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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Cientistas revelam segredos das cores de Portinari

Cientistas revelam segredos das cores de Portinari

Resultados permitem auxiliar o processo de restauração das obras de arte e em futuros estudos sobre o método de trabalho do artista

Jornalismo
18/10/14 17:11 - Atualizado em 18/10/14 17:20
Quadro Batismo de PortinariA maneira com que o pintor Cândido Portinari (1903-1962) combinou pigmentos de materiais variados para criar as cores de suas pinturas é revelada pelos estudos do Núcleo de Apoio a Pesquisa de Física Aplicada ao Patrimônio Histórico e Artístico (NAP-FAEPAH) da USP. Entre os meses de março e agosto deste ano, 21 quadros expostos na Igreja Matriz de Batatais (interior de São Paulo) passaram por análises de fluorescência de raios X e espectroscopia Raman para identificar os elementos químicos e compostos presentes nas tintas. Os resultados permitem auxiliar o processo de restauração das obras de arte e em futuros estudos sobre o método de trabalho de Portinari.
Os quadros na Matriz de Batatais, executados pelo pintor provavelmente entre 1953 e 1955, trazem cenas da vida de Jesus Cristo. São pinturas de vários tamanhos, desde as estações da Via Sacra, que medem aproximadamente 50 por 50 centímetros (cm), até quadros como “Batismo” e “Sagrada Família”, com 1,99 metros (m) de altura por 2,99 m de comprimentos. “Os responsáveis pela restauração procuraram o núcleo para realizar um trabalho de caracterização dos materiais usados nas obras e seu estado de degradação durante o processo de restauro”, diz a professora Márcia Rizzutto, do Instituto de Física (IF) da USP, coordenadora do NAP-FAEPAH. “As medições de raios X e Raman aconteceram na própria igreja, por meio da utilização de equipamentos portáteis pertencentes ao Núcleo”.
As duas técnicas não necessitam de extração de amostras (não-invasivas). A fluorescência de raios X serviu para caracterizar quais substâncias químicas estavam presentes nas tintas dos quadros. “O aparelho emite um feixe de raios X, que são utilizados para excitar o material presente no pigmento e depois raios X característicos dos materiais são reemitidos pelos pigmentos analisados com frequências de onda diferentes, conforme o material encontrado, o que permite classificar cada elemento químico”, conta a professora do IF. “Em algumas obras usou-se a espectroscopia Raman, em que um sistema de laser interage com os compostos e estes espalham novamente o laser e assim fornecem informações sobre a composição química dos materiais analisados”.
Com base nos resultados das medições realizou-se um mapeamento dos quadros, que indicam os componentes de cada pigmento presente nas obras. “As análises apontam que Portinari usava pigmentos industrializados, porém feitos de diferentes elementos químicos, para variar as tonalidades de cores, como no céu pintado em alguns quadros”, diz Márcia. Para conseguir um maior número de tons de azul, o pintor usava pigmentos a base de cobalto, estanho e cobre. “Nas partes pintadas de branco foram encontrados traços de zinco; nos amarelos, cádmio, nos marrons, ferro, nos verdes, cromo, e assim por diante”.
Paleta de cores
As informações obtidas sobre a paleta de cores utilizada nos quadros da Matriz de Batatais podem ser comparadas com outras obras do artista. “É possível verificar se os pigmentos e as técnicas de pintura usadas nestes trabalhos apresentam semelhanças ou diferenças com quadros de Portinari em outros acervos, como o do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP”, ressalta a professora. “Os estudos com imageamento não encontraram traços de carbono, presentes no carvão e no grafite usado por artistas para esboçar traços iniciais em suas obras, o que pode ser um indício de que o pintor realizou os quadros diretamente sobre a tela”.
O NAP-FAEPAH surgiu em 2012, com o objetivo de realizar um trabalho interdisciplinar entre pesquisadores de ciências exatas e humanas para fazer um estudo sistemático de caracterização de objetos em acervos artísticos, históricos e etnográficos. “Por meio de técnicas físicas e químicas é possível verificar, por exemplo, processos de degradação, mudanças nos materiais ao longo do tempo e efeitos de restaurações anteriores realizadas em obras de arte, ou semelhanças entre culturas devido as características da produção de objetos em coleções etnográficas”, explica Márcia. Desde 2003, a professora realiza análises em acervos museológicos, inicialmente no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP.
Com auxílio da Pró-Reitoria de Pesquisa e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o Núcleo adquiriu equipamentos para realizar as medições, principalmente nos locais em que se encontram os acervos. “Além do equipamento de fluorescência de raios X e da espectroscopia Raman, também são utilizadas diferentes tangencias de imageamento para caracterizar as obras de arte como uma câmera de infravermelho, fotografia de alta resolução e fotografia com fluorescência UV que se complementam e auxiliam a estudar a obra, estudar o processo criativo do artista por meio da identificação dos traços iniciais em pinturas e desenhos. Pode-se ainda ampliar os estudos de análises de materiais utilizando o Acelerador de Partículas do Instituto”, completa a coordenadora.
No MAC são estudadas as pinturas italianas do acervo de Ciccilio Matarazzo e a coleção de gravuras em papel, em colaboração com a professora e historiadora Ana Gonçalves Magalhães e com os especialistas em Conservação e Restauro do Museu, Rejane Elias Clemencio, Renata Casatti, Marcia Barbosa e Ariane Lavezzo. “No IEB é feito um trabalho com as pinturas de cavalete de Anita Malfatti e desenhos de Di Cavalcanti, com auxílio da especialista em conservação e restauro, Lucia Elena Thomé”, relata a professora.
No Museu Paulista (MP) da USP são estudados os processos de impressão fotográfica do final do século 19 e início do 20, em conjunto com a vice-coordenadora do Núcleo, professora Solange Ferraz de Lima, e as conservadoras do Museu, Sonia Spigolon, Ina Hergert e Yara Petrella. “No MAE é feita a analise de artefatos cerâmicos etnográficos e arqueológicos da Amazônia, com participação da professora Fabíola Silva e Dra. Silvia Cunha Lima”, acrescenta Márcia. Também participam do Núcleo os professores Manfredo H. Tabacniks e Nemitala Added, do IF, Augusto Câmara Neiva, da Escola Politécnica (Poli) da USP, Carlos Appoloni, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e Patrick Ravines, da Buffalo State Univeristy, nos Estados Unidos, além de estudantes de graduação, pós-doutoramento e do técnico Tiago Fiorini, do Acelerador de Partículas.

