Somos Arte

Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de março de 2015

Download gratuito de 375 livros de arte do Metropolitan Museum of Art

Download gratuito de 375 livros de arte do Metropolitan Museum of Art - Salvador Dalí, Leonardo da Vinci, Van Gogh, Pablo Picasso, Michelangelo, Rembrandt, Rosa Bonheur, Georgia O’Keeffe, John Singer Sargen, Utagawa Hiroshige e Claude Monet.




Parte do acervo do Metropolitan Museum of Art, de Nova York, está aberto para download gratuito. São 375 livros de arte publicados entre 1964 e 2012 e compreendem todo o período da história da arte.
Trata-se de estudos críticos e biográficos de nomes como Salvador Dalí, Leonardo da Vinci, Van Gogh, Pablo Picasso, Michelangelo, Rembrandt, Rosa Bonheur, Georgia O’Keeffe, John Singer Sargen, Utagawa Hiroshige e Claude Monet. Clique e acesse 


Link para essa postagem


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A obra de arte além da sua aparência - Página 65



Link para essa postagem


sábado, 6 de outubro de 2012

Desenho à Mão Livre - Materiais e Anatomia - Alexandre Jubran

dissertacao_fernandochui


Link para essa postagem


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Gestalt do Objeto (Livro)


"Gestalt do Objeto: Sistema de leitura Visual da Forma" do autor João Gomes Filho.


No livro, o autor identifica e comenta os elementos que estão presentes nas imagens do nosso dia a dia e que influenciam no nosso gostar ou desgostar de um trabalho. O livro é totalmente ilustrado para que o leitor entenda o que é dito, e no final é dado o exemplo de 13 leituras visuais. As dicas dadas são válidas para qualquer uma pessoas porque alguns dos elementos não são aplicados apenas nas artes podem ser aplicados no dia-a-dia já que nós somos cercados por imagens.


Link para essa postagem


Arte Secreta de Michelangelo (Livro)


"Arte Secreta de Michelângelo" Gilson Barreto e Marcelo Oliveira. Este livro faz uma relação entre arte e ciência porque através do estudo sobre a Capela Sistina estes autores descobriram partes do corpo humano nas representações das pinturas. E no Renascimento era muito comum os artistas realizarem a dissecação de corpos humanos para seus estudo e desenho, coisa que era proibida naquele tempo porém tinham que conhecer a anatomia de algum modo não é.


Os livros da autora Fayga Ostrower também são muito interessantes porque esta autora foi uma respeitada artista assim como uma professora que defendia a arte para todos e em um de seus livros ela vai contar essa experiência de levar a arte a um grupo de trabalhadores. Seus livros tratam sobre a criação artística e os elementos básicos da arte. Seus Livros são: "Acasos e Criações Artísticas", "Criatividade e Processos de Criação" "Sensibilidade do Intelecto", "Universo da Arte".



Link para essa postagem


quinta-feira, 24 de maio de 2012

A História da Arte" do autor E.H. Gombrich

"A História da Arte" do autor E.H. Gombrich é um livro bem rico em informações que vão da Pré-História a Arte Moderna Mundial porém pouco fala sobre o Brasil, assim como, o livro
"História Moderna" do autor Giulio Carlo Argan que dá mais ênfase a arte Moderna e Contemporânea Mundial Internacional. Toda escola de arte adota um destes dois livros. Argan possui mais livros apesar deste ser o mais famoso.



"História da Pintura Moderna" do autor Hebert Read também é muito usado e possui uma leitura relativamente fácil outro livro do autor é "Escultura Moderna: História Concisa".
"Caminhos da Escultura Moderna" da autora Rosalind Krauss é um livro um pouco pesado em relação a leitura mas é bastante indicado para se conhecer a escultura.
O "Livro da Arte" publicado pela Martins Fontes é um pequeno dicionário ilustrado de artistas internacionais tanto pintores como escultores organizado em ordem alfabética onde você encontra uma obra de cada artista nele presente juntamente com uma pequena descrição desta obra. Em minha opinião é muito interessante embora não seja possível conhecer um artista através de uma obra só porém pode levar o leitor a pesquisar (se ele estiver interesse claro!).
"História da Arte" de Graça Proença é um livro sobre arte Internacional e Brasileira, não é muito grande entretanto consegue tratar do básico da arte desde a pré-história até o contemporâneo. A autora lançou um outro livro mais completo intitulado: Descobrindo a História da Arte. O primeiro livro da autora pode ser complementado por outro livro brasileiro intitulado "Viagem pela Arte Brasileira" de Alberto Beutternmuller que também vai tratar desde a pré-história até a atualidade e com curiosidade: no final de cada período, o autor coloca questões sobre o assunto abordado com exceção do tópico sobre arte contemporânea porque está não possui um padrão de definição. Estes dois livros (Graça Proença e do Alberto) são muito fáceis e gostosos de ler. São válidos até para quem não "entende" de arte.



Link para essa postagem


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Jane McAdam Freud dá adeus a seu pai

27/01/2012 - 19h26

Jane McAdam Freud dá adeus a seu pai


SIMON HATTENSTONE
DO "GUARDIAN"

Jane McAdam Freud olha fixamente para uma escultura de seu pai, Lucian Freud. Vista desde um lado, ele está morto: olhos e boca fechados, sereno. Visto pelo outro lado, está extremamente desperto: olhar intenso, boca concentrada, rosto animado. E, visto desde a frente, ele parece feroz.

Lucian foi modelo da escultura enquanto estava de cama, morrendo. Jane descreve a escultura como um tríptico. É um trabalho belo: brincalhão, comovente, estranho.

Joel Ryan/Associated Press















A artista Jane McAdam Freud encara a escultura de sua autoria

Lucian posou para sua filha pela primeira vez em 1991. Naquela época, ela fazia esculturas dele e ele fazia esculturas dela, e eles passavam o tempo todo pisando sobre ovos um em torno do outro --acabavam de se reaproximar. Desta vez, foi diferente. Jane estava no controle. Ela começou esses trabalhos como uma maneira de fazer a crônica da vida de seu pai.

Eles se converteram em um ato de recordação dele, mas Jane nunca tinha pensado em fazer uma mostra dos trabalhos até que Jon Snow, do canal de televisão Channel 4, os viu e lhe disse que seria egoísmo impedir o público de vê-los. De qualquer maneira, seu pai tinha dito que as obras acabariam sendo expostas. "Ele falou: 'Jane, já vi seu trabalho. É bom, e todo trabalho bom acaba vindo a público.' Ele vivia me fazendo esses elogios indiretos."

A mostra que vai começar no Museu Freud, em Londres (o museu deve seu nome ao tataravô de Jane, Sigmund Freud), consiste em retratos feitos em materiais diversos: desde desenhos íntimos até moedas de cobre gravadas, desde impressões em massinha de modelar até aquele gigantesco tríptico de terracota refletido em um espelho.

Jane pede que eu olhe para a parte de trás de cada um dos pequenos retratos de cobre. "O que você viu?", pergunta. Acabo decifrando a palavra "earth" (terra). "E o que você viu dentro de earth?". Olho fixamente mais um pouco e então grito, triunfal: "art!" (arte). Jane ri, alegre. "Exatamente. Eu quis colocar sobre o quê era a vida de Lucian, qual era o centro de seu mundo."

