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domingo, 13 de março de 2016

A ARTE IMITA A ARTE

Produzidas na primeira metade do século 20, réplicas de esculturas icônicas da história da arte estão expostas em São Paulo ao alcance de um bilhete único

TEXTO: BRUNO B. SORAGGI
FOTOS: ALBERTO ROCHA
NARRAÇÃO: MELINA CARDOSO

13/03/2016

Com o dólar e o euro custando os olhos e a cara, talvez não dê para viajar para a Europa tão cedo. Se servir de consolo, saiba que não é preciso ir a Florença, na Itália, para ver o bíblico “Davi”, esculpido por Michelangelo (1475-1564), nem ir ao Louvre, em Paris, para tirar fotos de “Diana, a Caçadora”, do artista francês Jean-Antoine Houdon (1741-1828).

O inimigo de Golias pode ser contemplado no Tatuapé, zona leste. A figura da deusa romana, por sua vez, encontra-se na praça Pedro Lessa, próxima ao Centro Cultural Correios, no Anhangabaú, região central. E há outras.
Da Aclimação à Lapa, réplicas de estátuas icônicas de diferentes períodos da história da arte, cujas versões originais se encontram em museus europeus, estão expostas em São Paulo ao alcance de uma baldeação.

Segundo inventário da prefeitura, há 12 obras em logradouros públicos classificadas como cópias. Algumas, como a reprodução de “Amalteia e a Cabra de Júpiter”, no parque da Luz, foram importadas.
A maior parte, porém, foi produzida em oficinas do Liceu das Artes e Ofícios de São Paulo na primeira metade do século 20. Para tal, foram utilizadas técnicas de fundição de bronze e modelos de gesso, trazidos da Europa e tirados diretamente das obras que representam.

“Os exemplos serviam não apenas para enfeitar praças, mas para o aprendizado”, afirma Percival Tirapeli, 63, professor da Unesp.

“Aliava-se, assim, a busca por uma arte monumental, considerada necessária aos projetos de uma cidade em expansão”, diz Maria Hirszman, 49, crítica de arte e consultora da Enciclopédia Itaú Cultural.
Fundado em 1873, o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo –que já ocupou o atual prédio da Pinacoteca do Estado e foi dirigido pelo arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928)– tinha como intuito formar mão de obra para o desenvolvimento econômico e cultural de uma São Paulo inspirada em ideais urbanos europeus e financiada pela pujança cafeeira.

Hoje considerados relíquias, os modelos de gesso eram armazenados no galpão do centro cultural do Liceu, que pegou fogo em fevereiro de 2014 em razão de um curto circuito.
À época, o prédio estava com auto de vistoria do Corpo de Bombeiros vencido, e o fogo causou danos a algumas das figuras -são 35 no total, segundo levantamento recente.

O trabalho de recuperação dessas peças teve início em agosto de 2015. A primeira a ser concluída foi a versão em gesso da “Pietá”, de Michelangelo (exposta verdadeiramente em mármore na Basílica de São Pedro, no Vaticano), a um custo de R$ 20 mil.

“Fizemos essa primeira em caráter experimental para depois desenvolver métodos e conferir se a projeção foi correta ou não”, avalia o restaurador Júlio Moraes. As obras do novo centro cultural também foram iniciadas.

O LOUVRE NÃO É AQUI

É claro que, por intempéries, abandono ou vandalismo, algumas dessas réplicas paulistanas estão bastante deterioradas. E não só elas.
Segundo Mariana Falqueiro, 35, chefe da seção técnica de monumentos e obras artísticas do Departamento do Patrimônio Histórico, ligado à Secretaria Municipal de Cultura, das 436 obras de arte catalogadas em inventário público, 10% estão danificadas ou são consideradas desaparecidas.
“Essas obras acabam refletindo uma situação urbana e sofrendo com uma ação social”, avalia Falqueiro. “Acredito que essa cultura de preservação também exija um processo educacional. O trabalho de reparo é caro, e a população deve cobrar mais. Mas a conservação dessas obras de arte também depende muito da apropriação social, de a população saber o que significam. De que elas não sejam entendidas como elementos estranhos na paisagem.”
“A cidade possui grande acervo de obras de arte em parques e praças, mas não tem uma gestão de conservação. A atual política cultural consegue tombar um patrimônio no papel, mas ainda não sabe como zelar ou salvaguarda-lo”, afirma Walter Ramos, 55, coordenador do Instituto Pró-Monumentos, que, desde 2006, desenvolve diversos projetos voltados à preservação e catalogação do acervo em lugares públicos.


