Itália.
Essas imagens representam o dia, o crepúsculo, a aurora e a noite, que podem ser interpretadas como fases da vida.
Alberto Rocha/Folhapress

De acordo com informações do DPH (Departamento do Patrimônio Histórico), o anúncio de instalação do monumento se deu em 1962, quando a capital paulista e a cidade de Milão firmaram acordo em que se tornaram “cidades irmãs”, mas foi só em 1971 que as obras passaram a integrar o espaço público.
O texto no site da seção técnica de levantamento e pesquisa do DPH ainda acrescenta que, “além de homenagear Milão com uma obra de Florença e realizar uma montagem que não permite recuperar integralmente a proposta do artista [a disposição das figuras humanas é diferente da original], São Paulo também exprimiu certo pudor provinciano ao encobrir o sexo das figuras masculinas com folhas de vinha”.
O local, atualmente degradado, passou por um processo de revitalização em 2004.

Original: Florença (Itália) | Réplica: Praça Cidade de Milão (Av. República do Líbano, zona sul).
RÉPLICA DA PEÇA "AMALTEIA E A CABRA DE JÚPITER", NO PARQUE DA LUZAlberto Rocha/Folhapress
“Amalteia e a Cabra de Júpiter”
A versão original deste grupo escultórico, feito de mármore por Pierre Julien (1731-1804), foi encomendada em 1785 para ser instalada na leiteria de Maria Antonieta (1755-1793), no castelo de Rambouillet, na França.
A peça representa uma história da mitologia greco-romana que tem duas versões.
Em uma delas, que serviu de inspiração para o escultor, Amalteia seria uma ninfa que acolheu Zeus (chamado de Júpiter pelos romanos), único filho não devorado pelo próprio pai, Cronos (ou Saturno), e o alimentou com leite de cabra. Em outra interpretação, Amalteia seria a própria cabra.
Alberto Rocha/Folhapress

A reprodução que hoje está no parque da Luz, em São Paulo, foi importada da França na década de 1910 e inicialmente instalada na praça Oswaldo Cruz, no Paraíso.
Por volta dos anos 1920, ela foi deslocada e de lá e substituída pela escultura do “Índio Pescador”, de Francisco Leopoldo e Silva (1879-1948).

Original: Acervo do Museu do Louvre (Paris, França) | Réplica: Parque da Luz
RÉPLICA DE "DISCÓBOLO", NA ACLIMAÇÃOAlberto Rocha/Folhapress

“Discóbolo”
A réplica feita com argamassa, concreto e bronze é uma cópia de uma peça feita por volta do século 4º a.C pelo escultor grego Naukydes, da cidade de Argos.
Há uma versão exposta no Louvre, que, de acordo com o próprio museu francês, é uma reprodução de uma estátua original perdida.
Alberto Rocha/Folhapress

Diferentemente da versão mais conhecida do atirador de discos, feita pelo escultor grego Míron, no qual a figura do homem já se encontra em movimento de lançamento, esta estátua representa o momento de preparação para a ação.

Original: Museu do Louvre (Paris, França) | Réplica: Praça General Polidoro (Aclimação)
RÉPLICA DE "DIANA, A CAÇADORA", NA PRAÇA PEDRO LESSAAlberto Rocha/Folhapress
“Diana, a Caçadora”
A figura, feita de bronze em 1790 pelo artista francês Jean-Antoine Houdon (1741-1828) causou comoção à época em razão da nudez da personagem retratada, a deusa da caça.
O professor de artes da Unesp Percival Tirapeli chama a atenção para o fato de que, “diferente de outras Dianas, a figura esculpida por Houdon está em sutil movimento. Seu olhar é penetrante e seu gesto é de extrema elegância”.
Alberto Rocha/Folhapress
Alberto Rocha/Folhapress

Ele ainda convida o observador a levar sua atenção à “leveza dos pés e às linhas curvas que nascem nos seios, que se arredondam nas ancas e deslizam pelas coxas até a extremidade dos dedos”.
A réplica paulistana, instalada por volta de 1944, encontra-se bastante degradada, faltando-lhe um braço, o arco e a flecha.