"COISINHA PEQUENA"

Jane vive em uma casa de aparência modesta na zona noroeste de Londres, com seu marido e dois filhos adultos (do casamento anterior do marido). O interior da casa se abre em algo surpreendentemente espaçoso, com um enorme ateliê nos fundos do jardim. Há algo nela que faz com que gostemos imediatamente dela: Jane é calorosa e falante, divertida e vulnerável, confusa e tolinha --ela daria uma ótima personagem de Mike Leigh.

Como seu pai, também há algo nela que lembra uma ave de rapina: rosto que lembra um bico, olhos atentos de falcão. Sobre sua mesa há uma frase do reformador educacional americano Horace Mann: "Tenha vergonha de morrer antes de ter conquistado alguma vitória para a humanidade". Jane sorri. "Não precisa ser uma vitória grande", pondera. "Basta uma coisinha pequena."

Kirsty Wigglesworth/AP














Lucian Freud retratou o artista Francis Bacon




Desde que Lucian morreu, ela dedica seu trabalho a ele, em grande medida como maneira de explorar o relacionamento que teve com ele. E foi um relacionamento espantoso.

Até Jane ter 8 anos de idade, Lucian, que se sabe ter sido pai de pelo menos 14 filhos, foi uma parte importantíssima de sua vida. Jane é uma dos quatro filhos de Lucian Freud e Katherine McAdam, que se conheceram no Central Saint Martins College of Art.

O início do relacionamento deles foi classicamente freudiano: Katherine tinha vencido um concurso que escolhia a aluna mais bonita da faculdade londrina; Lucian achou que tinha o direito de dançar com ela. Eles nunca se casaram, mas a relação deles foi o que o grande retratista teve que mais se aproximou de um relacionamento tradicional.

Auto-retrato do artista Lucian Freud, obra de 1985 que está exposta na National Portrait Gallery, em Londres

Katherine e os quatro filhos deles tinham uma casa em Paddington, e Lucian vivia nas proximidades. Ele estava sempre por perto; quando não estava, as crianças pensavam que ele estivesse em seu ateliê. Para a pequena Jane, tudo parecia estar ótimo. Seus pais nunca discutiam, ela conta, mas, perto do final do relacionamento deles, ficou evidente que algo não estava indo bem.

"Havia dias em que Mamãe não o deixava entrar em casa. Eu me lembro de meu pai perguntar 'por que sua mãe não me deixa entrar?' Ela estava tentando distanciar-se dele, seguir adiante com sua própria vida."

Reuters

Auto-retrato do artista Lucian Freud, obra de 1985 que está exposta na National Portrait Gallery, em Londres
Katherine, ela própria artista de talento, forjou uma carreira como designer. Um dia, sem qualquer aviso prévio, ela fez as malas e, com as crianças, se mudou para Roehampton, na zona sudoeste de Londres. Jane só voltou a ver seu pai quando tinha 31 anos.

"Vinte e três anos!" exclamo. Ela parece espantada. "Tudo isso?" Conta os anos: 31 menos oito. "Sim, foram 23 anos." Sua mãe tirou o "Freud" do sobrenome familiar e recomendou a seus filhos reconstruírem suas vidas. "Quando nos mudamos, eu gritei e esperneei. Fiquei absolutamente arrasada porque me estavam levando embora." Mas pouco a pouco ela foi descobrindo como seu pai tinha sido e a razão de sua mãe ter tomado uma medida tão drástica.

"Me recordo de ter conversado com minha mãe sobre isso, sobre essas coisas complicadas, e ela deixava tudo muito claro. Ela dizia 'ele é muito intenso, Jane'. Dizia: 'Eu não poderia viver com ele em tempo integral, porque não me sobraria energia. Ele é intenso demais'."

E havia os casos extraconjugais de Lucian. Para a mãe de Jane, o relacionamento era monogâmico e puro; para Lucian, era tudo menos isso. "Minha mãe simplesmente não suportou mais. Talvez tenham sido as traições, as outras mulheres, os outros filhos."

NEGAÇÃO

Durante muitos anos ela foi conhecida como Jane McAdam. É simples, ela diz: ela estava em negação em relação à sua parte Freud. Como Jane McAdam, ela descobriu a arte, estudou no St. Martins, depois no Royal College of Art, obteve um mestrado e bolsas de estudo em todo o mundo. Jane, que hoje tem 53 anos, soube que queria ser artista plástica quando tinha 3 anos de idade, quando primeiro brincou com água num tanque de areia e descobriu a escultura. Não que ela soubesse que tinha esse nome.

Para sua mãe, o sobrenome Freud era uma pedra no pescoço: não tanto Lucian, que ainda era um pintor que passava por dificuldades quando eles se separaram, mas Sigmund. Katherine queria que seus filhos vivessem suas vidas em seus próprios termos. À medida que Jane foi tendo sucesso profissional, ela se convenceu de que não precisava de mais nada. "Eu estava ocupada fazendo meu trabalho e tendo sucesso por mim mesma. Não precisava de nada além disso. Eu estava totalmente motivada e apaixonada pela arte."

Então ela não pensou em seu pai ao longo daqueles anos todos? Jane me dá um daqueles olhares freudianos intensos. "Bem, eu lia sobre ele na imprensa, cada vez mais. Eu estava em estado de confusão." Por quê? "Bem, aquele era meu pai, e ninguém sabia. Imagine viver assim: era uma tortura."

Por que ela queria que as pessoas soubessem? "Eu não queria, mas queria que fosse eu. Queria sentir mais a fundo quem eu era. Eu quis reatar meu relacionamento com ele." O que ela sentia? "Anseios difusos", ela responde. Ela tecia fantasias sobre o reencontro; sentia-se incompleta, desonesta, confusa.

Lucian não fez nenhuma tentativa de entrar em contato com seus quatro filhos por meio de Katherine. E os filhos tampouco tentaram entrar em contato com ele; Jane diz que morria de medo de ser rejeitada.

MACULADA

Em 1991 Jane recebeu o título de cidadã honorária de Londres, em reconhecimento por seu trabalho. Para receber o prêmio ela precisou apresentar sua certidão de nascimento, na qual constavam não apenas seu nome completo, mas também o nome e ocupação de seu pai. "Falaram: 'Descobrimos você!'."

A atenção da mídia que isso suscitou mostrou ter seus prós e contras. Fato estranho, Jane começou a ter mais dificuldade em conseguir mostras e pedidos de trabalhos; pessoas que antes adoravam seu trabalho começaram a duvidar dela, pensando que ela fosse de alguma maneira maculada por seu pai ou dependente dele. Sob outro aspecto, contudo, a atenção foi bem-vinda: Jane abraçou sua nova identidade --e redescobriu seu pai.

Eles marcaram um encontro para jantar. Jane estava apavorada, não conseguiu comer. Lucian simplesmente olhava fixamente para ela. Ela o amava, o respeitava tremendamente, mas entendeu imediatamente o que sua mãe quis dizer quando falou da intensidade dele.

"A intensidade é uma coisa fantástica, emocionante, mas você acaba ficando exausta." De que maneira Lucian era exaustivo --falava muito, era exigente? Não, diz ela --eram os olhos dele, seu olhar. "Aquilo afogava cada centímetro de mim. Eu ficava dominada por aquele olhar e me perdia naquele olhar, que mudava constantemente. Devido aos longos silêncios entre as palavras dele, você sentia que estava esperando. Esperando." Quando foi que ela primeiro tomou consciência desse olhar? "Sempre! Afinal, meus namorados sempre foram reencarnações disso."