RÉPLICA DA ESTÁTUA "DAVI", DE MICHELANGELO, NO TATUAPÉAlberto Rocha/Folhapress

“Davi”
Segundo a Bíblia, Davi derrotou o gigante Golias com uma funda (espécie de estilingue).
Na interpretação do professor de artes da Unesp Percival Tirapeli, a representação esculpida por Michelangelo (1475-1564) traz “o olhar profundo e o momento exato antes de arremessar a pedra por meio da funda [espécie de estilingue], praticamente oculta em sua mão.”
A réplica paulistana do pastor bíblico, feita de bronze e argamassa, foi instalada no interior do estádio do Pacaembu em 1940, ano de inauguração do espaço dedicado à prática de esportes.
Lá permaneceu até 1969, quando, com a construção do “tobogã” e o fim da concha acústica, foi movida para a praça Charles Miller.
Em 1974, a obra foi levada para o Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador, na zona leste, em cuja entrada se encontra até hoje.
Em 2002, o então administrador do Pacaembu chegou a reivindicar que a peça voltasse à sua casa original, causando descontentamento em moradores do Tatuapé, que, depois de tanto tempo, já tinham a estátua como parte de sua paisagem. A mudança, porém, acabou por não ser realizada.

Alberto Rocha/Folhapress


Tanguinha
Em
 reportagem da Folha feita naquele ano, a socióloga Fátima Antunes, do Departamento de Patrimônio Histórico da prefeitura, afirma que a imagem do homem nu constrangia frequentadores do estádio. “Nos desfiles de 7 de Setembro cobriam a escultura com uma tanguinha”, conta.

Original: Florença, Itália | Réplica: r. Canuto Abreu, s/nº, Tatuapé, zona leste


RÉPLICA DO GRUPO ESCULTÓRICO "LAOCOONTE" NO PARQUE DO IBIRAPUERAAlberto Rocha/Folhapress

“Laocoonte”
O grupo escultórico “Laocoonte”, datado aproximadamente dos anos 40 a.C, é uma das obras de arte mais marcantes do período helenístico (de 336 a.C a 146 a.C), segundo o professor de artes da Unesp Percival Tirapeli.
A peça, cuja autoria é atribuída aos escultores Agesandro, Atenodoro e Polidoro (da cidade grega de Rodes), representa o momento de dor e angústia de Laocoonte e seus dois filhos ao serem picados por cobras enviadas pelo deus grego Apolo –há versões da história que citam Atena ou Poseidon como os autores da punição.
O severo castigo infligido ao sacerdote decorreu da tentativa deste de convencer os cidadãos de Troia a não aceitar o grande cavalo de madeira dado a eles pelos gregos. Como se sabe, o presente revelou-se uma estratégia para fazer entrar na cidade os soldados inimigos que se escondiam em seu interior.

Alberto Rocha/Folhapress


Quando foi descoberta, no ano de 1506 em Roma, a obra estava incompleta: faltava-lhe o braço direito de Laocoonte. Diz-se que, após debates entre renomados artistas da época, optou-se por reconstituí-la com o braço esticado, dando a Laocoonte ares de heroísmo.
Após muitos anos, o braço original foi encontrado, e a posição correta era dobrada.
Baseada em moldes de gesso comprados pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo no início do século 20, a réplica paulistana de bronze, instalada no parque Ibirapuera, imita a versão com braço esticado.

Original: Museus Vaticanos (Roma, Itália) | Réplica: Parque Ibirapuera

RÉPLICA DE ESTÁTUA "MÍLON DE CROTONA", DE PIERRE PUGET, NA PRAÇA BUENOS AIRESAlberto Rocha/Folhapress
“Mílon de Crotona”
A escultura representa a figura de Mílon, da cidade de Crotona, um exímio atleta olímpico da Antiguidade.
Iniciada em 1671 e finalizada em 1682, a obra, cuja versão original é do francês Pierre Puget (1620-1694), tem 2,70 metros de altura.