Agência USP de Notícias


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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Cinco obras de Candido Portinari têm restauro concluído em Batatais (SP)


Cinco obras de Candido Portinari têm restauro concluído em Batatais (SP)


Fonte: Folha de SP
Após dois meses em restauração, as cinco obras do artista Candido Portinari que compõem o altar da Igreja Matriz do Bom Jesus da Cana Verde, em Batatais (352 km de São Paulo), ficaram prontas. A cidade abriga o maior acervo sacro das obras do artista, o que contribuiu para o título de estância turística.
As telas –Bom Jesus da Cana Verde, o espírito santo, anjos e os 12 apóstolos – serão recolocadas nos próximos dias. As missas no local continuam normalmente.
Já as visitas guiadas, que incluem observação do trabalho de restauro, precisam ser agendadas. Elas acontecem de terça e quinta-feira, das 14h às 16h, e de quarta e sexta-feira, das 9h às 11h.
Uma parte das pinturas foi doada por Portinari à Igreja em 1953. O restante, que retrata a Via Sacra, adquirida pela igreja e pela família Martins de Barros, tradicional na cidade, foi incorporado dois anos depois, em 1955.
O trabalho de restauração custou R$ 374 mil ao Estado. Além de Batatais, na vizinha Brodowski (338 km de São Paulo), cidade natal de Portinari, suas obras já estão sendo restauradas e o museu que funciona na casa em que o artista morou deve ser reaberto neste semestre.
OBRAS
O trabalho começou em dezembro do ano passado, depois de cinco anos de cobrança da Igreja Católica e de duas ações na Justiça. Ao todo serão restauradas 28 telas até o final de setembro de 2014.

Restauração de Portinari

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Edson Silva/Folhapress
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Operários trabalham no altar da Igreja Matriz do Bom Jesus da Cana Verde
As cinco telas já restauradas são as de maior destaque na igreja, segundo Florence Maria White de Vera, restauradora. "Essas cinco telas foram restauradas primeiro para causar um impacto na população e mostrar a importância e o que significa a restauração", contou Florence.
Os trabalhos estão dentro do cronograma estipulado em contrato, de concluir a primeira etapa em dois meses. Neste mês, foi iniciada a recuperação da obra "Sagrada Família". O contrato prevê que três telas seja restauradas por mês.
"Começamos a restauração no momento certo, mais alguns meses e os danos seriam muito maiores e o trabalho mais difícil", disse Florence.
PROBLEMAS
Segundo a restauradora, o principal problema encontrado foi o ataque de cupins, que se expandiram pelo madeirame (estrutura de madeira que fica por trás das telas) das obras, que serão totalmente substituídos.
O trabalho dos três restauradores e dois montadores contratados pode ser acompanhado pelo público. Ao doar as telas à igreja, Portinari determinou que elas nunca saíssem do templo, por isso um ateliê de restauro foi montado no local.
"As atividades da igreja continuam normalmente, com visitas agendadas para visitação ao ateliê. As pessoas têm interesse porque esse é um momento histórico", disse Túlio Pires de Carvalho, advogado da igreja. 


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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Atacada por cupins, obra de Portinari ainda não foi restaurada

13/02/2012 - 20h18

Atacada por cupins, obra de Portinari ainda não foi restaurada


DARIO DE NEGREIROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE RIBEIRÃO PRETO
Três anos após a descoberta de que cupins atacavam a tela "A Sagrada Família", de Candido Portinari, um processo de restauração da obra ainda não foi feito.
A tela está avaliada em US$ 4,5 milhões (R$ 7,7 milhões) e faz parte do maior acervo sacro de Portinari, localizado na igreja do Senhor Bom Jesus da Cana Verde, em Batatais. Ali estão expostas 23 telas de Portinari, além de obras do pintor Mozart Pelá.
O secretário de Esporte e Turismo da cidade, Antonio Carlos Correa, afirmou que a obra já foi descupinizada e que uma empresa realiza mensalmente o trabalho para a prevenção de cupins.
Correa admite, contudo, que o restauro ainda não foi feito. Segundo o secretário, a prefeitura já levantou verbas para o restauro junto a uma empresa local, mas o projeto não teria saído do papel por ainda não ter sido autorizado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
Segundo o professor Carlos Gutierrez, membro do conselho consultivo do Iphan, uma série de critérios técnicos precisam ser avaliados antes que o órgão conceda sua autorização.
Edson Silva/Folhapress
Quadro "Sagrada Família" de Candido Portinari é lacrado com plástico na igreja matriz de Batatais
Quadro "Sagrada Família", de Candido Portinari, é lacrado com plástico na igreja matriz de Batatais


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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Visitas guiadas à "Guerra e Paz, de Portinari" começam em 1º de março

Visitas guiadas à "Guerra e Paz, de Portinari" começam em 1º de março
Para assumir a coordenação geral da exposição, o Projeto Portinari convidou a empresa Expomus. Guerra e Paz, de Portinari ocupará três espaços do Memorial da América Latina. Com cenografia assinada por Felipe Tassara e Daniela Thomas, Guerra e Paz estarão no Salão de Atos e poderão ser vistos pelo público em grupos de 150 pessoas, devido à limitação do espaço. Uma apresentação audiovisual de cerca de 9 minutos será projetada sobre uma tela também monumental a cada hora, mas a visitação aos painéis não é restrita a estas sessões.

Os murais são compostos, ao todo, por 28 placas de madeira compensada naval, com 2,2 metros de altura por cinco metros de largura e pesam 75 quilos cada uma. A área total pintada, uma superfície de 280 metros quadrados, é maior do que a do Juízo Final, de Michelangelo, na Capela Sistina (no alto, foto da desmontagem).  