Após aquele primeiro encontro, Jane pediu a Lucian que posasse para ela, e isso levou a um ano durante o qual um esculpiu o outro. Ela sentia raiva por ele a ter abandonado? "Não. Sou uma sonhadora, um pouco. E otimista. Philip Pullman disse que temos a responsabilidade moral de sermos positivos em mais que 50%, e acho isso verdade." Ela sabe como Lucian se sentia sobre a ausência? "Ele falou apenas que não tinha vida familiar." Ela sorri. Nós dois estamos pensando nos 14 filhos. "É um enigma, não?"

Jane diz que o engraçado é que ela acha que Lucian teria adorado fixar-se com uma só mulher. "Acho que ele era muito vulnerável." De que maneira? "Ele não gostava de se despedir. É difícil quando você está com uma pessoa e ela realmente não quer que você vá embora. Eu sentia isso muito, especialmente mais perto do final. É por isso que você se sentia tão importante quando estava com ele. Acho que as pessoas o amavam porque ele genuinamente precisava das pessoas." Ela se interrompe. "Mas você muda, não é? Um instante você precisa das pessoas, e no instante seguinte, não."

ABRAÇAR A REALIDADE

Justin Tallis/France Presse
Mulher observa medalha de bronze com rosto de Lucian Freud
Estamos olhando para o tríptico enquanto conversamos. "Há um quê quase reptiliano", diz ela. "É como uma naja. Alguma coisa que solta sua pele. Não dá para defini-lo." Jane diz que o que gosta na escultura é que um olho está aberto e o outro está fechado, como Lucian ficava quando estava pintando.

O fato de ter retomado o contato com ele mudou praticamente tudo na vida de Jane; no mínimo, ela se descobriu com dez meios-irmãos. O reencontro teve um efeito dramático sobre os irmãos de Jane: os três mudaram de rumo profissional, anunciando que agora seriam artistas. Jane tem orgulho do que eles fizeram, mas acredita que ela é a melhor entre eles. "São necessárias milhares de horas para entender quem você é, o que está fazendo e de que trata seu trabalho."

Jane comenta que eram estranhas as coisas que ela e seu pai tinham em comum: o olhar fixo, o modo como cerravam os punhos, especialmente quando caminhavam. E como artistas? Ela reflete sobre a pergunta e se recorda de que, quando perguntavam a Lucian que relação seus retratos guardavam com seus temas, dizia: "São eles". Jane compartilha esse desejo de abraçar a realidade.

Em 2001 ela recebeu uma encomenda: criar um retrato na forma de uma medalha. "Perguntei: 'Posso fazer de você?' Ele disse: 'Vão pensar que sou vaidoso. Seria melhor fazer isso mais tarde, quando fizer sentido, como homenagem a um morto'. Eu pensei: "O importante aqui não é você, sou eu, somos nós e o fato de estarmos formando um vínculo'." Mas em 2011, quando Lucian estava morrendo, ele finalmente concordou. Enquanto os dois estavam sentados, eles falavam sobre suas vidas passadas e presentes, juntos e separados.

Jane tira sua caixa de tesouros e me mostra o conteúdo dela: um recorte de jornal de sua mãe quando era estudante (ela se entristece porque nunca se deu conta de quão especial era sua mãe); de seus avós (o filho de Sigmund e sua mulher); cartas de seu pai, em sua letra incrivelmente infantil. Ela guarda tudo outra vez, com carinho e falta de jeito. Então fala que quer me mostrar algo particularmente especial: fotos de Lucian feitas apenas dias antes de sua morte, emaciado, barbado, com aparência de Cristo, não muito diferente da máscara mortuária de Turner.

Faltavam apenas meses para sua morte, em julho passado, quando Jane começou a trabalhar, reproduzindo imagens de seu pai em inúmeros formatos. Ela fica feliz por ter convertido tudo isso numa mostra, mas insiste que isso nunca fez parte do plano.

"Eu não pensava em expor, não em um milhão de anos. Era um trabalho particular, parte do processo de luto." Sim, ela sente orgulho do conjunto, mas sabe que foi um mecanismo para enfrentar sua dor; quando Lucian morreu, ela se sentiu como se uma grande árvore tivesse sido derrubada. "Fiz o trabalho para ajudar a mim mesma", diz Jane.

Tradução de CLARA ALLAIN


Fonte; Folha de São Paulo


Link para essa postagem


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Novo livro quer alavancar Tarsila do Amaral ao cenário global

12/12/2011 - 08h47
Novo livro quer alavancar Tarsila do Amaral ao cenário global

SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

Ela era a "cabrita selvagem", que corria entre cactos e pedras na fazenda dos pais no interior paulista. Depois, sofreu uma "metamorfose" e passou a "brilhar nos salões parisienses". Vestida pelos melhores costureiros, causava "frisson" nas rodas da "fina flor da intelectualidade".

É uma Tarsila do Amaral ambiciosa, forte e sedutora que emerge das páginas de sua nova biografia, livro lançado na semana passada que narra os chamados melhores anos de sua vida --a década de 1920, em que viveu entre uma São Paulo que se modernizava e uma Paris tomada pelas vanguardas estéticas.

Filha de fazendeiros abastados, nascida no fim do século 19 e morta em 1973, a artista que virou ícone do modernismo brasileiro, com telas como "Abaporu" e "Antropofagia", já foi alvo de amplos estudos, mas é a primeira vez que uma obra centra esforços em destrinchar a "aura" de Tarsila do Amaral.

Divulgação
Autorretrato de Tarsila do Amaral em 1923

Esse culto à personalidade começa já na capa do volume escrito pela historiadora Maria Alice Milliet. No lugar de um quadro icônico, está lá a fotografia do rosto da artista.

"Ela usava esse coque, o cabelo muito esticado, preso atrás, com grandes brincos. A sobrancelha é muito delineada, afinada, e a boca é quase um coração", descreve Milliet. "Essa é a estética das mulheres famosas da época, ela cria um figurino."

E o figurino se estende aos autorretratos que ela fez. Seguindo conselhos do poeta Blaise Cendrars, amigo que levou a artista ao seio da sociedade intelectual de Paris, Tarsila construiu uma imagem perfeita para atrelar à sua obra e se firmar no meio.

"É uma coisa moderna essa ideia de ter uma imagem acoplada ao que você faz, seus autorretratos eram rótulos, ícones, quase cartazes", afirma Milliet. "Ela usou isso como veículo de uma grife."

Numa dessas telas, aliás, Tarsila se retrata com um vestido vermelho desenhado por Jean Patou, o queridinho das expatriadas em Paris --ela usou a peça num jantar em homenagem a Santos Dumont.

CENA INTERNACIONAL

Tarsila já nos primeiros anos de carreira tinha plena consciência do estrondo que sua obra viria a causar e usava isso a seu favor. Sabia também vender a grife que encarnava, chamando amigos como Picasso, Léger e Brancusi para feijoadas e caipirinhas em seu endereço parisiense.

No novo livro, essas relações têm peso estratégico, já que a missão declarada da obra é alavancar Tarsila para o plano internacional em tempos de explosão da arte brasileira no exterior.

Milliet, que escreveu o livro por encomenda de herdeiros da artista, compara Tarsila à diva inconteste da arte mexicana Frida Kahlo e gasta fartas páginas estreitando os laços dela com colegas europeus, do naïf Henri Rousseau ao cubista Fernand Léger e cartazistas soviéticos.