Alberto Rocha/Folhapress


Conta a história que, já velho, Mílon, discípulo do matemático Pitágoras, resolveu mostrar sua força partindo ao meio o tronco de uma árvore já parcialmente derrubada.
Ao fazê-lo, suas mãos ficaram presas e ele acabou sendo devorado por lobos –que, na escultura, foram substituídos por um leão.
A peça pode ser interpretada como a representação da vitória do tempo sobre a força, o vigor e o orgulho humanos.

Original: Museu do Louvre (Paris, França) | Réplica: Parque Buenos Aires


RÉPLICA DA OBRA "ESPINÁRIO", NA PRAÇA ALFREDO WEISZFLOG, LAPAAlberto Rocha/Folhapress
“Espinário”
Datada do século 1º a.C, a escultura se destaca pelo gesto humano e trivial que representa: um jovem sentado removendo um espinho de seu pé.

Alberto Rocha/Folhapress


De acordo com Walter Ramos, coordenador do Instituto Pró-Monumentos, a estátua é uma réplica de bronze executada pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo em 1941 com base em uma réplica do Espinário de Roma, que reproduzia o original grego (séc. 2º a.C).

Original: Museus Capitólios (Roma, Itália) | Réplica: EMEI Noemia Ippolito (Praça Alfredo Weisflg, s/n, Lapa)
RÉPLICA DA ESCULTURA "MOISÉS", DE MICHELANGELO, NA GALERIA PRESTES MAIAAlberto Rocha/Folhapress
“Moisés”
A figura original de Moisés, esculpida por Michelangelo em mármore entre os anos de 1513 e 1515, integra um conjunto que compõe o mausoléu do papa Júlio 2º.
O professor de artes da Unesp Percival Tirapeli relembra a lenda de que, ao terminar seu trabalho, diante da perfeição, o artista teria batido no joelho da estátua e perguntado: “Por que não fala?”.

Alberto Rocha/Folhapress


A réplica de bronze produzida pelo Liceu de Artes e Ofícios da cidade de São Paulo na década de 1940 encontra-se escondida ao lado de uma escada da galeria subterrânea Prestes Maia, que liga a praça do Patriarca ao vale do Anhangabaú, no centro.
De acordo com Tirapeli, “nessa peça concentra-se todo um ideal da representação figurativa, ampliado para uma genialidade de inspiração religiosa.”

Original: Basílica de San Pietro in Vincoli (Roma, Itália) | Réplica: Galeria Prestes Maia (centro)

RÉPLICA DE ESCULTURA "MERCÚRIO EM REPOUSO", NA PRAÇA DA REPÚBLICAAlberto Rocha/Folhapress

“Mercúrio em Repouso”
Representante do período helenístico, época em que Alexandre, o Grande, construía seu império do Egito à Índia, a escultura tem autoria atribuída a Lísipo (séc. 4ºa.C), que, segundo o professor de artes visuais da Unesp Percival Tirapeli, “foi considerado o mais profícuo artista da época, tendo produzido 1.500 peças fundidas em bronze”.
Segundo a mitologia greco-romana, a divindade Hermes (Mercúrio, para os romanos) era o mensageiro dos deuses, representado com agilidade e tendo como atributo asas no pé.
Na reproduzida pelo Liceu de Artes e Ofícios e instalada na praça da República, no centro de São Paulo, vê-se um jovem descansando sem sua indumentária.

Alberto Rocha/Folhapress

“Com leve torção no ombro, o corpo projeta-se para a frente enquanto uma das pernas se curva para trás e a outra se alonga, ampliando a espacialidade da escultura, que se apresenta em uma configuração equilibrada entre cheios e vazios, tornando-a visualmente leve.”
Para o especialista, ainda chama a atenção a “complexidade do processo de fundição da peça”, com partes dela tocando-se apenas levemente –uma mão na rocha e outra livre, repousando sobre a coxa, só o calcanhar encostando no solo.”
A posição mais baixa também intensifica a sensação de cansaço da figura, que parece arfar, como denota a musculatura de seu abdômen.
Original: Museu Arqueológico Nacional de Nápoles (Itália)| Réplica: Praça da República
RÉPLICA DE ESTÁTUAS DE TÚMULOS DA FAMÍLIA MÉDICI NA FONTE MILÃO, NA AV. REPÚBLICA DO LÍBANOAlberto Rocha/Folhapress
Fonte Milão
As quatro esculturas que integram a Fonte Milão, situada na praça Cidade de Milão (ao lado do parque Ibirapuera, na av. República do Líbano), são réplicas de esculturas feitas por Michelangelo entre 1526 e 1533 para os túmulos de Giuliano e Lorenzo di Médici, instalados na basílica de San Lorenzo, em Florença, na Itália.
Essas imagens representam o dia, o crepúsculo, a aurora e a noite, que podem ser interpretadas como fases da vida.
Alberto Rocha/Folhapress