Já na Galeria Marta Traba estarão reunidos cerca de 100 dos 180 estudos originais preparatórios para Guerra e Paz, já catalogados pelo Projeto Portinari, junto a documentos históricos, como cartas, depoimentos e fotos, que contam, em detalhes, toda a trajetória de criação das obras. Obras de coleções internacionais, como Feras, do Museo del Novecento de Milão, eMulher Ajoelhada, de uma coleção particular, também merecem destaque na mostra.

Outro espaço a visitar será a Biblioteca Victor Civita, que apresentará, sob forma digital, a obra completa de Portinari por ordem cronológica. Pertencente ao Projeto Portinari, o acervo é resultado do levantamento e catalogação de quase 5 mil obras e aproximadamente 30 mil documentos relacionados a estas obras, à vida e à época do pintor.

A partir de 1º de março, o Memorial inicia o agendamento de escolas e grupos para visita guiada por monitores especialmente treinados. Os horários das visitas guiadas são 9h, 10h, 14h e 15h, de segunda a sexta. A visita guiada toma duas horas do visitante, pois passa pelos três espaços da exposição : Salão de Atos, Biblioteca e Galeria, sendo que nesta inclui descida ao subsolo, onde serão montadas oficinas para adultos e crianças. O agendamento deve ser antecipado pelo e-mail educativoguerraepaz@gmail.com ou pelo telefone 3823.4671.
O Memorial da América Latina, além de dispor do espaço ideal para apreciação dos murais Guerra e Paz, está localizado em uma área de fácil acesso a toda a população, o que está totalmente de acordo com o objetivo maior do Projeto Portinari: dar acesso para que o grande público conheça a obra e a mensagem de Portinari. Por isso, fazemos questão que a exposiçãoGuerra e Paz, de Portinari seja sempre apresentada com entrada franca”, diz Maria Duarte, diretora-executiva do Projeto Guerra e Paz.

“Concebido por Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer, o Memorial carrega o ideal da integração dos povos, uma bandeira brasileira pela paz. Promover essa exposição no local tem um significado a mais pela parceria e amizade que os dois tiveram a vida toda”, complementa João Candido Portinari.
Serviço
Guerra e Paz, de Portinari
Exposição de 7 de fevereiro a 21 de abril de 2012
Locais: Salão de Atos, Galeria Marta Traba e Biblioteca Latino-americana Victor Civita
Horários: terça a domingo, das 9h às 18h, com exceção da biblioteca, que abre também no sábado, das 9h às 15h.
ENTRADA FRANCA

Serviço EducativoEscolas, instituições e grupos podem agendar visitas guiadas pelo e-maileducativoguerraepaz@gmail.com . Ou pelo telefone 3823.4671. Elas começam em 1º de março de 2012, nos seguintes horários: 9h, 10h, 14h e 15h. GRÁTIS.
Leia matéria sobre Portinari na revista Nossa América


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Veja matéria do Jornal Nacional, de 07/02/12, sobre a cerimônia de abertura em São Paulo dos paineis Guerra e Paz



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Veja matéria na TV Globo sobre o lançamento do projeto



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Espaço Especial Para o Pintor Candido Portinari

Devidamente restaurados, painéis "Guerra" e "Paz" (detalhe), de Portinari, visitam São Paulo pela primeira vez. No Memorial,a partir de 7 de fevereiro
A exposição Guerra e Pazde Portinari está aberta ao público até 21 de abril - com entrada gratuita - na Fundação Memorial da América Latina. É a primeira vez que os painéis "Guerra" e "Paz" são exibidos devidamente restaurados. A mostra, no entanto, é muito mais. Inclui os estudos do pintor para essa obra, que são pequenas obras primas. Além disso, há uma interface digital, com projeções e videos usando tecnologia de ponta (foto ao lado). Uma linha do tempo foi traçada, usando imagens em movimento, com a trajetória inteira do pintor, desde sua infância em Brodowski, SP. E o setor educativo, com visitas guiadas e uma programação de oficinas.
Guerra e Paz, de Portinari apresenta os dois últimos e maiores murais criados por Cândido Portinari (1903 - 1962), após minucioso trabalho de restauro, realizado entre fevereiro e maio de 2011, que trouxeram de volta às obras o cromatismo intenso que caracteriza o trabalho do pintor de Brodowski.
Os monumentais murais estão expostos junto a cerca de 100 dos estudos originais preparatórios para Guerra Paz, além de uma centena de documentos históricos, entre cartas e fotos, que contam, em detalhes, toda a trajetória de criação das obras, encomendadas pelo governo brasileiro para presentear a sede da ONU, em Nova York. São exibidos continuamente documentários sobre a vida e a obra do pintor.

"É uma exposição histórica, sem precedentes, oportunidade única de ver Guerra e Paz no Brasil reunidos aos estudos, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Nem o próprio pintor teve a chance de ver todo este material em seu conjunto", afirma João Candido Portinari, filho do pintor, fundador e diretor geral do Projeto Portinari, ainda nos anos 80.
Para o Memorial, é significativo ter os famosos painéis, que há 54 anos estão em Nova York. O presidente do Memorial, Antonio Carlos Pannunzio ressalta a importância da exposição: “Essas obras falam tudo  a respeito das aflições e da esperança que atormentam e acalentam a humanidade desde sempre e serão vistas por milhares. Sem dúvida, elas ajudarão o Memorial a cumprir sua missão de aproximar povos, especialmente povos latino-americanos, sobretudo se isso for feito sob a motivação maior – a busca da paz”.

Para o Secretário Estadual de Cultura Andréa Matarazzo, o Salão de Atos do Memorial é o lugar ideal para a dimensão física (14m x 10m) e emocional dos painéis. “Parece que esse espaço foi construído especificamente para isso”, diz, e brinca, “a próxima missão de João Candido será convencer a ONU que os quadros Guerra Paz devem é ficar aqui Memorial”. Matarazzo ressalta a dedicação de Candinho em recuperar, cultivar, engrandecer e divulgar a memória e a obra do pintor: “Filho apaixonado, orgulhoso do trabalho do pai, João Candido faz da sua vida um verdadeiro sacerdócio em prol da propagação da obra de Portinari.” Quando se recorda que os painéis gigantesco ficavam inacessíveis ao público, em NY, assim como 95% da obra de Candido Portinari permanece trancada em coleções particulares, fica claro a importância desse trabalho.