Original: Museu do Louvre (Paris, França) | Réplica: Praça Pedro Lessa (ou “Praça do Correio”, no Anhangabaú)


Reportagem: Bruno B. Soraggi / Design e desenvolvimento: Pilker e Ricardo Ampudia / Fotos:Alberto Rocha / Narração e edição de áudio: Melina Cardoso




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sábado, 8 de dezembro de 2012

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Eliseu Visconti – A Modernidade Antecipada

Abertura 
ELISEU VISCONTI – 
A MODERNIDADE ANTECIPADA

Gigante da pintura e exímio decorador ganha mostra


A obra “Maternidade”, de Eliseu Visconti, integra a retrospectiva em cartaz na Pinacoteca

       Visconti não foi apenas um pintor. Seus trabalhos extrapolam a técnica tradicional - sobre tela, com uso de tinta a óleo-e ganharam destaque em outras superfícies: estudos para cartazes, vinhetas, tecidos, cerâmicas, vitrais e selos.
       Na exposição “Eliseu Visconti – A Modernidade Antecipada”, que estréia amanhã (dia 10) na Pinacoteca, o público pode conferir a estética do autor italiano (1866-1944), radicado no Brasil, que mistura os resquícios do impressionismo brasileiro com o estilo “art nouveau”.
       Com curadoria de Rafael Cardoso e Mirian Serafim, as cerca de 250 obras em cartaz, produzidas entre 1890 e 1940, compõem um recorte expressivo de sua produção.
       Com narrativa cronológica, a retrospectiva é dividida por períodos e temas. Destaque para as obras “Gioventù” e “Sonho Místico”, esta última pertence ao Museu de Belas Artes do Chile e vem ao Brasil pela primeira vez.
        Responsável pelo desenho do pano de boca, do teto e das pinturas no “foyer” do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Visconti, segundo o curador Rafael Cardoso, “estava em compasso com as correntes artísticas mais avançadas, desde a década de 1890, muito antes daquilo que consideramos ‘arte moderna’ no contexto brasileiro”.

Pinacoteca – pça. Da Luz, 2, Bom Retiro, tel. 3324-1000. Ter.a dom.: 10h ás 17h30 (c/ permanência até as 18h). Abertura 10/12. Até 26/02/2012. Livre. Ingr.: R$ 6 (grátis p/menores de seis, maiores de 60 anos, e Sab.). Ingr.combinado: R$ 6 (Estação Pinacoteca e Pinacoteca do Estado). CC: M e V. Estac. grátis.



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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Pinturas pré-históricas de cavalos eram realistas, revela DNA

11/11/2011 - 10h18

Pinturas pré-históricas de cavalos eram realistas, revela DNA

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REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE
As imagens encantadoras de cavalos selvagens que povoam a arte da Idade da Pedra não só eram bonitas como também primavam pelo realismo, mostra um estudo que investigou o DNA dos equinos pré-históricos.
Entre arqueólogos, havia um debate antigo sobre a natureza das pinturas de cavalos e de outros grandes mamíferos do Paleolítico Superior (fase anterior à invenção da agricultura, quando ocorre uma explosão artística).
N. Aujoulat/France Presse
Cavalos do Paleolítico tinham coloração baia, preta e "leopardo"
Cavalos do Paleolítico tinham coloração baia, preta e "leopardo"
Não se tinha certeza se essas imagens eram estilizadas, com características sobretudo simbólicas e rituais, ou se os caçadores-coletores de 25 mil anos atrás estavam simplesmente retratando os animais como os viam.
A equipe liderada por Arne Ludwig, do Instituto Leibniz de Pesquisas Zoológicas, em Berlim, decidiu tirar a dúvida analisando amostras genéticas de cavalos da época, obtidas na Sibéria e em vários locais da Europa.
Usando variantes de DNA que denunciam a cor da pelagem do animal, os cientistas mostraram que os cavalos do Paleolítico tinham coloração baia (grosso modo, castanho), preta e "leopardo", um padrão caracterizado por pintinhas pretas no corpo claro do bicho.
Curiosamente, são justamente esses três padrões os retratados pela arte da Era do Gelo. Até as pintinhas aparecem em certas imagens, embora as cores escuras sejam as mais comuns.
Isso sugere "que as pinturas da espécie nas cavernas são retratos claramente realistas dos animais; isso apoia a hipótese de que as pinturas tinham menos conotação simbólica ou transcendental do que se imagina às vezes", escrevem os pesquisadores.
A pesquisa está na revista científica "PNAS".