De acordo com informações do DPH (Departamento do Patrimônio Histórico), o anúncio de instalação do monumento se deu em 1962, quando a capital paulista e a cidade de Milão firmaram acordo em que se tornaram “cidades irmãs”, mas foi só em 1971 que as obras passaram a integrar o espaço público.
O texto no site da seção técnica de levantamento e pesquisa do DPH ainda acrescenta que, “além de homenagear Milão com uma obra de Florença e realizar uma montagem que não permite recuperar integralmente a proposta do artista [a disposição das figuras humanas é diferente da original], São Paulo também exprimiu certo pudor provinciano ao encobrir o sexo das figuras masculinas com folhas de vinha”.
O local, atualmente degradado, passou por um processo de revitalização em 2004.

Original: Florença (Itália) | Réplica: Praça Cidade de Milão (Av. República do Líbano, zona sul).
RÉPLICA DA PEÇA "AMALTEIA E A CABRA DE JÚPITER", NO PARQUE DA LUZAlberto Rocha/Folhapress
“Amalteia e a Cabra de Júpiter”
A versão original deste grupo escultórico, feito de mármore por Pierre Julien (1731-1804), foi encomendada em 1785 para ser instalada na leiteria de Maria Antonieta (1755-1793), no castelo de Rambouillet, na França.
A peça representa uma história da mitologia greco-romana que tem duas versões.
Em uma delas, que serviu de inspiração para o escultor, Amalteia seria uma ninfa que acolheu Zeus (chamado de Júpiter pelos romanos), único filho não devorado pelo próprio pai, Cronos (ou Saturno), e o alimentou com leite de cabra. Em outra interpretação, Amalteia seria a própria cabra.
Alberto Rocha/Folhapress

A reprodução que hoje está no parque da Luz, em São Paulo, foi importada da França na década de 1910 e inicialmente instalada na praça Oswaldo Cruz, no Paraíso.
Por volta dos anos 1920, ela foi deslocada e de lá e substituída pela escultura do “Índio Pescador”, de Francisco Leopoldo e Silva (1879-1948).

Original: Acervo do Museu do Louvre (Paris, França) | Réplica: Parque da Luz
RÉPLICA DE "DISCÓBOLO", NA ACLIMAÇÃOAlberto Rocha/Folhapress

“Discóbolo”
A réplica feita com argamassa, concreto e bronze é uma cópia de uma peça feita por volta do século 4º a.C pelo escultor grego Naukydes, da cidade de Argos.
Há uma versão exposta no Louvre, que, de acordo com o próprio museu francês, é uma reprodução de uma estátua original perdida.
Alberto Rocha/Folhapress

Diferentemente da versão mais conhecida do atirador de discos, feita pelo escultor grego Míron, no qual a figura do homem já se encontra em movimento de lançamento, esta estátua representa o momento de preparação para a ação.

Original: Museu do Louvre (Paris, França) | Réplica: Praça General Polidoro (Aclimação)
RÉPLICA DE "DIANA, A CAÇADORA", NA PRAÇA PEDRO LESSAAlberto Rocha/Folhapress
“Diana, a Caçadora”
A figura, feita de bronze em 1790 pelo artista francês Jean-Antoine Houdon (1741-1828) causou comoção à época em razão da nudez da personagem retratada, a deusa da caça.
O professor de artes da Unesp Percival Tirapeli chama a atenção para o fato de que, “diferente de outras Dianas, a figura esculpida por Houdon está em sutil movimento. Seu olhar é penetrante e seu gesto é de extrema elegância”.
Alberto Rocha/Folhapress
Alberto Rocha/Folhapress

Ele ainda convida o observador a levar sua atenção à “leveza dos pés e às linhas curvas que nascem nos seios, que se arredondam nas ancas e deslizam pelas coxas até a extremidade dos dedos”.
A réplica paulistana, instalada por volta de 1944, encontra-se bastante degradada, faltando-lhe um braço, o arco e a flecha.