Os painéis foram restaurados no primeiro semestre de 2011no Rio de Janeiro, em ateliê aberto ao público, montado no Palácio Gustavo Capanema, por iniciativa do Projeto Portinari. Antes disso, eles tinham ficado expostos no palco do Teatro Municipal carioca, entre 22 e 30 de dezembro de 2010. Mais de 40 mil pessoas foram visitá-lo!

Guerra
 e Paz são obras da década de 50 feitas especialmente para a sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York. Entre 1952 e 1956, Candido Portinari – um dos grandes artistas brasileiros do século passado – trabalhou sofregamente para atender o pedido do governo brasileiro. Apesar da recomendação médica que evitasse o uso de tinta a  óleo, já que apresentava sintomas de intoxicação pelo chumbo presente no composto,  Portinari encarou a encomenda como missão e criou um dos mais belos e impactantes testemunhos da loucura humana. Portinari retratou a guerra não por meio de soldados ou equipamento bélico, mas por meio das suas vítimas, especialmente aquela que sofre a dor maior: a mãe que perdeu o filho.
Portinari era um idealista. Como boa parte da intelectualidade e de artistas da sua geração, ele era comunista filiado ao PCB, por quem concorreu a deputado constituinte em 1945 e a senador em 1947. Sua insistência em presentear o mundo com a sua arte pungente, como que clamando por um tempo utópico em que não houvesse a exploração do homem pelo homem, custou-lhe caro. Portinari praticamente se auto-emulou por sua utopia, tornando-se, mais que um artista, um herói trágico de toda a humanidade.  Guerra e Paz foram os últimos grandes painéis pintado por ele.  Depois disso, adoeceu pouco a pouco até morrer em 1962, vítima das tintas que para ele eram uma arma.
Os quadros foram finalmente instalados em Nova York, em 1957, no hall de entrada da Assembleia Geral da ONU. Por ser comunista, Portinari não obteve autorização do governo americano para ir à inauguração da sua obra. Atualmente, por razões de segurança, o grande público não tem acesso ao local, apenas os políticos de todos os países do mundo.  Recentemente, quando João Portinari soube que as instalações da ONU passariam por reforma entre 2010 e 2013, tanto fez que conseguiu a guarda da obra de seu pai por esse período. Era a oportunidade dos painéis Guerra Paz percorrerem o mundo e finalmente serem conhecidos pelo povo. Em contrapartida, eles deveriam voltar devidamente restaurados, como previa o contrato entre a ONU e governo brasileiro dos anos 50. Para essa empreitada, João Candido obteve o apoio do governo brasileiro, por meio do BNDES, e de outras entidades públicas e privadas.
Segundo João Candido Portinari, depois de São Paulo Guerra e Pazdevem percorrer o mundo. Com o esperado apoio do Itamaraty, os painéis de Candido Portinari vão levar sua mensagem dramática e de esperança à cidade de Oslo, na Noruega, por ocasião da entrega do Prêmio Nobel da Paz, em dezembro de 2012. Em agosto de 2013, eles voltam para o hall da sede da ONU. Lá, a esperança é que sua missão seja completada, afinal, Portinari não retrata apenas a guerra, mas também um tempo de paz, no qual as crianças possam brincar e os adultos de todas as etnias possam trabalhar e viver - em paz.
Por Eduardo Rascov
Serviço:
Guerra e Paz, de Portinari
Exposição dos painéis pintados por Candido Portinari
Período: 7 de fevereiro a 21 de abril de 2012
Local: Fundação Memorial da América Latina,
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664,
nos seguintes espaços:
Salão de Atos, Galeria Marta Traba e Biblioteca Latino-americana Victor Civita.
Horário: terça a domingo, das 9h às 18h

Visitas guiadas (a partir de 1º de março) para grupos e escolas devem ser agendadas pelo 



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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Artes Plásticas

MOSTRA TEM PORTINARI E BURLE MARK

Na exposição que inaugura agora no novo espaço do Instituto de Arte Contemporânea (r. Dr. Álvaro Alvim, 76, tel.0/xx/11/3255-2009), há trabalhos de artistas como Candido Portinari, Roberto Burle Marx, Geraldo de Barros, Flavio de Carvalho e Di Cavalcanti. A curadoria da mostra é de Glória Ferreira.


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sábado, 15 de outubro de 2011

Candido Portinari



Olegário Mariano - 1928
Óleo sobre tela
Tam: 198x65,3cm
Candido Portinari nasce numa fazenda de café, em Brodowski, São Paulo, no dia 29 de dezembro de 1903. Seus pais foram os imigrantes italianos Batista Portinari e Domênica Torquato, que tiveram 12 filhos. Em 1909, o menino começa a desenhar.No ano de 1912, participa, durante vários meses, dos trabalhos de restauração da Igreja de Brodowski, ajudando os pintores italianos a "Dipingere Le Stelle". Mais tarde, auxilia um escultor frentista.
A partir de uma carteira de cigarros, Portinari faz a lápis um retrato do músico Carlos Gomes em 1914. A família guarda o desenho.

Viaja para o Rio de Janeiro em 1918. Tem aulas de desenho no Liceu de Artes e Ofícios. Matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes, na qual estuda desenho e pintura. Seus professores foram Amoedo, Batista da Costa, Lucílio Albuquerque e Carlos Chambeland.

Realiza-se em 1922 na cidade de São Paulo, a Semana de Arte Moderna, porém Portinari não participa. Expõe, pela primeira vez, no Salão da Escola de Belas Artes.
No ano de 1923, Portinari manda para o Salão da Escola de Belas Artes o retrato do escultor Paulo Mazzucchelli, ganhando três prêmios, entre eles a medalha de bronze do Salão.
Participa do Salão Nacional de Belas Artes de 1924 com o quadro Baile na Roça obra com temática brasileira, mas é recusado pelo júri.

Obtém a pequena medalha de prata no Salão de 1925, no qual expõe dois retratos, e recebe a grande medalha de prata no de 1927. Com o retrato do poeta “Olegário Mariano”, ganha o prêmio de Viagem ao Estrangeiro de 1928.


