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sábado, 17 de outubro de 2009

0034. Outras Noções Para o Desenho de um Nu


OUTRAS NOÇÕES PARA O DESENHO DE UM NU




Passaremos a desenhar o modelo que estamos estudando, com maiores detalhes.
Observe-se que a linha vertical esquerda do retângulo quase toca, simultaneamente, em seu traçado, os dois corpos sólidos, cujas arestas são também verticais e estão quase encontradas á parede; sobre essa linha apóia as costas o modelo vivo.





Temos, portanto, as arestas do lado esquerdo. A primeira vista, pode parecer que as horizontais dos prismas estão em ângulo reto com aquelas, mas, se observamos bem, verificaremos que ditas arestas dos corpos sólidos sobre que se apóia o modelado não estão exatamente em ângulo reto, no desenho, por motivos de perspectiva. Isto é muito embora os sólidos estejam em ângulos retos com a parede a que estão quase encostados, assim não são vistos no desenho, porque do lugar onde se colocou, o desenhista não se vê o modelo completamente de frente. E é por causa deste ponto de vista que vemos os prismas em perspectiva.







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0033. Equivalência das Linhas





EQUIVALÊNCIA DAS LINHAS



Neste desenho temos a oportunidade de apreciar outro aspecto da construção de um nu tomado do modelo vivo, ou de uma estátua; é a mesma coisa, num caso como no outro. Trata-se de observar a correspondência entre umas formas e outras. Assim, o braço direito do modelo tem a mesma direção que a perna do mesmo lado, ao passo que o antebraço direito e a coxa do mesmo lado tem os seus eixos perfeitamente paralelos, entre si.















A coxa esquerda, ou seja, a que vemos no segundo plano corre paralela ao pé direito e aos planos horizontais das caixas em que se apóia o modelo.
É de observar também que a linha curva tão acentuada das costas é reforçada, nuns prismas sobre os quais repousa o modelo.
Todas estas noções estão explicadas graficamente nas figuras 33 e 34 podendo ali ser estudadas visualmente.




















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0032. Divisão Geométrica do Mesmo Conjunto

DIVISÃO GEOMÉTRICA DO MESMO CONJUNTO



Como já dissemos, a base desse retângulo está compreendida, quase duas vezes a altura total do mesmo. Traçamos dentro dele um eixo vertical, e com uma linha horizontal dividiremos sua altura em dois setores perfeitamente iguais. Verificaremos destarte que a linha primeira traçado passa por cima do dedo polegar da mão esquerda do modelo, que segura o pulso direito; prolongando-se para baixo, tangencia o calcanhar esquerdo, correndo paralelamente ás arestas verticais dos dois prismas.
A outra linha - a horizontal - passa pelo bordo inferior da mão e, aproximadamente, pela metade da altura do joelho esquerdo do modelo, que está flexionado, além disso, na parte posterior, marca a metade da pélvis.
Desta subdivisão do retângulo resultam quatro retângulos menores iguais entre si. Três deles estão quase completamente ocupados pelo modelo. Ser-nos-á de muito proveito subdividi-los, tal como fizemos com o retângulo maior.
A linha média vertical de retângulo superior esquerdo nos dá a perfeita colocação da orelha, e passando pelo ombro, serve-nos de linha auxiliar ou construtiva, para controlar a inclinação do braço; esta linha coincide também com o cotovelo do braço direito do modelo.



A linha horizontal com que delimitamos os dois espaços iguais deste retângulo se encontra á altura exata da impressão deltóide.
O retângulo inferior esquerdo, dividido na mesma maneira, permite-nos comprovar que a aresta vertical direita se encontra a muito pouca distância da linha central, passando a horizontal a uma terça parte da altura do prisma superior sobre que está sentado o modelo.
O retângulo direito superior não tem necessidade de subdividi-lo, pois apenas á alcançado em um dos seus ângulos pela mão esquerda do modelo e por uma pequena parte de sua coxa esquerda.
Em compensação, no retângulo inferior direito a subdivisão nos será muito útil: o eixo vertical nos serve para encontrar a colocação do joelho e do maléolo externo do perônio. A horizontal nos será também muito eficaz: por meio dela situaremos o calcanhar do pé-esquerdo e a parte inferior da barriga e da perna direita.