"Está na hora de fazer um aprofundamento das relações internacionais de Tarsila", diz Milliet, que pretende traduzir o livro para o inglês. "Ela tem gabarito para estar na cena internacional. A Frida Kahlo só tem o nome que tem por causa de um esquema de marketing brutal."

Nessa mesma pegada, herdeiros de Tarsila também querem aproveitar a Copa e a Olimpíada que estão por vir no Brasil para organizar mostras da artista para o público internacional, que deve abarrotar museus do país.

TARSILA
AUTORA Maria Alice Milliet
EDITORA M10
QUANTO R$ 300 (276 págs.)


Link para essa postagem


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Primeiro livro de historia da arte sai no Brasil

29/10/2011 - 07h34

Primeiro livro de historia da arte sai no Brasil


FABIO CYPRIANO
CRÍTICO DA FOLHA
"O contorno das pernas é belíssimo, enquanto os flancos esbeltos têm inserções divinas; nem se viu jamais pose tão suave e graciosa que se lhe equipare."
A descrição um tanto apaixonada não faz parte de um romance: é como Giorgio Vasari (1511-1574) apresenta o famoso Davi, de Michelangelo, esculpido entre 1501 e 1504.
Seu livro "Vidas dos Artistas", publicado em 1550, lançado, agora, na íntegra, pela primeira vez no Brasil, e mesmo em língua portuguesa, foi o primeiro grande compêndio sobre os artistas do Renascimento, num misto de relato biográfico e considerações pessoais.
Muito do que se sabe sobre Leonardo da Vinci (1452-1519) e sobre o próprio Michelangelo (1475-1564), de quem Vasari era amigo, é conhecido por conta de sua narrativa preciosista e empolgada.
Max Rossi - 8.set.2004/Reuters
Visitantes da Accademia, em Florença (Itália), observam a estátua de David, obra-prima de Michelangelo (1475-1564)
Visitantes da Accademia, em Florença (Itália), observam a estátua de David, obra-prima de Michelangelo (1475-1564)
A primeira parte do livro aborda as diferentes técnicas de produção da arquitetura, escultura e pintura da época e a vida de mais de cem artistas, divididos em três fases.
Na primeira fase dos relatos biográficos, que tem início com Giovanni Cimabue, Vasari fala de artistas que começaram a imitar os antigos.
Na segunda, o autor trata dos que inventaram o uso da perspectiva, como Botticelli e Andrea Mantegna.
Finalmente, na terceira fase, ele aborda de Da Vinci até Michelangelo, porque depois dele, deixa claro, nada restava a um imitador fazer.
A narrativa, recheada de adjetivos, nem de longe coloca dúvidas sobre a pesquisa minuciosa para a publicação de 500 anos. Sobre "A Última Ceia", de Da Vinci, o afresco na parede de um convento em Milão, apontada como uma das obras seminais do Renascimento, o autor chega a relatar detalhes de bastidor:
"A nobreza da pintura [...] provocou no rei da França o desejo de levá-la ao reino, coisa que ele tentou por todos os meios, pensando em recorrer a arquitetos que com vigas de madeira e ferros a sustentassem de tal maneira que ela pudesse ser levada incólume".
O esforço, conclui, foi em vão.
Vasari foi também pintor e arquiteto, mas o que de fato o fez fundamental foi ter iniciado uma narrativa tão bem articulada a ponto de ser tido como pai da história da arte.

VIDAS DOS ARTISTAS
Autora Giogio Vasari
Editora WMF MartinsFontes
Tradução Ivone Castilho Bennedetti
Quanto R$ 125 (856 págs.)
Avaliação ótimo


Link para essa postagem


sábado, 23 de abril de 2011

Impressione a turma sabendo antes o que o professor vai dizer na aula

20/04/2011 - 17h00
Impressione a turma sabendo antes o que o professor vai dizer na aula
da Livraria da Folha


Não durma no ponto. Faça bem seu dever de casa, busque informações exclusivas, impressione nas lições

Dominar um conhecimento é a melhor arma para fugir das panelinhas violentas de uma escola. Às vezes, alguns estudantes esquecem que o objetivo de sua presença no colégio é se preparar o melhor possível para a guerra do primeiro emprego, o crescimento intelectual, tornando-se um adulto consciente de seus talentos e responsabilidades. Brigas, picuinhas, fofocas e outras algazarras só servem para atrasar seu caminho rumo à independência e ao sucesso. O melhor a fazer é se esforçar para ser fera no aprendizado, destacar-se por sua sabedoria, em meio à gente sem noção que se entrega aos seus instintos animalescos.


Siga a Livraria da Folha no Twitter



 Planejar seu desempenho na aula, por exemplo, é uma tarefa básica no treinamento de suas habilidades de comunicação. Antes de conseguir seu emprego, você já vai exercitando como captar ideias, expressar opiniões, impressionar a plateia. Comece isso com seus professores, que costumam valorizar mais quem mostra iniciativa, incentiva o debate e tem na ponta da língua o conteúdo das disciplinas. Nessa luta para conseguir boas notas, surgem inimigos: a preguiça, a baixo autoestima, o interesse por outras coisas, como lazer e namoros, ou as distrações com amigos vampirescos, que só sugam seu tempo e energia.
A leitura de obras de referência pode ser sua aliada no seu trabalho de conseguir conhecimentos exclusivos, mais aprofundados, ou em resumos que servem de bússola para uma rápida navegação sobre as linhas gerais de um assunto. Em outras palavras: tenha sempre uma carta na manga na hora em que faltar tempo para preparar sua participação nas aulas.

Divulgação

 A Livraria da Folha testou obras capazes de facilitar seus estudos. São textos em linguagem fácil, direta, que explicam rapidinho o que os professores costumam apresentar nas aulas. Mas é importante lembrar: não basta decorar resumos de livros. Uma aprendizagem eficiente só é alcançada com discussões críticas sobre o conteúdo até que você forme seu próprio ponto de vista.
"Cultura Geral: Tudo o que se Deve Saber"

Em quase 500 páginas, traz resumo das principais questões da história, da literatura, da arte, da música, da filosofia e da ciência. Os últimos capítulos indicam seleção de "livros que mudaram o mundo", com curtos comentários sobre as obras. Indicado para quem não entendeu o que seu professor disse sobre a evolução da sociedade ao longo da história e as ideias mais importantes abordadas nos livros escolares.

Divulgação
Cada página do livro "Ideias que Mudaram o Mundo" é ilustrada
"Ideias que Mudaram o Mundo"

Fotos e ilustrações ajudam a fixar o conteúdo. A diagramação das páginas é moderna e colorida, com explicações sucintas sobre as ideologias mais marcantes. O mérito é organizar bem os temas com várias referências. Aprenda a pronunciar bem os nomes dos pensadores, entenda por que eles chegaram a essas opiniões e arremate explicando como isso resultou no mundo de hoje.

Divulgação

Marilena Chaui analisa a atividade e as diferentes definições de filosofia


"Filosofia"

Para dar um salto na aprendizagem, busque as bases do conhecimento, saber como cada época vê a realidade. Em 2012, a filosofia ganhará mais espaço no currículo. Não tema encarar conteúdos abstratos. Neste livro, saiba o que fizeram os gênios pioneiros em pensar questões como a existência de Deus, a vida após a morte, o amor, a amizade, a moral, entre outros.