Despejados - 1934
Óleo sobre tela
Tam: 60x73cm
Antes de viajar em 1929, faz sua primeira exposição individual, com 25 retratos, por iniciativa da Associação dos Artistas Brasileiros. Parte para a Europa. Viaja pela Itália, Inglaterra, Espanha e se fixa em Paris."Comecei a trabalhar, mas no meu quarto, porque não consegui ainda ateliê dentro de minhas posses. Contudo, não estou triste, porque não estou perdendo tempo: pela manhã vou ao Louvre, à tarde faço estudos. Não pretendo fazer quadros por enquanto. Aprendo mais olhando um Ticiano, um Raphael, do que para o Salão de Outono todo". (Carta ao amigo Olegário Mariano)
Vai diariamente aos museus, descobre a pintura moderna da Escola de Paris, discute sobre arte nos cafés e não tem quase nenhum tempo para pintar. Conhece Maria Martinelli em 1930, jovem uruguaia de 19 anos, radicada com família em Paris e se casa com ela. Sente saudade de Brodowski e escreve para o Brasil... "Daqui fiquei vendo melhor a minha terra - fiquei vendo Brodowski como ela é. Aqui não tenho vontade de fazer nada. Vou pintar o Palaninho, vou pintar aquela gente com aquela roupa e com aquela cor. Quando comecei a pintar., senti que devia fazer a minha gente e cheguei a fazer o “Baile na Roça”... A paisagem onde a gente brincou a primeira vez não sai mais da gente, e eu quando voltar vou ver se consigo fazer a minha terra..."


O M orro - 1936
Óleo sobre tela
Tam: 73x60cm
Portinari e Maria regressam ao Rio de Janeiro em 1931 e ele passa a trabalhar num ritmo intenso. Participa da comissão destinada a promover a reforma do Salão Nacional de Belas Artes, no qual os artistas modernos são admitidos pela primeira vez. Portinari é convidado pelo então diretor da Escola Nacional de Belas Artes, o arquiteto Lúcio Costa, a fazer parte da comissão organizadora do Salão. Nesse ano, Portinari apresenta 17 obras.
Portinari expõe individualmente no Palace Hotel em 1932, dessa vez exibe obras de temática brasileira - cenas de infância, circo, cirandas. No ano seguinte faz outra Exposição Individual no mesmo local.
No ano de 1934, Portinari pinta “Despejados”, obra de temática social. Intelectuais começam a ver em sua figura o verdadeiro representante plástico do modernismo brasileiro. Tem sua tela “O Mestiço” adquirida pela Pinacoteca do Estado de São Paulo, sendo assim, a primeira instituição pública a incluir uma obra de Portinari em seu acervo.

Em julho de 1935 é contratado para lecionar pintura mural e de cavalete na Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro. Ao participar da Exposição Internacional do Instituto Carnegie, nos Estados Unidos, junto com pintores de 21 países, recebe a Segunda Menção Honrosa, com a tela "Café". Essa obra é adquirida, antes mesmo da premiação, pelo Ministro da Educação Gustavo Capanema, para o Museu de Belas Artes.


A Primeira Missa no Brasil - 1948
Têmpera sobre tela
Portinari pinta o seu primeiro mural em 1936, para o monumento rodoviário da Estrada Rio/São Paulo, medindo 0,96 x 7,68 metros. O Ministro Gustavo Capanema convida-o a trabalhar no edifício que será construído para o Ministério da Educação.
Em 1937, com a intenção de dedicar-se ao estudo para os afrescos do Ministério, Portinari, recebe a colaboração de alguns alunos da Universidade do Distrito Federal. Bianco, jovem pintor italiano recém-chegado ao Brasil, é apresentado a Portinari que o convida para trabalhar no Ministério.
O ano de 1938 é marcado pela execução dos trabalhos do Ministério da Educação. No ano seguinte nasce seu único filho, João Cândido, em janeiro desse ano. Executou três painéis para o pavilhão brasileiro na Feira Mundial de Nova Iorque: Jangadas do Nordeste; Cena Gaúcha e Festa de São João. O Museu de Arte Moderna de Nova Iorque adquire o quadro "O Morro", que René Huyghe, Diretor do Museu do Louvre, aconselhara Portinari a não utilizar. Em novembro, expõe 269 trabalhos no Museu Nacional de Belas Artes. A Universidade do Distrito Federal é fechada.


Enterro na Rede - 1944
Óleo sobre tela
Tam: 180x220cm
Portinari participa em 1940 da Exposição de Arte Latino-Americana no Museu Riverside, em Nova Iorque. Expõe com grande sucesso em Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. A University Of Chicago Press publica "Portinari, his life and art", o primeiro livro sobre o artista , com prefácio de Rockwell Kent e Josias Leão. Ilustra "A Mulher Ausente", de Adalgisa Nery.
Em Brodowski, na casa de seus pais, Portinari passa a pintar uma capela para sua avó - "Capela da Nonna", que já não mais podia freqüentar a Igreja. Passa vários meses de 1942 nos Estados Unidos, pintando quatro afrescos para a Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso, em Washington. Vê o quadro "Guernica", de Pablo Picasso, que o impressionou profundamente. Ilustra o livro infantil "Maria Rosa", de Vera Kelsey.
A pedido de Assis Chateaubriand, pinta uma série de murais para a Rádio Tupi do Rio, inspirados na música popular brasileira. Realiza nova Exposição Individual no Museu Nacional de Belas Artes em 1943. Ilustra "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis.
Em 1944, pinta três painéis para a Capela Mayrink, Rio de Janeiro. Acaba de executar um ciclo bíblico, que Assis Chateaubriand compra e leva para a Rádio Tupi de São Paulo, onde a influência da Guernica de Picasso é visível. Trabalha com dois painéis da Série Retirantes. Pinta um mural e azulejos sobre a vida de São Francisco de Assis, para a Capela da Pampulha, em Belo Horizonte - MG.


Retirantes - 1944
Óleo sobre tela
Tam: 180x220cm
Portinari perde seu grande amigo Mário de Andrade em 1945. Faz uma "Via Sacra" para a Capela da Pampulha.
Filia-se ao Partido Comunista vendo nessa organização, mesmo clandestina, a chance de lutar contra a ditadura, a favor da anistia e de eleições. Nomes de grande prestígio junto à sociedade reúnem-se à esse Partido. Candidato a Deputado Federal por São Paulo, Portinari perde as eleições. O PCB consegue eleger um Senador - Luiz Carlos Prestes e 14 Deputados.