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0031. Outro Exemplo de Desenho de um Nu com Modelo Vivo

OUTRO EXEMPLO DE DESENHO DE UM NU COM MODELO VIVO


Na fase inicial deste desenho de um nu com modelo vivo apresentamos a figura 33.






Nela estudamos as leis gerais que regem a apresentação de qualquer pose. Bem compreendidos os princípios estabelecidos sobre esse ponto, estaremos em condições excelentes para realizar inúmeros trabalhos, com a certeza de que a apresentação das diversas poses será satisfatória. Cabe recordar, neste passo, o poderoso auxílio que representam, quanto a esse aspecto do desenho as linhas auxiliares construtivas, que atendem ás necessidades de cada pose.
No tocante á apresentação de um nu procuramos apreciar distintas fazes da operação. Por isso indicamos expressamente como proceder para apresentar bem um desenho de nu, valendo-nos para isso de uma pose da figura humana em pé e de outra na qual o modelo aparece sentado, como se vê na figura 34.





O desenho mostra-nos uma composição plástica interessante: os elementos que integram são dois prismas de madeira superpostos em escada. Ditos prismas servem, o mais alto, de assento, e o outro, colocado sob aquele, de apoio para os pés do modelo, o que permite variar a posição dos membros inferiores. Recordaremos que na realização do desenho anterior foi-nos de suma utilidade o auxílio da geometria. Traçamos as linhas verticais, horizontais, obliquas, etc., que vão indicando a verdadeira direção de todas as partes que compõem o corpo humano. Faremos o mesmo no caso presente. E assim ficará concluída a primeira fase do desenho; essas linhas, como já dissemos, serve-nos de guia no desenho exato de qualquer pose.
Em primeiro lugar, temos na parte inferior desse conjunto o plano muito amplo oferecido por uma grande caixa de madeira, sobre o qual o modelo, apóia o pé direito. Esta grande superfície horizontal se distingue dos planos verticais, em número de dois, que fazem ângulo e servem de fundo ao conjunto, por meio das linhas daquele, que se distingue em baixo, á esquerda, inclinando, dando-nos, pela sua perspectiva, a idéia de sua colocação e ao mesmo tempo o efeito da terceira dimensão, e a horizontal que corre paralela á borda do papel, de mostrando assim que o plano vertical está exatamente em frente ao desenhista.
Da perfeita situação desses três planos depende em grande parte o bom resultado do desenho, pois eles nos são de grande utilidade para situar o modelo, máximo neste caso em que estando ele sentado, apóia as costas num deles.
Antes de começar a desenhar um modelo, devemos observá-lo atentamente durante longo tempo. Ao será tempo perdido; ao contrário. Compenetrar-nos-emos assim de suas principais características, de maneira que, quando começamos a reproduzi-lo no papel uma idéia geral.
Isso não acontece se, á medida que vamos desenhando, estudamos pedacinho por pedacinho, detalhe por detalhe.
Esse estudo preliminar aplicado ao modelo presente nos permitirá descobrir que o todo está compreendido, aproximadamente, dentro de uma figura geométrica: um retângulo. Vejamos agora que proporções têm essa figura: se sua base é maior que sua altura, ou vice-versa. Na realidade, podemos comprovar que a largura da base, tomada deste o vértice, esquerdo do prisma inferior até as pontas do pé direito, esta compreendida quase duas vezes na altura completa do modelo, tomada esta deste o vértice do prisma que temos em primeiro plano até a parte superior da cabeça.
Esses retângulos, básicos para a execução do desenho podem traçá-lo na medida que mais nos agrada, para o efeito final do trabalho; o importante é que mantenha relação com a proporção do modelo que vamos copiar, pois tão correto pode ser um desenho em tamanho natural quanto reduzido á metade, á quarta parte, ou a qualquer outra medida, sempre que, por exemplo, o comprimento das pernas esteja em proporção ao torso, aos braços, etc., e que não venham às mãos a ficarem maiores do que a cabeça, os braços desproporcionados, etc. Todos estes erros se evitam, pois, estabelecendo no começo as proporções gerais da largura e altura totais, e encerrando o conjunto, como o fizemos anteriormente no caso dos gessos, dentro de figuras geométricas.
É natural que, conforme seja o tamanho da figura geométrica, seja também diferente o espaço de papel que fique em branco. Por isto, ao decidir sobre o tamanho da figura dentro da qual vamos efetuar o desenho, devemos ter o cuidado de colocá-la harmoniosamente na folha. Isto o fará ou por meio de diagonais - como já explicamos em quase todos os trabalhos anteriores ou simplesmente deixando na parte baixa do papel um espaço um pouco maior do que o que ficará na parte superior do mesmo, acima da cabeça. Quanto á colocação em relação á largura da folha, o mais conveniente será situar a figura no centro, calculando os pontos mais salientes e as massas mais importantes do conjunto. Neste caso, por exemplo, como toda a massa dominante se encontra na metade esquerda do conjunto, não colocaremos o triângulo mais á direita. Isto faz com que o espaço do papel em branco restante, diante do rosto, não seja demasiado, o que é um modo de dar força e interesse á cabeça. O pé direito - apesar de estar compreendido dentro do triangulo isósceles que forma o conjunto - sai fora do bloco mais compacto constituído pelo corpo humano e os sólidos geométricos, por esta razão não o consideramos mais do que um apêndice dentro do conjunto total, mesmo porque o seu pequeno volume não se pode comparar com a massa de grandes proporções do tronco. O fato de a distância restante entre ele é a borda do papel ser menor que o espaço que vai da aresta vertical esquerda do prisma até o outro extremo da folha, não prejudica, ao contrário, favorece o conjunto. Assim se obterão o perfeito equilíbrio de todos os espaços.