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Hermes de Praxiteles no museu arqueológico de Olímpia

Hermes de Praxiteles no museu arqueológico de Olímpia

              A estátua de Zeus, de 12 m de altura, criada pelo escultor ateniense Fídias, com ouro, marfim e outros materiais preciosos.
              A figura do deus ficava sentada em um trono com seu cetro. Ficou um pouco mais do Heráion, templo dedicado a Hera, esposa de Zeus. Quatro colunas estão mantidas, assim como base das estátuas de culto.


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segunda-feira, 11 de julho de 2011

MAM - Museu de Arte Moderna de São Paulo



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terça-feira, 21 de junho de 2011

Museu acredita que retrato de Van Gogh representa seu irmão

21/06/2011 - 19h14


O Museu Van Gogh de Amsterdã comunicou nesta terça-feira ter indícios de que um autorretrato de Vincent van Gogh (1853-1890), no qual o pintor aparece com uma jaqueta azul e um chapéu amarelo, representa na realidade seu irmão Theo (1857-1891).

O quadro faz parte de uma exposição aberta nesta terça-feira na qual o museu expõe 93 obras do artista pintadas na Antuérpia e em Paris, e que foram objetos de estudo para revelar novos elementos da obra de Van Gogh, segundo indicou a pinacoteca em comunicado.

Segundo o pesquisador Louis van Tilborgh, responsável pelo estudo, no retrato em questão a barba é menos avermelhada que a de outros autorretratos de Van Gogh e está cortada na metade da bochecha, enquanto o pintor a deixava sempre mais espessa.

Van Gogh Museum/Associated Press

Museu Van Gogh acredita que quadro tido como autorretrato é, na verdade, retrato do irmão do pintor

Tilborgh também acredita que se trata de um retrato de Theo Van Gogh, porque a orelha vista no quadro é muito mais redonda que a do pintor, o que coincide com outras fotos de Theo, que se parecia muito com o irmão.

A mostra, que será exibida até dia 18 de setembro, inclui outras descobertas como o fato do famoso quadro que representa duas botas desgastadas de um operário ocultar uma paisagem parisiense, o que confirmaria que Van Gogh o pintou quando vivia em Paris, onde esteve entre 1886 e 1888, e não na cidade holandesa de Nuenen.


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terça-feira, 31 de maio de 2011

A obsessão de artistas pela figura do anão

22/05/2011 - 08h15

Não é de hoje que os anões fascinam artistas de várias épocas e de culturas distintas. O pintor espanhol Diego Velázquez (1599-1660) foi um dos maiores entusiastas do fenótipo do anão, retratando os anões que trabalhavam como bobos nas cortes reais.

A literatura e o cinema também foram acometidos pela "síndrome de Velázquez", representando o anão ora como maligno, ora como um ser dotado de bondade. O jornalista Alvaro Costa e Silva realiza, nesta edição do caderno, um inventário sobre essa profícua tradição artística.

Assinantes da Folha ou do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha, podem ler na íntegra o texto.