No ano seguinte expõe na Galeria Charpentier, de Paris, seus quadros e desenhos das séries "Os Retirantes" e "Meninos de Brodósqui" . Recebe a "Legião de Honra" do Governo Francês.
Candidato a Senador, em São Paulo, pelo Partido Comunista, perde por pequena margem de voto em 1947, colocando em dúvida a lisura do pleito. Viaja para Buenos Aires, onde faz uma Exposição Individual, que volta a apresentar em Montevidéu, no Salão da Comissão Nacional de Belas Artes do Uruguai.
Em 1948, pinta em Montevidéu, à têmpera, o grande painel "A Primeira Missa no Brasil", para o Banco Boavista do Rio de Janeiro. Ilustra "O Alienista" de Machado de Assis. No final do ano, Portinari faz uma retrospectiva no MASP (Museu de Arte de São Paulo), tendo as obras Enterro na Rede, Criança Morta e Retirantes, doadas ao Museu por Assis Chateuabriand.


A Chegada da Família Real Portuguesa à Bahia - 1952
Óleo sobre tela
Tam: 47X71cm
Entre 1949 e 1950, pinta o Mural "Tiradentes" para o Colégio de Cataguases. Apesar do convite, não consegue participar da Conferência Cultural e Científica para a Paz Mundial, em Nova Iorque, pois tem seu visto de entrada negado. Viaja para a Itália em fevereiro e visita Chiampo, terra natal de seu pai. Expõe seis trabalhos na XXV Bienal de Veneza. Recebe, pelo painel Tiradentes, a Medalha de Ouro da Paz do II Congresso Mundial dos Partidários da Paz, em Varsóvia.
Participa em 1951, com uma sala especial, da 1ª Bienal de São Paulo. A Bienal conta com mais de 2.000 trabalhos de pintura, escultura, arquitetura e gravura de artistas de 19 países. Na Itália é lançada a monografia Portinari, organizada e apresentada por Eugenio Luraghi (ed. Della Mondione, Milão).
No ano de 1952 pinta para o Banco da Bahia, em Salvador, o Mural "A Chegada da Família Real Portuguesa à Bahia". Com ilustrações de Portinari, o semanário “O Cruzeiro”, publica o romance “Os Cangaceiros” de José Lins do Rego. Pinta um conjunto de obras sacras para a Igreja Matriz da cidade de Batatais - SP, pequena cidade próxima de Brodowski.


O Descobrimento do Brasil - 1954
Óleo sobre tela
Tam: 98x79cm
É inaugurada, em 1953, a decoração para a Igreja de Batatais. E realizada a Via Sacra para integrar o conjunto das obras. Começa a demonstrar um problema grave de saúde devido à intoxicação com tintas. Expõe no Museu de Arte Moderna do Rio uma mostra com mais de 100 obras. Inicia o trabalho dos enormes painéis "Guerra e Paz" para a sede da ONU, em Nova Iorque.
Participa em 1954 com mais quatorze artistas de quinze países da mostra organizada pelo Comitê de Cooperação Cultural com o estrangeiro em Varsóvia, que tem como tema principal a luta dos povos pela paz. Executa também um painel dedicados aos "Fundadores do Estado de São Paulo" para jornal O Estado de São Paulo. Expõe novamente no Museu de Arte de São Paulo. Participa da III Bienal de São Paulo, com uma sala especial. Com os sintomas da intoxicação cada vez mais presentes, é proibido pelos médicos de pintar por algum tempo. "Estou proibido de viver", reclama.
Em 1955, o Internacional "Fine Arts Council", de Nova Iorque, confere-lhe uma medalha como o pintor do ano. Ilustra o Romance "A Selva", de Ferreira de Castro. Em outubro é inaugurado o painel "O Descobrimento do Brasil", encomenda do Banco Português do Brasil, no Rio.
Viaja à Itália e Israel, em 1956, e faz exposição nos Museus de Tel-Aviv, Haifa e Ein Harod. Os painéis "Guerra e Paz" são apresentados no Teatro Municipal do Rio. Recebe o prêmio "Guggenheim's National Award", da Fundação Guggenheim, de Nova Iorque. O Museu de Arte Moderna do Rio edita o livro "Retrato de Portinari", de Antônio Callado.


Seu Baptista
A Maison De La Pensée, em Paris, apresenta a exposição individual de Portinari em 1957, com o patrocínio da Embaixada do Brasil, com 136 obras. Expõe no Museu de Munique. Os painéis "Guerra e Paz" são inaugurados na sede da ONU. Recebe a "Hallmark Art Award", de Nova Iorque. Solomon Guggenheim expõe "Mulheres Chorando" um dos grandes estudos preliminares do painel "Guerra". Expõe no Museu de Munique. Os painéis "Guerra e Paz" são inaugurados na sede da ONU. Recebe a "Hallmark Art Award", de Nova Iorque. No final do ano Portinari começa a escrever suas memórias: “Retalhos da minha vida de infância”: "Eram belas as manhãs frias na época da apanha do café e delicioso o canto dos carros de boi transportando as sacas da colheita. Quantas vezes adormecíamos sobre as sacas. A luz do sol parecia mais forte.

Era somente para nós. Ia pela estrada afora o carro vagaroso, cantando. Dormíamos cheio de felicidades. Sonhávamos sempre, dormindo ou não. Nossa imaginação esvoaçava pelo firmamento. Fantasias forjadas, olhando as nuvens brancas, mais brancas do que a neve. Tudo se movia ao nosso redor como um passe de mágica. Belas eram as seriemas, as saracuras e os tatus. Quando víamos no chão um orifício, sabíamos a que bicho pertencia. Conhecíamos também a maioria das árvores e arbustos, sabíamos a maioria das árvores e arbustos, sabíamos suas serventias para as doenças; as chuvas, o arco-íris, as nuvens, as estrelas, a lua, o vento e o sol eram-nos familiares. O contacto com os elementos moldava nossa imaginação e enchia nosso coração de ternura e esperança."