"Boas-Vindas à Filosofia (Vol.1)"

Cuidado com livros antigos. Eles podem estar desatualizadas. Nada pior do que tentar bancar o sabichão e pagar de desinformado. É por isso que as editoras lançam edições renovadas, adicionando novos conteúdos. Para não fazer feio nas aulas de filosofia, o que há de novo é a coleção Filosofias: o Prazer do Pensar, coordenada pela prestigiada filósofa brasileira Marilena Chaui.

Divulgação

Edição especial reúne livro e DVD que narram a história do Brasil
                                                                                                                                     "Brasil: É Muita História"
Não fique só nos livros. Pegue filmes, documentários e outros recursos audiovisuais, mão na roda para lembrar do que você aprende. A história do Brasil, por exemplo. Este box traz o livro mais atualizado (até o governo Lula) e um DVD em que o escritor Eduardo Bueno conta com a participação do apresentador Pedro Bial. Com muito bom humor, os dois revelam os bastidores dos principais fatos ocorridos no Brasil.




"Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil"

Quer polemizar na aula com perguntas incômodas sobre história? Esta obra é uma coletânea de pesquisas históricas desagradáveis, temas espinhosos e vexames de personalidades consideradas heróis nacionais.


Link para essa postagem


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A Arte Como Ofício

“Os filósofos se interessavam principalmente por discutir as artes em relação à sua função educativa e ao seu impacto social. Julgavam pelos resultados. Mostrava-se uma obra de arte eficaz para a sua finalidade e era boa essa finalidade? Onde os critérios técnicos e morais entravam em conflito, os últimos tinham precedência - como aconteceu, por exemplo, quando Platão propôs que se expurgasse Homero, não porque certos trechos não fossem poéticos, senão porque, no seu entender, os trechos mais poéticos eram os mais vigorosos e, portanto, mais perigosa era a sua influência (República, L.III, 387b). A distinção entre as qualidades estéticas e o efeito total de uma obra de arte não acudia de pronto à mente grega, se é que chagava a acudir.”

“As obras de arte são consideradas artefatos fabricados com um propósito. Reputam-se bem sucedidas de acordo com a sua eficácia para o propósito que levam e com a estimação desse propósito. Essa atitude tende a obscurecer os critérios estéticos e substituí-los pela eficiência técnica de um lado e, de outro, pela apreciação moral ou social dos efeitos. Opõe-se à crença moderna nos padrões estéticos independentes ou ‘autônomos’, pelos quais se devem avaliar as obras de arte”.

“Sustentou-se, por esse motivos, que os gregos não tinham uma palavra para significar ‘arte’ ou ‘artista’ em nosso sentido o que lhes faltava o conceito dela. Antes da era da produção pela máquina, manufatura era sinônimo de indústria de oficina. Considerava-se o artista um manufator entre os demais, num tempo em que se conferia alto prêmio à habilidade do trabalhador. Este era comumente designado pelo nome de oficial (technites) ou artíficie (demiourgos). Assim, Platão se refere ao escultor Fídias como a um ‘artifice’ no pináculo da sua profissão e, portanto, autoridade no que é correto e apropriado na feitura de uma escultura dos deuses (Hippias Majos, 290b). Não se reconhecia diferença alguma de categoria, como a que hoje em dia se supõe, entre o artista criador e o artífice habilidoso nas técnicas do seu ofício. A idéia da criatividade (no sentido moderno, romântico) em conexão com as artes inexistia na filosofia grega. Igualmente estranha à mentalidade grega era a idéia da arte como ‘expressão’ da personalidade do artista”.

“Por essa razão, a teoria geral da arte na filosofia grega subordinava-se à sua teoria da manufatura, que foi denominada ‘uma das maiores e mais sólidas consecuções do espírito da técnica. O artífice competente precisa necessariamente conhecer o ‘bem’ do seu ofício particular. Incumbia ao estadista-filósofo - o ‘artista’ supremo - avaliar os diversos ‘bens’ dos ofícios particulares de acordo com a sua utilidade numa sociedade planificada. A noção da arte ‘régia’ do estadista foi desenvolvida em sua República em seu Politicus: o adestramento de um corpo de bons cidadãos, cada qual desempenhando cabal e peritamente uma função útil numa sociedade planificada. Platão encontrou dificuldade para encaixar nesse plano os artífices que hoje chamaríamos ‘artistas’, não só porque eles não se coadunavam facilmente com a sua idéia da especialização, mas também porque o valor social das ‘finalidade’ dos seus ofícios particulares não estava muito claro para ele. Um sapateiro é perito do fabrico de sapatos de verdade, o carpinteiro na produção de mesas e cadeiras. O pintor, contudo, produz imitações ou cópias irreais de sapatos, cadeiras, mesas e de todas as coisas visíveis, sem ser perito em coisa alguma. Se presumirmos que o valor de qualquer manufatura é a sua utilidade, nesse caso a utilidade de um sapato pintado é inferior à de uma sapato real. Assim também o poeta descreve qualquer coisa, tudo, sem ter, todavia, conhecimento técnico de nada. Foi principalmente por esse motivo que Platão na instrução aos manuais técnicos e científicos”.

“Numa ocasião em que as suas artes mecânicas haviam atingido um nível elevadíssimo de beleza formal e gosto, é evidente que os gregos mal tinham chegado ao mais remoto indício da apreciação estética como valor ou ‘bem’ distinto, que merecesse ser cultivado por si mesmo. No caso das belas-artes, como diz o Professor W. D. Ross em seu livro Aristotle (1923, p.217):Pode-se presumir que o seu uso seja a contemplação estética, mas não existe nenhuma prova manifesta de que Aristóteles julgasse ser esse um fim em si mesmo. Essa curteza de vistas é estranhamente ilustrada em várias discussões da ‘beleza’ dos artefatos. No Hippias major, o pomposo polímato Hípias é levado, com dificuldade, a admitir que se a ‘adequação ao propósito’ é o critério da excelência..."

Trechos extráidos do livro: “Estética e Teoria da Arte”
Autor: Harold Osborne
Editora: Cultrix
Páginas 32,33, 34 e 35.


Link para essa postagem


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A perda da aura, a reprodutibilidade técnica e a Capela

A Capela Sistina ao alcance do seu mouse (clique na imagem)



ARTES PLÁSTICAS

O código Michelangelo

Médico anuncia ter decifrado um segredo de 500 anos: a Capela Sistina abriga aula de anatomia do pintor renascentista

LUÍS ANTÔNIO GIRON

» Biografia de Michelangelo
» Galeria de fotos: Os trabalhos arquitetônicos de Michelangelo
» Galeria de fotos: Esculturas de Michelangelo
» Galeria de fotos: As pinturas de Michelangelo
» Galeria de fotos da Capela Sistina


Fotos: Divulgação


DEUS E O CÉREBRO
A semelhança entre o corte do crânio e a cena da Criação do Mundo já tinha sido estudada, mas não a linguagem do olhar dos anjos
Em 1989, o estudante de Medicina paulista Gilson Barreto visitou a Capela Sistina no Vaticano. Como qualquer turista, o mochileiro de 26 anos queria conhecer os afrescos pintados entre 1508 e 1512 no teto do templo por Michelangelo Buonarrotti (1475-1564), considerados uma das obras-primas da humanidade, então passando por restauração. Passeando os olhos pelo teto magnífico, repleto de querubins, profetas e sibilas, Gilson ficou paralisado diante do sexto painel do vão central, O Pecado Original. 'A pintura mostrava uma artéria aorta disfarçada de tronco seco atrás de Eva', conta. Em seguida, visualizou a estrutura de uma escápula (osso do ombro) escondida sob as vestimentas de um dos antepassados de Jesus, numa área lateral.