Original: Museu do Louvre (Paris, França) | Réplica: Praça Pedro Lessa (ou “Praça do Correio”, no Anhangabaú)


Reportagem: Bruno B. Soraggi / Design e desenvolvimento: Pilker e Ricardo Ampudia / Fotos:Alberto Rocha / Narração e edição de áudio: Melina Cardoso




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terça-feira, 21 de abril de 2015

10 curiosidades sobre o desenho do seu filho



10 curiosidades sobre o desenho do seu filho
Desenho de criança é mais do que um monte de riscos: é uma forma de expressão.
Veja 10 fatos curiosos que ajudam a entender o que ela anda rabiscando
Por Mariana Meira, filha de Marisa e Celso
17.07.2014
 Quando uma criança recebe (ou pega!) nas mãos uma canetinha e uma folha de papel, a gente já sabe 
o que vem depois: uma verdadeira arte. No papel, na mesa, na parede, nas mãos… e isso é ótimo!
Separamos uma lista de coisas que você talvez ainda não sabe sobre os desenhos do seu filho:

1. Desenhar é contar uma história. “Quando uma criança desenha ou pinta, não está em questão o 
julgamento estético de arte. O que se tem ali é uma criança contando sua história particular, única”, diz a 
arte-educadora Luiza Olivetto, mãe de Homero. Até a Pais&Filhos TV entrou na dança: pediu pra 
que uma turma toda criativa de crianças desenhassem como imaginavam uma das histórias engraçadas 
de criança que recebemos. Essa arte virou uma série de desenhos animados super fofa. 
O último episódio que estreou no canal pode ser visto clicando aqui.
 2. Na hora de desenhar, não existem regras. A gente fica meio preso mesmo: é a sujeira, é o 
desenho que está esquisito ou sem sentido... A notícia é: isso é ótimo para o desenvolvimento dela.
3. Não existe desenho feio. O certo, o erro, o bonito ou o feio são palavras que não existem no 
universo da imaginação infantil. Mesmo que o desenho não faça sentido nenhum, não faça críticas,
isso só vai bloqueá-lo. O ideal é pedir para que a criança fale sobre o seu trabalho, conte o que criou, 
por que usou aquelas cores etc.
4. O desenho faz a criança conhecer os próprios sentimentos. É através dele que ela coloca pra 
fora suas percepções de mundo, suas sensações. E isso elas fazem muito melhor do que nós, adultos,
 que estamos mais preocupados com o resultado e com a forma do que com o processo em si.
5. Antes dos 3 anos, a criança só rabisca mesmo. São as chamadas garatujas, que começam com 
formas retas e depois ganham contornos circulares. Mesmo esses formatos estranhos são uma forma 
de comunicação da criança. É como ela enxerga seu mundo e consegue expressá-lo.
6. A partir dessa idade, ela quer mostrar seus rabiscos. Por ter mais noção de coletivo no lugar da 
indiviualidade, ela vai perceber que pode oferecer algo ao outro. E aí os “olha, mãe”, “olha, pai” passam 
a ser frequentes.
7. O tamanho do desenho diz muito sobre a criança. “Crianças que desenham tudo pequeno são 
mais retraídas, introvertidas, chamam menos a atenção, ou são mais reprimidas. As que ocupam 
espaço maior são mais expansivas, mais soltas, se sentem mais livres”, exemplifica a arteterapeuta 
Mônica Guttman, mãe de Suzana e Laszlo. As cores e a força no papel também podem dar indícios do 
momento emocional em que ela está vivendo.
8. Desenhos prontos para colorir ou livre expressão? Tanto faz. Para a maioria dos especialistas,
 isso não é arte, já que não permite a criação livre, com as impressões pessoais de cada criança. 
Já a arte-educadora Camila Di Giacomo, mãe de Ian e Lorenzo, e dona do Ateliê Sucatinha de Luxo, 
acha que tudo bem. “Mostrar referências e obras de artistas às crianças pode ser muito rico”, diz.
9. Desenhar faz bem para o desenvolvimento motor. E também para a criatividade, para a 
percepção e, claro, no processo dos pais conhecer melhor o próprio  filho.
10. Estimular é legal. Uma dica bacana é fazer uma “exposição de arte” das obras da criança para 
toda a família. Essa é uma forma de valorizar a arte do seu filho, além de ser ótimo para a autoestima 
e desenvolvimento dele. Não é assim que a gente faz quando gosta de um quadro e quer emoldurá-lo, 
por exemplo?
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ARTE, S.O.S.