Mestiço
Óleo sobre tela
Tam: 81x61cm
Expõe em 1958, inaugurando a Galleria Del Libraio, em Bolonha - Itália, os trabalhos com motivos de Israel, os quais mostra a seguir em Lima e Buenos Aires. É convidado de honra, com sala especial, na 1ª Bienal do México. No retorno de uma viagem pela Europa declara que passará a dedicar-se à poesia. É convidado para receber em Bruxelas, a Estrela de Ouro. Seu pai "Seu Baptista", morre no Rio de Janeiro.No ano seguinte expõe na Galeria Waldenstein, em Nova Iorque e no Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires. A pedido da Librarie Gallimard, executa doze ilustrações, em cores, para "O Poder e a Glória", romance de Graham Greene. Ilustra também, com trinta gravuras , "O Menino de Engenho", de José Lins do Rego. Pinta o mural "Inconfidência Mineira" para o Banco Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais S/A, do Rio de Janeiro. Na V Bienal de São Paulo, expõe 130 trabalhos.
Após 30 anos de casamento, Portinari separa-se de Maria em 1960, que, assumindo mais que o papel de esposa, ajudava-lhe com os problemas do cotidiano, deixando-o livre para dedicar-se mais tempo ao seu trabalho. Mesmo separados, Maria continua a prestar-lhe assistência. Ainda para a Librarie Gallimard, ilustra os romances "Terre Promisse" e "Rose de September", de André Maurois.
Executa cinco painéis para o Banco de Boston de São Paulo: "Os Bandeirantes", "Fundação de São Paulo", "Colheita de Café", "Transporte do Café" e "Industrialização". Expõe individualmente na Checoslováquia, em São Paulo e na Galeria Bonino, no Rio. É convidado a participar do júri da II Bienal do México. Realiza-se em Moscou, uma mostra de fotografias de várias de suas obras. Nasce sua neta Denise. Feliz com o nascimento de sua neta, declara: "Minha neta me libertará da solidão" (Poemas: cento e vinte e seis, 1960). A partir daí, passa a retratar sua neta em pintura e poesia.


Auto-Retrato
Faz a última viagem à Europa em 1961. Encontra-se com seu filho João Candido em Paris, revê amigos e lugares que há muito lhe emocionavam. Sua saúde mostra-se mais uma vez abalada, devido à doença que o atacara. Juntamente com o amigo Eugenio Luraghi, planeja a exposição para o ano seguinte em Milão. Em julho a galeria Bonino, no Rio de Janeiro, apresenta a última exposição do artista em vida.
Envolvido no trabalho para a exposição de Milão, descuida-se de vez de sua saúde. Morre, no dia 06 de fevereiro de 1962, na Casa de Saúde de São José, no Rio de Janeiro, vítima de intoxicação das tintas que utilizava. Seu corpo é velado no Ministério da Educação, de onde sai o enterro, com grande acompanhamento.
"Quando o esquife de Portinari saiu do Ministério, na manhã do dia 8, em carreta do Corpo de Bombeiros, dos edifícios envidraçados, do pátio do Palácio da Educação, das bancas de jornais, dos cafés em súbito silêncio diante da Marcha Fúnebre e do Hino Nacional, voltaram-se para o cortejo milhares de caras irmãs das que aparecem nos Morros, nos Músicos nos Retirantesde Portinari. Milhares de anônimas criaturas suas disseram adeus ao pintor, miraram uma última vez o claro e sutil feiticeiro que para sempre se aprisionou em losangos de luz e feixes de cor. Como se no espelho apagado da vida do artista ardesse num último lampejo tudo aquilo que refletira durante a vida". (Antônio Callado)




Informações retiradas do site
WWW.CASADEPORTINARI.COM.BR


http://www.pintoresfamosos.com.br/?pg=portinari


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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Exposição de Portinari ganha dia gratuito no MAM

01/08/2011 - 10h47

 As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações


Exposição de Portinari ganha dia gratuito no MAM

As exposições "No Ateliê de Portinari" e "Um Outro Lugar" terão entradas gratuitas aos sábados, a partir de 6 de agosto. O horário de visitação é das 10h às 17h30, de terça-feira a domingo.

"No Ateliê de Portinari", que fica em cartaz até 11 de setembro, traz obras de formação do grande pintor brasileiro, em disposição na grande sala do museu.

Divulgação
Obras de Candido Portinari agora podem ser vistas gratuitamente aos sábados no MAM, até 11 de setembro

Apreendendo o período que vai de 1920 a 1945, a mostra conta com pinturas, desenhos e estudos, como o do mural que Portinari pintou para a Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso, em Washington, nos Estados Unidos.

Já "Um Outro Lugar" discute, por meio das obras expostas, a substituição do idealismo utópico por uma visão cotidiana e sutil das "ideias possíveis". Também com duração até 11 de setembro, a mostra acontece na sala Paulo Figueiredo.

De terça a sexta e aos domingos, o ingresso das exposições é R$ 5,50.

Recentemente, o Museu de Arte Sacra também anunciou que aos sábados a visita seria gratuita.

Informe-se a exposição "No Ateliê de Portinari"

MAM Ibirapurea - Grande Sala - av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque Ibirapuera, zona sul, São Paulo. Tel.: 0/xx/11/5085-1300. Ter. a dom.: 10h às 17h30.


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segunda-feira, 11 de julho de 2011

MAM - Museu de Arte Moderna de São Paulo



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quarta-feira, 9 de março de 2011

Arte em andamento: releituras, influências e citações na criação artística

Janeiro/2011

As obras de Cândido Portinari e Pablo Picasso são tema de reportagem da BRAVO! de janeiro de 2011. Aproveite o texto, as imagens de referência disponíveis neste site e o plano de aula abaixo para discutir com a turma o processo de criação artística.

Carlos Arouca


Objetivos

Entrar em contato com o processo de criação de um artista;
Reconhecer influências estéticas;
Criar produções artísticas com base em grandes obras;
Valorizar a pesquisa e os estudos gráficos na criação artística.


 
Conteúdos

Desenho e pintura;
Leitura de imagens;
Obras de Candido Portinari e Pablo Picasso.