Otávio Dias de Oliveira/ÉPOCA

DUPLA
Marcelo e Gilson

Gilson não se preocupou com o assunto. De volta a Campinas, estudou mais anatomia. Ao dissecar um cadáver e deparar com um corte de arco aórtico idêntico ao que vira na Sistina - inclusive com as artérias coronárias esquerda e direita -, imaginou que Michelangelo houvesse usado a peça anatômica como evocação figurativa. Afinal, os renascentistas eram fascinados pela anatomia humana e brincavam com as formas. Gilson concluiu a especialização em cirurgia de cabeça e pescoço. Nesse ínterim, colecionou livros sobre Michelangelo. Em 1990, leu um artigo sobre a descoberta do médico americano Frank Meshberger. Ele demonstrava que, na cena central da Sistina, a famosa A Criação de Adão, o manto de Deus representava um corte sagital do crânio e o cérebro nele contido. No hospital em que trabalha, em Campinas, Gilson passou a usar o afresco para ilustrar suas aulas de cirurgia. Em 2001, o médico leu outro artigo, do nefrologista americano Garabed Eknoyan, o qual demonstrava que Michelangelo pintara um fígado no manto de Deus no painel A Criação de Eva.


    

VESTE DO CRIADOR
No afresco A Criação de Eva, ocultam-se um segmento da árvore brônquica (no detalhe) e a peça anatômica do pulmão esquerdo, fielmente reproduzida no manto


'Um atlas quase completo do corpo humano caiu no nosso colo: ossos, laringe...'
MARCELO DE OLIVEIRA, co-autor

As sinapses se cruzaram no início do ano passado, quando o médico, agora respeitado oncologista, procurava o slide do afresco na confusão de uma mudança de casa. Foi então que se fez a pergunta que iria desencadear sua descoberta: 'Michelangelo não teria desenhado outras peças anatômicas nos demais afrescos?'. Passou a noite em claro, meditando sobre uma montanha feita de tratados de arte e anatomia. Com o bisturi da curiosidade, dissecou cada um dos 36 painéis. Topou com um tímpano nos joelhos de Jeremias, e assim por diante. Na manhã seguinte, ainda sem fôlego, chamou seu vizinho, Marcelo de Oliveira, livre-docente em Química da Unicamp, para ajudá-lo. Na mesa de café, os dois passaram o dia vasculhando o material. 'Um atlas quase completo do corpo humano caiu no nosso colo: ossos, laringe, pulmão, cérebro, cerebelo, músculos, tendões, sistema arterial e até um corte de pênis', lembra Marcelo. A dupla passou a associar as peças anatômicas de 32 painéis com as figuras que estavam em torno.

 

AUTO-RETRATO

No afresco O Juízo Final, Michelangelo (acima à dir.) inspirou-se em uma gravura anatômica para pintar a si próprio, só que se imaginando inteiramente desossado



CAPELA SISTINA

Erguida em homenagem ao papa Sisto V, ela recebeu trabalhos de diversos artistas; entre 1502 e 1508, Michelangelo se ocupou do teto e do altar, com a cena do Juízo Final

Chegaram à constatação mais espantosa: os personagens centrais expõem as partes do corpo camufladas pelo artista (em geral, dobras de tecido); os personagens, centrais ou não, dirigem o olhar para a parte do corpo que é cifrada na cena; as mãos apontam para a peça anatômica oculta; a luz é maior sobre a parte em questão. Tais detalhes dão uma resposta ao mistério dos 'ignudi', os jovens nus dispostos como molduras em torno dos painéis, sobre cuja função os historiadores de Arte não haviam chegado a um consenso. Pois os 'ignudi' cumprem o papel de 'comentadores' da cena. Estava decifrado o que Gilson e Marcelo denominaram 'o código de Michelangelo'. A dupla não perdeu tempo e, para marcar terreno, produziu em poucos meses A Arte Secreta de Michelangelo - Uma Lição de Anatomia na Capela Sistina.

É coincidência a luxuosa edição do livro - em capa dura - chegar nesta semana às livrarias, na ocasião em que o romance O Código Da Vinci, de Dan Brown, atinge o posto de livro mais vendido no país. Nem Gilson se parece com o herói do suspense, o simbologista Robert Langdon, nem Marcelo é um criptógrafo coadjuvante. E não há um crime a ser desvendado. A dupla, porém, vive sob um estado de perplexidade: 'Como é que tudo estava lá há 500 anos e ninguém percebeu?', pergunta Gilson. 'É curioso que a faceta de anatomista não tenha sido muito tratada pelos historiadores', pensa Marcelo. 'Preferem crer que Michelangelo era maneirista e se importava pouco com as formas naturais.' Os pesquisadores varreram bancos de dados mundiais para ver se haviam redescoberto a roda, mas acharam só os artigos de Meshberger e Eknoyan - que não chegaram ao código que organizava o conjunto das peças anatômicas. Enviaram uma cópia digital das pranchas para Eknoyan. 'É a melhor notícia que recebo em anos!', respondeu o nefrologista.


 

O afresco O Juízo Final (acima à dir.) e gravura anatômica

'Nada permite supor que o artista estivesse imbuído de qualquer conotação extra-artística...'

LUIZ MARQUES, especialista em Renascença

A dupla de detetives da anatomia não parou aí. Constatou que Michelangelo se baseou provavelmente num desenho de Realdo Colombo para fazer o conhecido auto-retrato desossado no Juízo Final e aplicou o código nas esculturas Moisés e Pietà. Eles aguardam que um teórico explique o que levou o artista a produzir esse teatro de sombras anatômicas em pleno sanctum sanctorum da Igreja Católica. Luiz Marques, especialista em arte renascentista italiana, se diz cético em relação ao achado, embora ainda não tenha visto o livro. 'Nada permite supor que o artista estivesse imbuído de qualquer conotação extra-artística ou de qualquer esoterismo.' Marques afirma que o 'fascínio pelo tema da mensagem cifrada na obra de arte' revela incompreensão dos enigmas da interpretação de uma obra de arte. Para a professora Tereza Aline de Queiroz, da Universidade de São Paulo, o trabalho altera a visão consagrada sobre Michelangelo. 'Os gestos vistos como maneiristas ganharam nova significação. O pintor parece agora mais renascentista.' Ela se pergunta se a aula de anatomia que teria sido sugerida pelo artista não seria uma velada crítica à Igreja, que ocultava os nus com pinturas de panos.

Outros pensadores e artistas vislumbraram miragens simbólicas nas dobras das vestes de pinturas renascentistas. Sigmund Freud enxergou nas roupas da Virgem de Santa Ana de Da Vinci um indício da homossexualidade do pintor. E há os que usam do recurso para ficção, como Dan Brown. No caso da dupla de cientistas de Campinas, as evidências anatômicas parecem mais conclusivas. 'A comunidade científica e artística internacional deve se pronunciar', espera Gilson. Ele e o parceiro sonham que sua descoberta resulte em consagração. Os céticos podem até duvidar da teoria, mas todos vão concordar em pelo menos um ponto: é uma incrível coincidência.