ARTE, S.O.S.

Arqueólogos com treinamento militar e agentes de restauro vão a zonas de guerra pelo mundo para proteger obras de arte em risco

Apu Gomes/Folhapress
Ruínas grecoromanas de Cirene, na Líbia

SILAS MARTÍ
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA

Dias antes de deflagrarem os primeiros ataques aéreos à Líbia em março, na guerra que levou à morte o ditador Muammar Gaddafi na semana passada, tropas da Otan receberam um relatório com coordenadas dos sítios arqueológicos do país para evitar que fossem bombardeados.
Quando o conflito avançou e rebeldes tomaram Trípoli, dois agentes militares com especialização em arqueologia foram à Líbia para ver de perto os estragos da guerra.
Agora, com o leste do país sob controle das forças aliadas, uma nova missão, com restauradores e outros especialistas, está sendo planejada, para ver o que ficou de fora das primeiras inspeções.
Cada vez que uma guerra ou desastre natural ameaça o patrimônio histórico e artístico de um país, agentes do Escudo Azul, órgão internacional que tem o mesmo peso que a Cruz Vermelha nas Nações Unidas, entram em ação em missões desse tipo.
"Este foi um momento intenso para nós, com a Primavera Árabe, o tsunami no Japão e as ações de rescaldo do terremoto no Haiti", afirmou France Desmarais, diretora do International Council of Museums (Icom), que representa museus de 140 países, numa entrevista em Brasília.
Ela é uma canadense fluente em árabe, que, de Paris, coordena as ações do Escudo Azul e do conselho global de museus. Desmarais esteve em Brasília na semana passada num seminário sobre prevenção de risco a obras de arte.
"Quando algo acontece, fazemos uma advertência oficial e uma lista de obras em perigo", diz Desmarais. "Uma das listas já evitou que 1.500 peças históricas fossem traficadas do Afeganistão para Londres, todas apreendidas no aeroporto de Heathrow."
Em tempos de guerra, esse é o segundo destino mais comum de obras de arte. Ou são destruídas no conflito ou acabam surrupiadas para engrossar coleções ilegais -o tráfico de obras movimenta, segundo Desmarais, cerca de R$ 10,6 bilhões a cada ano.
E agentes trabalham nas duas frentes. Foi o Escudo Azul que repassou as coordenadas de sítios históricos aos militares na Líbia, enquanto o Icom, associado a esse órgão, elabora listas de peças em risco e repassa a informação a agentes da Interpol.
No levante contra o ditador Hosni Mubarak, no Egito, houve saques ao Museu Egípcio e sítios arqueológicos também estavam ameaçados.
"Houve um grande tumulto e danos graves aos museus", conta Thomas Schuler, cérebro das missões à Líbia e ao Egito e responsável pelo recrutamento dos agentes do Escudo Azul.
"Nem a Interpol sabia o que estava havendo. Precisávamos entrar como observadores e ver se boatos de destruição eram verdadeiros."

DESASTRES NATURAIS
Em casos de desastres naturais, como o terremoto que arrasou o Haiti no ano passado, grupos como o Escudo Azul ou o Instituto Brasileiro de Museus, órgão do Ministério da Cultura, também coordenam ações de resgate.
Na presidência rotativa do Ibermuseus, conselho dos museus ibero-americanos, o Brasil está envolvido na reconstrução de um museu de arte naïf em Porto Príncipe.
Nos primeiros dias depois da catástrofe, homens do Escudo Azul foram à ilha avaliar os danos, convocando arquitetos de todo o Caribe numa equipe de 80 pessoas.
"Havia enormes rachaduras nas paredes e não pudemos entrar em muitos museus", lembra Schuler. "Tivemos de trazer mais especialistas para resgatar objetos."