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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

0036. Os Problemas do Claro-Escuro


Os Problemas do Claro-Escuro


Como se pode facilmente perceber, o fogo de luz artificial está colocado em frente ao modelo, a uma altura conveniente, situada acima da cabeça.
As tintas intensas nos indicam que é um foco de luz artificial, pois se o modelo estivesse iluminado com a luz do dia o sombreado seria muito leve. Já dissemos que dentro de uma casa a luz natural é sempre mais suave que as luzes artificiais, cujas sombras são mais cortantes e intensas.
O modelo da figura 34 está muito bem compreendido. Estudaremos as duas fazes do seu claro-escuro. Começaremos pela distribuição - em todo o conjunto - das sombras mais intensas, tanto das próprias como das que aparecem projetadas.
Vemos que a composição está envolta em sombras fortes, nas fases dos sólidos que estão expostas á luz; o mesmo poderíamos dizer do modelo vivo. Atrás deste e dos sólidos aparece uma sombra intensa, projetada sobre a parede. Há também uma sombra projetada sobre ambos os sólidos, a qual provém das coxas, das pernas e dos pés.


A segunda etapa de um desenho é sempre objeto de preocupação especial por parte do desenhista.
É o momento - como já tivemos ocasião de dizer - de ajustar o melhor possível às formas, observando atentamente o seu caráter plástico e a sua veracidade anatômica.
Não será demais recordar que durante os anos de aprendizado é mister concretizar o mais possível às formas naturais do modelo, deixando para o futuro as interpretações pessoais da figura humana, e evitando as deformações impróprias num estudante.
Acerca das deformações que certos artistas realizam em suas obras, devemos dizer que tais liberdades são, em geral, produto de grande experiência, e nunca da ignorância, como pretendem os leigos.








E cumpre acrescentar que muitas vezes o artista só se permite ditas liberdades, seja qual for à manifestação de sua arte, depois de haver adquirido o completo domínio da técnica á custa de constante disciplina intelectual.
Não raro o artista se permite deformações em suas obras por especiais razões, próprias das leis da composição. Repetimos, pois: a isso chegaremos na plena madureza dos meios de expressão, sendo absurdo pretender realizar tais coisas antes de haver aprendido a desenhar com propriedade a natureza. Tanto equivaleria a querer colocar as janelas de uma casa sem ter levantado as paredes.
Fica assim, pois, bem esclarecido que primeiro temos de conquistar a técnica pura, para realizar um desenho segundo a ordem lógica de suas formas; o resto virá depois, muito embora o temperamento artístico influa, juntamente com a ação dos anos, na escolha do melhor caminho.