The Art Archive / Museo del Prado Madrid / Gianni Dagli Orti

"El bufón Don Diego de Acedo, el Primo" (1642-44), do pintor espanhol Diego Velázquez


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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Novidades:

Acabei de disponibilizar a página para downlod do assunto "Os seis estágio de um desenho que faz parte da apostila "Curso de Desenho e Pintura também disponível para download. Esse assunto me chama sempre a atenção, sempre que leciono as mesmas dúvidas são sempre frequentes. Vcs. Também podem conferir aqui na página do site no link: http://alesfester.blogspot.com/search/label/0008.%20Os%20Seis%20Est%C3%A1gios%20de%20Um%20Desenho




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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Pinacoteca do Estado fica sem seu anexo planejado

24/02/2011 - 08h17
Pinacoteca do Estado fica sem seu anexo planejado

ROBERTO KAZ
DE SÃO PAULO

No dia 9 de fevereiro, 12 escritórios de arquitetura receberam, por e-mail, um comunicado da Associação Pinacoteca Arte e Cultura, organização social responsável por gerir a Pinacoteca do Estado.


Secretário de Cultura diz que projetos eram caros


O texto, sucinto e sem assinatura, agradecia a participação no concurso para a reforma do Liceu de Artes e Ofícios --que serviria de reserva técnica à entidade-- informando, no entanto, que "nenhuma das propostas endereçadas foi selecionada".


Os participantes haviam sido convidados em setembro de 2010, por meio de uma carta do diretor executivo da Pinacoteca, Marcelo Araújo. O documento, que exigia a apresentação de habilitações jurídicas, fiscais e técnicas, apontava que a Associação teria "o direito de julgar insatisfatórias todas as propostas, (...) sem que de tal ato decorra direito de reparação".


E assim se deu.


"Foi uma falta de respeito", diz Silvio Oksman, arquiteto que projetou o Instituto Criar de TV e Cinema, no bairro da Barra Funda. "Durante quinze dias trabalhamos como loucos."


Oksman reclama que o convite era vago. "Havia poucas especificações. Tanto que os projetos finais eram absolutamente diferentes. Acho difícil que nenhum deles atendesse às demandas."


Renato Dal Pan, que projetou o Sesc de Guarulhos, diz que a classe está "acostumada a ser mal tratada".


Ainda assim, decidiu participar: "Era um projeto estimulante, de magnitude, para criar um espaço expositivo e uma reserva técnica. Foi um mês de dedicação exclusiva no escritório."


Lua Nitsche, que assina casas de veraneio no litoral paulista, diz ter alocado "cinco arquitetos e três estagiários" no projeto: "Foi o primeiro convite que recebemos, por isso entramos."


Ela reclama da falta de diálogo com a Associação Pinacoteca. "Eles não se comunicavam por telefone. Havia um endereço de e-mail para sanar dúvidas. Mas nunca recebíamos resposta de uma pessoa específica. Era sempre algo abstrato, em nome da Associação."


Em um e-mail, a arquiteta perguntou quem formava o júri responsável pela avaliação. "Não recebi resposta", reclama. (Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Cultura do Estado tampouco respondeu a esta mesma demanda, feita pela Folha).


"Fica parecendo que não houve análise, que a decisão foi política", aponta. "Falta de qualidade não pode ter sido. Havia gente gabaritada. O Mario Biselli, por exemplo, venceu o concurso para projetar o Aeroporto Internacional de Florianópolis."


Biselli, que também desenhou o Teatro de Londrina, diz ter sido acometido de uma "frustração absoluta" quando do comunicado. "Já vi a coroação de projetos ruins, mas nunca o cancelamento assim, do nada", diz.


CRITÉRIOS


Precavido, o arquiteto Marcelo Ferraz --que projetou a Prefeitura de São Paulo com Lina Bo Bardi (1914-1992)-, preferiu, desde o início, não participar. "Convidaram mais de 20 escritórios. Trabalha-se muito e, normalmente, 90% vai para o lixo", disse, para em seguida completar: "Nesse caso, 100%."


Ferraz figurou, em 2008, entre os finalistas do concurso que escolheria a nova sede do Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro. "Então cancelaram tudo e recomeçaram do zero, com a presença do [escritório americano] Diller Scofidio, que acabou ganhando."


"Você nunca sabe quais são os critérios. Ainda bem que não participei desse último", conclui.

Fonte: Folha do Estado de São Paulo

"A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam."
(Auguste Rodin)


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trabalhos