Tempo estimado
Cinco aulas.


Material necessário:

Computador com datashow (ou cópias coloridas das imagens sugeridas neste plano de aula); lápis grafite; caderno para anotações; papel craft; lápis coloridos; rolinho para pintura; giz de cera, tinta guache branca; tintas coloridas guache ou tinta acrílica.

Desenvolvimento

1ª aula: "Guerra e Paz" de Portinari

Inicie a aula apresentando aos alunos o tema que será estudado: as representações de situações de guerra e de paz produzidas por alguns artistas e a influência deles sobre o trabalho de outras pessoas.

Pergunte aos alunos que elementos (figuras, cores, locais etc.) eles utilizariam se tivessem que criar uma pintura sobre guerra. Anote no quadro os elementos citados.

Conte à classe que, em diferentes épocas, artistas retrataram os horrores de inúmeras guerras por meio de diversas formas de expressão. Apresente aos estudantes os painéis de Candido Portinari intitulados "Guerra e Paz", disponíveis no site http://www.guerraepaz.org.br./ Se possível, projete as obras na sala, caso contrário, utilize cópias impressas.

Comece explorando com a turma o painel Guerra e proponha que procurem nele os elementos citados anteriormente. Em seguida, aproveite a ferramenta de zoom disponível no site para aproximar a obra e observar os detalhes da pintura. Reserve cerca de dez minutos para que os alunos socializem as impressões que tiveram a respeito da pintura.

Ainda no site, clique na palavra "Paz", acesse o segundo painel e repita a sequência de observação acima.

Deixe a imagem do painel "Guerra" projetada na parede e proponha que cada aluno faça um desenho inspirado em um detalhe da obra que achou mais interessante. Reserve os últimos minutos da aula para a realização da atividade e, caso seja necessário, peça que finalizem em casa e tragam o resultado na aula seguinte.


2ª aula: apresentação de trabalhos e discussão sobre influências na Arte

Inicie a aula organizando uma breve exposição dos trabalhos a turma. Aproveite para comentar o processo de criação dos trabalhos. Convide os alunos a falar sobre suas obras, explicando como selecionaram os detalhes do painel de Portinari que usaram como inspiração.

Conte à classe que, assim como eles se inspiraram na obra do artista paulista para criar seus trabalhos, também Portinari tinha suas referências preferidas e obras que o influenciavam.

Pergunte se alguém já ouviu falar em Pablo Picasso ou em um trabalho seu chamado "Guernica".


Apresente para a classe uma imagem da obra e estimule os estudantes a falar sobre suas primeiras impressões a respeito dela. Conte aos alunos que o painel foi pintado por Picasso em 1937 para ser exposto no pavilhão da República Espanhola, na Exposição Internacional de Paris. A obra retrata o bombardeio alemão à cidade de Guernica, apoiado pelo ditador espanhol Francisco Franco.  

Em seguida, questione se eles reconhecem algum tipo de semelhança entre "Guerra e Paz" de Portinari e "Guernica" de Pablo Picasso. Dê um tempo para que a turma apresente suas opiniões.

Conte à classe que o tema não é o único fator comum às duas obras. Além dele, ambas possuem tamanhos muito grandes ("Guerra e Paz" é constituída de dois painéis de 14x10 m e "Guernica" possui 3,5 x 7,8m) e, para serem criadas, foram necessários inúmeros estudos.

Para finalizar, proponha à classe a criação de grandes murais coletivos para serem expostos no espaço da escola. Encerre a aula organizando os grupos e propondo que cada um escolha um tema para o mural que vai ser iniciado na aula seguinte.


3ª aula: criação de estudos antes de uma obra final

Organize a classe nos grupos definidos anteriormente. Apresente aos alunos alguns estudos feitos por Candido Portinari para seus painéis da obra "Guerra e Paz", disponíveis em http://bravonline.abril.com.br/conteudo/artesplasticas/guerra-paz-portinari-616379.shtml. Discuta-os com a turma.

Em seguida, entregue aos alunos folhas tipo sulfite e peça que cada grupo faça alguns estudos relativos a seu painel. Sugira que reúnam algumas folhas para criar um esboço geral do painel e separem outras para estudos sobre os detalhes que serão desenhados.

Deixe que utilizem o restante da aula para a elaboração dos estudos. Acompanhe o processo de criação, estimulando todos os alunos a participar - seja desenhando, escolhendo cores ou sugerindo temas.


4ª aula: transposição dos estudos para o painel

Entregue a cada grupo uma tira de papel craft, ou similar, de aproximadamente 2 x 4 metros. Com o rolinho e a tinta branca, peça que cada grupo dê uma mão de tinta no papel para preparar a superfície que vai receber as imagens.
 
Quando a tinta secar, oriente os grupos para desenharem de maneira suave com lápis grafite as imagens em seus tamanhos e lugares finais. Proponha, então, que iniciem a pintura sobre o desenho - os alunos devem pintar primeiramente as cores de fundo e, só depois, os detalhes.


5ª aula: exposição dos murais e socialização de impressões finais

Depois de terminados os painéis, organize com a turma a exposição deles. O local escolhido pode ser a sala de aula, ou algum espaço coberto disponível na escola - como o pátio interno ou o corredor.

Na hora de preparar a exposição, peça que os estudantes prestem atenção no acabamento. Fitas dupla face ou "bolinhas de fita crepe" coladas na parte de trás da pintura costumam ser boas estratégias para fixar as obras sem estragá-las.

Com as obras expostas, dê um tempo para que os alunos observem os trabalhos dos outros grupos. Em seguida, reúna-os para que comentem os processos de criação e discutam os resultados alcançados.

Avaliação

Procure tomar notas sobre a participação de cada aluno durante o processo de criação dos painéis. Uma breve autoavaliação final pode ser uma ferramenta útil para facilitar a avaliação individual. Procure tirar fotos dos trabalhos finalizados para que sejam usados como referências no próximo ano.

 
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Consultoria Carlos Arouca, professor de Arte da Escola da Vila e da Escola Vera Cruz, em São Paulo


 
"A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam."
(Auguste Rodin)

Fonte: Revista Bravo




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