O jornalista SILAS MARTÍ viajou a convite do Ibermuseus.
Texto Anterior: Mônica Bergamo


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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Arqueólogos acham mais antigo ateliê do planeta

Arqueólogos acham mais antigo ateliê do planeta Caverna na África do Sul abrigava "paletas" de tinta há 100 mil anos Tons de ocre podem ter servido para pinturas murais ou corporais e indicam mentalidade complexa nessa época

 Magnus Haaland/"Science"/AP
Vista do mar a partir do interior da caverna de Blombos 

 RICARDO BONALUME NETO DE SÃO PAULO

 O mais antigo ateliê de pintura da Terra foi achado em uma caverna sul-africana. Os pintores de 100 mil anos atrás eram fãs de uma tinta ocre, com tons que variam entre vermelho, marrom e amarelo, armazenada em "paletas" feitas de conchas marinhas. Os artistas primitivos usavam pigmentos de origem mineral e davam predileção a cores que, segundo as especulações dos pesquisadores, lembravam a vida cotidiana, seja pelo sangue das caçadas, seja pela fertilidade, ligada à menstruação no imaginário dos povos antigos.

 SEM FASE AZUL Teriam entendido plenamente o "período rosa" de pinturas do espanhol Pablo Picasso (1881-1973), que durou de 1904 a 1906; não entenderiam, nem teriam como imitar, a "fase azul" anterior, por falta de pigmentos -ou talvez de interesse. Os pesquisadores associam a descoberta do antigo ateliê à própria evolução do pensamento humano. Pintamos, logo pensamos. O ocre está disponível em óxidos de ferro, no solo, e pode servir tanto para pinturas murais quanto corporais. A "tinta" seria até um primitivo protetor solar para a pele.

"A capacidade conceitual de amostrar, combinar e armazenar substâncias que aperfeiçoam a tecnologia ou as práticas sociais representa um marco na evolução da cognição humana complexa", escreveram os pesquisadores na edição de hoje da revista americana "Science". A equipe, liderada por Christopher Henshilwood (professor da Universidade de Bergen, Noruega, e da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul) encontrou o "ateliê" na caverna de Blombos, 300 km a leste da Cidade do Cabo. Francesco d'Errico, da Universidade de Bordeaux, na França, coordenou a datação do material encontrado por lá.

O ocre, as ferramentas de pedra para sua produção e as conchas foram achados já em 2008, mas desde então a equipe trabalhou para se certificar das datas. A análise do interior das conchas, onde a "tinta" ocre era misturada, revelou traços do que poderia ser a ação de dedos humanos durante o processo de preparar o produto para o uso.

Os pesquisadores identificaram dois "kits de ferramentas" usados para a produção da tinta. Pela ausência de outros tipos de detritos comuns em cavernas habitadas por seres humanos nessa camada, como restos de animais, eles especulam que um grupo de pessoas esteve ali "por um dia ou dois, no máximo", diz Henshilwood.

A caverna, cuja habitação começou há 140 mil anos, tem se revelado um grande tesouro de achados ligados à evolução cultural humana.


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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Centro Universitário Maria Antonia USP



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terça-feira, 21 de junho de 2011

Museu acredita que retrato de Van Gogh representa seu irmão

21/06/2011 - 19h14


O Museu Van Gogh de Amsterdã comunicou nesta terça-feira ter indícios de que um autorretrato de Vincent van Gogh (1853-1890), no qual o pintor aparece com uma jaqueta azul e um chapéu amarelo, representa na realidade seu irmão Theo (1857-1891).

O quadro faz parte de uma exposição aberta nesta terça-feira na qual o museu expõe 93 obras do artista pintadas na Antuérpia e em Paris, e que foram objetos de estudo para revelar novos elementos da obra de Van Gogh, segundo indicou a pinacoteca em comunicado.

Segundo o pesquisador Louis van Tilborgh, responsável pelo estudo, no retrato em questão a barba é menos avermelhada que a de outros autorretratos de Van Gogh e está cortada na metade da bochecha, enquanto o pintor a deixava sempre mais espessa.