Título

A Arte Secreta de Michelangelo

Autores
Gilson Barreto e Marcelo de Oliveira

Editora
Arx

Preço e páginas
R$ 65/224


Fonte: Revista Época
Parte 1
Parte 2


"A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam."
(Auguste Rodin)


Link para essa postagem


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Jorge Coli analisa pintura do século 19

31/10/2010 - 08h00
Jorge Coli analisa pintura do século 19
DE SÃO PAULO

Concentrando-se na obra de Delacroix, Manet, Courbet e Monet, o crítico e professor de história da arte e da cultura na Unicamp Jorge Coli discute, no seu novo livro --"O Corpo da Liberdade - Reflexões Sobre a Pintura do Século 19" (Cosac Naify, 368 págs., R$ 72)--, as relações entre pintura e política na França oitocentista. Ele também faz uma crítica da recente tendência de absorção de manifestações "antropológicas" pelo "campo cultural complexo".



Link para essa postagem


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sete Dias no Mundo da Arte, livro


SETE DIAS NO MUNDO DA ARTE

Com base em centenas de horas de “observação participativa” e mais de 250 entrevistas com artistas, marchands, curadores, críticos, colecionadores e leiloeiros, Sete dias no mundo da arte exploram momentos ícones do mundo artístico contemporâneo. Este livro é um verdadeiro mergulho na elite da arte contemporânea internacional e uma prazerosa jornada por um ambiente que movimenta egos, sentidos e milhões de dólares.


AUTOR Sarah Thornton
TRADUÇÃO Alexandre Martins
EDITORA Agir
QUANTO preço ainda não definido (264 págs.)



Link para essa postagem


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Desenhando com o lado direito do cérebro, livro

Desenhando com o lado direito do cérebro
Betty Edwards
Título original: Drawing on the Right Side of the Brain
Editora Ediouro ISBN 8500007486

Aplicando ao ensino do desenho recentes descobertas sobre o cérebro humano, a Dra. Betty Edwards apresenta neste livro um método infalível que permite a qualquer pessoa aprender a desenhar.

Exercícios básicos destinados a liberar o potencial criativo e a utilizar aptidões especiais do hemisfério cerebral direito proporcionam resultados surpreendentes em pouco tempo, mesmo para aqueles que jamais julgaram ter talento para o desenho.



“Vivemos graças ao caráter superficial de nosso intelecto, em uma ilusão perpétua. Para viver necessitamos da arte a cada momento, nossos olhos nos retêm formas, se nós mesmo educarmos gradualmente esse olho, veremos também reinar em nós uma força artística, uma força estética”. Nietzsche


Link para essa postagem


A Necessidade da Arte

Livro: A Necessidade da Arte
Autor: Ernst Fischer

Uma nova edição brasileira, a sexta, é publicada deste excelente livro que concebe a arte como “substituto da vida”, como a forma de colocar o homem em estado de equilíbrio com o meio circundante, idéia que contém o reconhecimento parcial da natureza da arte e da sua necessidade.
No entanto, será a arte apenas um substituto?
Não expressará ela também uma relação mais profunda entre o homem e o mundo?
E, naturalmente, poderá a função da arte ser resumida em uma única fórmula?
Não satisfará ela diversas e variadas necessidades?
E se, observando as origens da arte, chegarmos a conhecer a sua função inicial, não verificaremos também que essa função inicial se modificou e que novas funções passaram a existir?
É preciso advertir que tendemos a considerar natural um fenômeno surpreendente: milhões de pessoas lêem livros, ouvem música, vão ao teatro e ao cinema. Por que? Dizer que procura distração, divertimento, relaxação, é não resolver o problema. Por que motivo distrai, diverte e relaxa o mergulhar nos problemas e na vida dos outros, o identificarem-se com a música, o identificar-se com os tipos de um romance, de uma peça, de um filme? Por que reagimos em face dessas “irrealidades” como se elas fossem a realidade intensificada? E, se alguém nos responde que almejamos, escapar para uma existência mais rica através de uma experiência sem riscos, então uma nova pergunta se apresenta: Por que nossa própria existência não nos basta? Por que esse desejo de completar a nossa vida incompleta através de outras figuras e outras formas? Por que, na penumbra do auditório, fixamos o nosso olhar admirado em um palco iluminado, onde acontece algo que é fictício e que tão completamente absorve a nossa atenção?
Este livro representa uma tentativa para responder as questões como essas, com base na convicção de que a arte tem sido, é e será sempre necessária.
Ernst Fischer, poeta, escritor, filósofo e jornalista, austríaco nascido em 1899 e falecido há alguns anos, foi também Ministro da Educação do governo provisório estabelecido em seu pais logo após a libertação, em 1945.


Link para essa postagem


Funções da Pintura

Livro: Funções da Pintura


FUNÇÕES DA PINTURA REÚNE PELA PRIMEIRA VEZ OS PRINCIPAIS ESCRITOS DE Fernand lèger.

Centrado na criação pictórica, a obra aborda os problemas da forma, da cor e do espaço, trata da abstração, do novo realismo, da figuração.

Postulando uma arte integrada à civilização técnica, ela situa a pintura em relação à arquitetura moderna e assinala a importância do maquinismo e dos espetáculos coletivos como o circo e o cinema

Nos dias de hoje, quando se torna urgente definir uma estética abrangente, FUNÇÕES DA PINTURA se constitui em uma reflexão profunda, e de atualidade indiscutível, sobre a arte de nossa época.


“Vivemos graças ao caráter superficial de nosso intelecto, em uma ilusão perpétua. Para viver necessitamos da arte a cada momento, nossos olhos nos retêm formas, se nós mesmo educarmos gradualmente esse olho, veremos também reinar em nós uma força artística, uma força estética”. Nietzsche


Link para essa postagem


terça-feira, 31 de agosto de 2010

A desintegração romanesca da artista mexicana Frida Kahlo

29/08/2010 - 08h00

ALCINO LEITE NETO
DE SÃO PAULO


"YO SOY LA DESINTEGRACIÓN", escreveu Frida Kahlo em seu diário. Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón passou boa parte de sua vida na cama e em hospitais, entre dores terríveis e intervenções cirúrgicas sucessivas (mais de 20). A série de padecimentos físicos da artista mexicana ao longo de seus 47 anos de vida é inumerável. Eis alguns deles:

1. Nasceu em 1907 com um tipo de malformação congênita da bacia, estreita demais para assegurar no futuro uma gravidez sem problemas;

2. Aos três anos, contraiu poliomielite; a doença deixou sua perna direita e seu pé esquerdo um tanto atrofiados;

3. Com quase 18 anos, foi vítima de um acidente de trânsito, no qual fraturou a coluna vertebral em 3 pontos e a perna esquerda em 11, teve parte do fêmur rompido, quebrou costelas e o osso pélvico, o pé direito foi esmagado e um balaústre de ônibus atravessou seu ventre até a vagina. "Foi assim que perdi minha virgindade", disse;

4. Incapaz de gerar filhos, teve três abortos, um espontâneo e dois realizados cirurgicamente;

5. Em 1953, uma gangrena levou à amputação da perna direita; sufocada por dores de todo tipo, ela as amenizava com morfina, maconha e altas doses de Demerol;

6. Em 1954, contraiu uma forte pneumonia, causa de sua morte em 13 de julho.

Engana-se, entretanto, quem pensa que sua vida seja tão desinteressante quanto um boletim médico e tão piedosa quanto uma telenovela. Ao contrário. É preciso ter nervos e colhões para acompanhar a trajetória desta mulher que foi contemporânea da Revolução Mexicana (1910) e de um dos períodos mais flamejantes da história das Américas; engajou-se na juventude no Partido Comunista; esteve ao lado por mais de 20 anos de um dos titãs da arte moderna, o intranquilo e insaciável Diego Rivera, com quem se casou duas vezes (em 1929 e em 1940); flertou com Trótski e Georgia O'Keefe; conviveu com alguns dos principais artistas de sua época e construiu uma pintura atípica e enigmática, violenta e patética, assim definida por André Breton: "É uma fita em volta de uma bomba".