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0035. Apresentação dos Corpos Sólidos e do Nu Segundo os Diferentes Pontos de Vista



APRESENTAÇÃO DOS CORPOS SÓLIDOS E DO NU SEGUNDO OS
DIFERENTES PONTOS DE VISTAS












A apresentação dos corpos sólidos oferece sempre certas dificuldades, sobre tudo ás pessoas que não conhecem os segredos da perspectiva. Observe o leitor que o desenho que estamos estudando nestes últimos títulos nos mostra, na sua parte inferior, um plano direito. Paralelamente a esse grande plano temos outro menor, onde se apóia o pé esquerdo do modelo. Por outro lado, não vemos o plano onde o modelo está sentado, apesar de serem planos paralelos entre si; isto nos demonstra que o horizonte passara o desenhista, neste caso, está á altura do joelho direito, pouco mais ou menos. Para saber a altura exata do horizonte, bastar-nos-ia prolongar as arestas (que aqui estão em perspectiva) dos corpos sólidos. Imagina-se que, se o autor do desenho não houvesse trabalhado colocando a sua vista á altura em que o fez, porém um pouco mais em baixo, o efeito teria sido completamente diferente: neste último caso todas as linhas oblíquas das arestas se dirigiram para baixo, impedindo-nos de ver os planos horizontais, o que nos indicaria que os olhos do observador estariam a uma altura situada abaixo dos ditos planos.
Quando se trata de uma pose sentada, como no caso, presente, convém desenhar antes demais nada o lugar exato do assento. Para isso bastará, neste caso, comparar a proporções que existe entre o lugar que ocupam os prismas na altura total do retângulo e o espaço restante, ou, tendo subdividido o espaço, como neste caso, situá-los nos dois retângulos inferiores.
Se assim não fizermos, lutaremos com o grave inconveniente de não acertar com as proporções. Acresce que, desta maneira, não corremos o risco de assentar mal o modelo, o que, sendo u,m grave erro, produz sempre um efeito desagradável.
Para fazer sentar bem o modelo, no seu devido lugar e posição, bastará traçar os eixos correspondentes á coxa, á perna e ao pé. No momento oportuno encerraremos estas partes do corpo humano em uma caixa, por meio de linhas e retas, tal como procedemos ao desenhar a figura feminina.
Convém lembrar que, para desenhar bem os membros inferiores, com a inclinação de seus eixos com as verticais e horizontais vizinhas, que foram traçadas primeiramente.







Uma vez colocados, aproximadamente, em seus lugares os membros inferiores, trataremos de levantar o tronco, partindo do assento em que se apóiam os glúteos, Observe-se que o tronco está curvado, devido ao apoio que procura o modelo nessa posição de descanso. Isto faz com que o seu eixo seja uma curva acentuada, começando na cintura e indo até a linha dos ombros. Para encontrar a linha exata do torso, lembremos-nos de que é de grande utilidade compará-la com a linha vertical vizinha, que trocamos no começo do desenho.
Uma vez terminada a colocação do tronco, poderemos acrescentar a cabeça e os braços. Procederemos exatamente como fizermos em relação às pernas, isto é, traçando o eixo para a inclinação adequada. Feito isto, cuidaremos de determinar-lhes o volume, comparando sua largura com sua altura.
Quando ás proporções entre as diversas partes do nu pode ser facilmente resolvido se as compararmos com as medidas dos sólidos. Assim por exemplo, o comprimento torso, dos ombros até a cintura, é quase igual ao comprimento do prisma em que está sentado o modelo. Desta mesma medida é a perna direita.
A grossura da coxa direita é igual à largura do prisma citado. A altura da cabeça e o comprimento do pé direito são quase iguais, e não muito maior que a altura do prisma deitado sobre a caixa a qual se apóia o pé esquerdo, e assim sucessivamente, com todas as medidas.
Concluída esta tarefa, dedicaremos ao aperfeiçoamento do desenho, ajustando a forma em seu valor anatômico e plástico, para em seguida cuidar do seu claro-escuro.






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