Van Gogh Museum/Associated Press

Museu Van Gogh acredita que quadro tido como autorretrato é, na verdade, retrato do irmão do pintor

Tilborgh também acredita que se trata de um retrato de Theo Van Gogh, porque a orelha vista no quadro é muito mais redonda que a do pintor, o que coincide com outras fotos de Theo, que se parecia muito com o irmão.

A mostra, que será exibida até dia 18 de setembro, inclui outras descobertas como o fato do famoso quadro que representa duas botas desgastadas de um operário ocultar uma paisagem parisiense, o que confirmaria que Van Gogh o pintou quando vivia em Paris, onde esteve entre 1886 e 1888, e não na cidade holandesa de Nuenen.


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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Simpósio sobre historicidade e arte contemporânea



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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Arte - Por que estudar?

Arte
Por que estudar?

Mas que importância ela tem para a sua vida?
Esta pergunta tem muitas respostas. Uma delas foi formulada pelo filósofo alemão Nietzsche. Há mais de 2,5 mil anos, os gregos produziram na arte, literatura, ciência e filosofia uma grandiosa coleção de obras-primas, que estabeleceu os padrões de nossa cultura.

Nietzsche dizia que o povo grego era marcado por uma grande sensibilidade ao sofrimento e, ao mesmo tempo, tinha um grande talento artístico. Por isso, Para tornar a vida mais intensa e alegre, os gregos criaram a arte da aparência e da beleza.

Os gregos acreditavam que a beleza era uma mistura de harmonia, ordem e proporção. Por isso, eles construíram uma civilização sustentada no equilíbrio. O ideal de vida era a moderação. “Nada em demasia” – era uma idéia que servia de contraponto à violência dos instintos e paixões.

Mas depois de muitos anos cultuando a beleza, os gregos perceberam que as perdas e as dores não poderiam ser evitadas para sempre. Negar o sofrimento é negar a própria vida.

O teatro, no Ocidente, nasceu da tragédia grega. Sófocles, Ésquilo e Euripides foram os principais autores trágicos. Eles criaram tramas que até hoje são adaptadas para o teatro, cinema e a TV.

Em 1987, Dias Gomes adaptou para a novela “Mandala” a história de Édipo que, sem saber mata o pai, se casa com a mãe e fura os próprios olhos, como punição.

As tragédias gregas, como “Antígona”, representam as desgraças mais terríveis que se pode viver. As grandes questões da vida, que permanecem ao longo dos séculos, são discutidas em cena: a relação do homem com o tempo, a morte, a lei, com as suas paixões.
Mas por que o sofrimento na vida real é tão terrível, e na arte se tornaria uma espécie de prazer? Schiller, filósofo e dramaturgo alemão, do século 18, diz que estar emocionado nos dá prazer, mesmo quando essa emoção é dolorosa. A dor, quando é experimentada como arte, nos deixa comovidos.

Mas por que o sofrimento na vida real é tão terrível e na arte se tornaria uma espécie de prazer? Schiller, filósofo e dramaturgo alemão do século 18, diz que estar emocionado nos dá prazer, mesmo quando essa emoção é dolorosa. A dor, quando é experimentada como arte nos deixa comovido.

A gente só é capaz de se comover com a própria dor quando aprende a se distanciar dela. A arte cria este afastamento. Numa peça ou filme, por exemplo, você chora pelo herói, fica arrasado, mas na verdade, você está sentado numa cadeira. E o ator não está sofrendo de verdade. É um jogo.


“Se você dá o grito, se você dá o tiro em cena, se você fala maldita, você cura a platéia de ter que dizer isso na casa dela, de ela ter que ferir alguém, de ela ter que atirar em alguém”, diz a atriz Christiane Torloni.

Por tudo isso, a função da tragédia grega era, para Nietzsche, produzir alegria. Ao contrário do que parece, quando o homem se relaciona com a dor, por meio da arte, ele se fortalece. A tragédia é uma afirmação da vida.

“O artista é aquele que pula o abismo pela platéia”, define Torloni.
“Se ao artista vive a dor que tem que ser vivida, ele é o antídoto da dor no peito na platéia", diz Christiane Torloni.
O homem precisa de algum conhecimento para sobreviver. Para viver, ele precisa de arte.

Resumo do Texto Retirado do "quadro - Ser ou Não Ser - O papel da arte " exibido pela rede Globo no Fantástico.


"A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte."
(Mahatma Gandhi)


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