Se houve uma vida propriamente romanesca na arte do século 20, esta foi a de Frida Kahlo. Sua existência contém todos os elementos para uma narrativa apaixonante: a série de tragédias vivida pelo corpo, sim, mas também a paixão política, a luta contra os "artepuristas" e a arte burguesa, a expectativa de redenção social e espiritual depositada na pintura e principalmente a história de amor obsessiva e atribulada que viveu com Diego Rivera (1886-1957). "Amo Diego mais do que a minha própria pele", escreveu a artista.

É esta história incomum que o escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, 70, Prêmio Nobel de Literatura de 2008, narra em "Diego e Frida" [trad. Vera Lúcia dos Reis, Record, 240 págs., R$ 39,90]. Como diz o título, o livro tem dois personagens, e o autor toma o cuidado de não se desviar demais para um dos polos da história. Mas o leitor há de perceber que são os dramas de Frida Kahlo que mais encantam o autor e conduzem a narrativa.

Le Clézio, que viveu no México e é um amante do país e de suas culturas pré-colombianas, envereda com muita segurança pelos labirintos da história mexicana moderna e da vida do casal de artistas. Sua biografia, porém, é de segunda mão, construída a partir de outros livros, sem um trabalho de pesquisa inédito e pessoal. Personalíssima é a maneira como ele conta essa história, com toda a liberdade que lhe permite a literatura e sem represar, afinal, a exaltação política que compartilha com os personagens.

Nada escapa ao olhar de (grande) romancista de Le Clézio, tanto no plano de conjunto quanto nos detalhes -sejam os hábitos cotidianos, como as roupas de Frida e o ascetismo gastronômico de seu marido, sejam os reveses sentimentais ou os momentos picantes e rocambolescos, como a fuga de Rivera para os EUA, suspeito de um atentado frustrado contra Trótski. Outros personagens fascinantes, como os fotógrafos Edward Weston e Tina Modotti, os escritores André Breton e Paul Éluard, e ainda Nelson Rockfeller e Henry Ford, atravessam a narrativa.

Le Clézio também não se priva de abordar criticamente a obra de ambos -e o livro resulta num verdadeiro elogio da pintura dela e, mais ainda, numa apologia do moralismo dele. Nos capítulos finais, o autor "sobe o tom" político da narrativa, apresentando os dois artistas como emblemas de uma arte humanista e revolucionária.

Há algo de anacrônico em tudo isso, e por vezes a escrita de Le Clézio transborda no puro kitsch -em frases como: "A revolução é como o nascimento do amor. Tudo pode acontecer".

Outras vezes, ele se lambuza de sentimentalismo ou imerge numa espécie de esoterismo político, em que culturas e mitos indígenas abrem portas para a redenção do homem.

Entretanto, por isso mesmo, por se construir no caminho oposto ao de nossa época cética e apática, por seu convite a compreender a arte como uma forma de rebelião social e de extravasamento íntimo radical, por sua indiferença em relação aos percalços pós-modernos da escrita, este livro se torna uma leitura desafiadora e palpitante.

"Diego e Frida" não é a única obra a respeito da artista mexicana que chegou às livrarias brasileiras recentemente. Há também o belo álbum "Frida Kahlo - Suas Fotos" [org. Pablo Ortiz Monasterio, trad. Gênese Andrade e Otacílio Nunes, Cosac Naify, 524 págs., R$ 120], com parte da coleção de aproximadamente 6 mil imagens guardadas pela pintora e que, por impedimentos testamentais, só veio à luz agora, mais de 50 anos após a sua morte.

As cerca de 400 fotos do álbum são o complemento ilustrativo ideal ao livro de Le Clézio. Os personagens da biografia estão todos ali, em retratos que provam o gosto de Frida pela fotografia e o valor que atribuía aos retratos como testemunhos de sua vida.

Tal gosto Frida herdou do pai, Carl Wilhelm Kahlo, alemão que imigrou para o México no final do século 19 e ali se estabeleceu como fotógrafo, adotando o prenome Guillermo. Um capítulo do livro -e um dos seus pontos altos- é dedicado justamente à série de autorretratos do pai, obsessão compartilhada pela filha, que fez de si mesma, de seu rosto e de seu corpo, o tema por excelência dos quadros. "Sua pintura pode ser descrita como um grande autorretrato, um autorretrato total múltiplo, desaforado", escreve o crítico Mauricio Ortiz num dos sete ensaios que fazem parte da obra -nem todos eles relevantes.

Outros capítulos são dedicados à mãe da pintora, à Casa Azul (onde viveu), ao seu "corpo dilacerado", aos seus amores e às imagens políticas que guardou -da Revolução Russa, de Stálin, de Hitler, dos judeus no final da Segunda Guerra etc. A pintora e Rivera conviveram não apenas com grandes nomes das artes plásticas, mas também da fotografia, como Tina Modotti, Edward Weston, Manuel Alvarez Bravo, Gisèle Freund e Nickolas Muray, cujas imagens o casal colecionou ao longo da vida.

Todos esses fotógrafos retrataram Frida, fascinados por sua poderosa fotogenia, em particular Muray, que foi amante da pintora e fez dela um conjunto notável de imagens, num hospital em Nova York. Há também fotos feitas pela própria pintora, que aprendeu os segredos da câmera ainda criança, com seu pai. E aos brasileiros pode interessar o fato de que a coleção contenha imagens de Pierre Verger feitas no México e dois retratos elegantes da poeta Adalgisa Nery, datados de 1945, quando seu marido, Lourival Fontes, foi embaixador no país.

É certo que, além do valor documental, essas fotos formam uma volumosa coleção de fetiches, poderoso combustível para a idolatria crescente em torno de Frida Kahlo (parecida, em menor escala, à que cerca Clarice Lispector). É inevitável.

Apesar das antipatias de boa parte da crítica de artes plásticas em relação à pintora, há em seus quadros confessionais e alegóricos, com sua mitologia extravagante e esotérica, alguma coisa que fala diretamente ao coração da atualidade -fenômeno que já não pode ser explicado apenas pelas campanhas de valorização da artista movidas pela intelligentsia feminista.

As utopias se esvaziaram, as revoluções sociais caíram em desuso, os comunismos apodreceram, mas a "desintegração" de Frida Kahlo permanece um drama e um desafio dos quais ainda somos contemporâneos.

Leia aqui trecho do livro "Diego e Frida" e confira também a galeria de imagens do livro "Frida Kahlo - Suas Fotos".

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/789645-a-desintegracao-romanesca-da-artista-mexicana-frida-kahlo.shtml


“Vivemos graças ao caráter superficial de nosso intelecto, em uma ilusão perpétua. Para viver necessitamos da arte a cada momento, nossos olhos nos retêm formas, se nós mesmo educarmos gradualmente esse olho, veremos também reinar em nós uma força artística, uma força estética”.Nietzsche


Link para essa postagem


trabalhos